Negócios

Ele morou na rua com um cachorro. Agora investe milhões em um hotel de luxo para pets

Estrutura tem 1.500 metros quadrados e capacidade para 400 animais, com suítes individuais de 9 metros quadrados equipadas com cama, ar-condicionado, TV a cabo e aromaterapia

Cleber Santos e Dan Batista, da Comport Pet: “Minha vida foi mudada por causa de um cachorro”, diz Santos (Comport Pet/Divulgação)

Cleber Santos e Dan Batista, da Comport Pet: “Minha vida foi mudada por causa de um cachorro”, diz Santos (Comport Pet/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08h00.

Faz alguns anos, o setor pet virou um dos mercados mais promissores do Brasil. Com 167 milhões de animais de estimação no país e um faturamento estimado em mais de 67 bilhões de reais por ano, empresas do ramo vivem uma corrida para atrair tutores dispostos a pagar mais por conforto, serviços exclusivos e bem-estar dos animais.

A tendência foi tão forte que evoluiu. Hoje, há mercado de sobra para diversos tipos de serviços, muitos deles premium. Hotéis para cães com TV, terapias integrativas e menu especial já não são exceção — e uma nova unidade no Morumbi, em São Paulo, leva esse conceito ao extremo.

É ali que o Grupo Comport, comandado por Cleber Santos, acaba de inaugurar um hotel de luxo para cães com investimento de 3,5 milhões de reais.

A estrutura tem 1.500 metros quadrados e capacidade para 400 animais, com suítes individuais de 9 metros quadrados equipadas com cama, ar-condicionado, TV a cabo e aromaterapia. Há também áreas de recreação, cinema, musicoterapia e uma equipe com certificação em comportamento animal e primeiros socorros.

O projeto marca uma virada na atuação da Comport, que nasceu como empresa de adestramento e hoje se posiciona como um ecossistema completo de serviços pet — com atuação em hotelaria, ensino profissionalizante, franquias e tecnologia.

“Criamos uma estrutura que integra ciência, comportamento, conforto e experiência sensorial, em uma proposta que ainda é inédita em grande parte do país”, afirma Cleber Santos, fundador e CEO do grupo.

Qual é a história de Cleber

O empresário Cleber Santos tinha 14 anos quando fugiu de casa e foi morar na rua, na região da Praça da Sé, no centro de São Paulo. Nascido na Bahia, ele se mudou com a mãe para a capital paulista durante a adolescência, mas com problemas em casa, decidiu que as ruas da cidade mais populosa do país seriam seu novo lar.

Foi lá que ele encontrou Grafit, um vira-lata que se tornou seu maior companheiro. O cuidado com o animal chamou a atenção de um dono de pet shop da região, que ofereceu a Cleber um emprego como ajudante. Lá recebia 20 reais por semana e um abrigo para ele e para o cãozinho.

Dois anos depois de começar a trabalhar na pet shop ganhando 20 reais por banho dado, Santos se alistou nas Forças Armadas e lá, se especializou em adestramento de animais, especialmente cachorros. Ele usou a paixão e o conhecimento que tinha com os pets para se aproximar do canil do Exército, até ser convidado a trabalhar no setor.

Em 2010, abriu a Comport Cão, para prestar serviço de adestramento de cachorros. Trabalhou com isso por quatro anos, até conhecer Dan Batista, sua esposa e atual sócia. Ela trabalhava como paisagista e decoradora, mas também gostava de animais de estimação e foi estudar o mercado. 

Juntos, eles transformaram o negócio na Comport Pet, que passou a oferecer mais serviços, como dog walker (para caminhar com os cachorros) e hotelaria para os animais. 

“Quando começamos, atendíamos seis cães”, diz Santos. “Depois, fomos estudar comportamento animal, aperfeiçoamos nossa gestão e começamos a aumentar o número de cães. Fomos de seis para 15 cães, depois 30. Até que em 2016 abrimos nosso ponto físico, que cabia 100 cães por dia e começamos aumentar os serviços”.

Foi nessa época que colocaram no portfólio de produtos banho e tosa, veterinária e tratamento para os bichinhos. “Entendemos que o cliente buscava a comodidade de ter todos os serviços em um só lugar, e apostamos nisso”. 

Depois, com a repercussão, passaram também a oferecer cursos e palestras profissionalizantes para profissionais e empreendedores do setor. Assim nasceu a Comport Ensino, segunda das cinco empresas que o Grupo Comport tem hoje.

Como funciona o hotel de luxo

A nova unidade reúne 700 metros quadrados de áreas externas para recreação e socialização, além de 800 metros quadrados internos com salas de treinamento, cinema, suítes e espaços para terapias integrativas.

A operação segue protocolos rígidos de segurança e saúde, incluindo vacinação, avaliação comportamental, atendimento veterinário diário e plantão 24 horas.

As diárias variam entre 170 e 500 reais, dependendo da acomodação e dos serviços contratados. Há 11 suítes especiais que acomodam até quatro cães da mesma família. A alimentação pode ser personalizada, com cardápio da casa ou refeição levada pelos tutores.

“Pensamos em cães de todos os perfis e necessidades. Nosso objetivo é que cada pet tenha uma experiência completa, com segurança emocional e estímulos adequados”, afirma Dan Batista, sócia e esposa de Cleber.

O hotel premium no Morumbi faz parte de um plano mais amplo. A Comport quer chegar a 100 unidades nos próximos 10 anos, combinando operações próprias e franquias.

Hoje, a empresa já atua com ensino profissionalizante para o setor e também prepara o lançamento de uma plataforma própria de gestão voltada a pet shops, clínicas e hotéis.

“A dor que identificamos é que muitos estabelecimentos usam três ou quatro sistemas diferentes para operar. Vamos lançar uma tecnologia integrada e focada na realidade do setor pet”, diz Cleber.

Um nicho bilionário e cada vez mais exigente

O Brasil tem mais de 167 milhões de animais de estimação e consolidou-se como o segundo maior mercado pet do mundo. Nos últimos anos, o segmento premium — que inclui alimentação natural, serviços de bem-estar, terapias e hospedagem diferenciada — cresceu acima da média do setor.

Mas com o crescimento, vem o desafio: adaptar escala sem perder a proposta de valor.

“O tutor hoje é mais exigente. Ele quer segurança, experiência e cuidado de verdade. Se a operação não entrega isso, não adianta ter estrutura bonita”, afirma Cleber.

Acompanhe tudo sobre:Animais de estimação (pets)Hotéispet-shops

Mais de Negócios

PresenteIA: a aposta da CRMBonus para transformar dados em presentes via WhatsApp

Empreendedores veem 2026 desafiador no Brasil, mas confiam no próprio negócio

20 franquias baratas para quem quer deixar de ser CLT a partir de R$ 5.000

Velório de Henrique Maderite será aberto ao público em BH