Negócios

Ele vendia banana na feira. Agora, fatura R$ 40 milhões e luta contra a síndrome do "empresidiário"

A meta é chegar em 2025 faturando 130 milhões de reais. O foco é em atender empreendedores, principalmente de pequenas e médias empresas

André Menezes, da Imperium Group: empresário quebrou algumas vezes antes de criar escola para empreendedores (Imperium /Divulgação)

André Menezes, da Imperium Group: empresário quebrou algumas vezes antes de criar escola para empreendedores (Imperium /Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 19 de outubro de 2023 às 08h00.

Última atualização em 19 de outubro de 2023 às 11h39.

O empresário paulistano André Menezes passou por vários altos e baixos em sua vida e em sua carreira. Vendeu banana na feira, foi entregador de marmita, empacotador, teve um lava-rápido e trabalhou com consórcios. Um caminho de curvas acentuadas, mas que o ajudaram com os aprendizados que utiliza hoje dando cursos para outros empreendedores. E faturando 25 milhões de reais com isso.

Sua empresa, Imperium Group, já impactou 500.000 empresários em sete países. A grande parte online, mas cerca de 22.000 foram treinados presencialmente. Na prática, Menezes ensina e dá dicas sobre liderança empresarial, marketing, vendas, cultura de resultados, estratégia de governo, finanças lucrativas e governança. Para 2023, quer faturar 40 milhões de reais. 

Qual a trajetória de Menezes

Na infância, cresceu se inspirando no pai, um pintor autônomo, e no tio, que era dono de açougues. As coisas começaram a mudar quando seu pai faleceu. Menezes, à época com 12 anos, entendeu que precisava ajudar a sua mãe a colocar dinheiro em casa.

Foi trabalhar na feira, vendendo picolé e banana. “Vender banana era a parte mais facil”, diz. "Tinha que ajudar a montar barraca, descarregar o caminhão, eu chegava às 4 da manhã". Depois, por insistência da mãe, começou a trabalhar como entregador de lanches na região da Avenida Faria Lima e como empacotador do Pão de Açúcar.

Com o dinheiro que guardou, comprou um fusca branco, que vendeu um ano depois para dar entrada na primeira empresa, um lava-rápido. Com fluxo de caixa restrito e sem reserva, a empresa quebrou após assaltantes roubarem as máquinas do estabelecimento.

Dali, trabalhou como vendedor de consórcios e depois atuou na comercialização de filtros de água em uma empresa multinível, onde poderia ser um franqueado caso tivesse um bom desempenho. Foi o que aconteceu. Mas com pouca experiência, foi “trocando cheques” para fazer o dinheiro rodar. Só que os cheques começaram a voltar, e ele quebrou novamente.

“Dessa vez, quebrei como gente grande”, diz. “Fiquei devendo para pessoa física, pessoa jurídica, fiquei devendo para banco. Perdi carro por busca e apreensão. Mas uma coisa que meu pai ensinou é cumprir a palavra, então fui trabalhar numa escola de informática para quitar as dívidas”. 

Da escola de informática à educação corporativa

A escola em questão era a unidade da Microlins em Jandira, na região metropolitana de São Paulo. Menezes estava vendendo um serviço de entrega e se apresentou para um professor, que ficou encantando com a história do empresário e o convidou para trabalhar lá.

"A estrutura era muito boa e logo eu também estava trabalhando como vendedor do curso de informática”, diz. “Depois de cinco anos fui promovido a gerente comercial, pagamos as dívidas e nos recuperamos".

Mas Menezes queria mais. Saiu da escola e abriu uma empresa para dar treinamentos e ajudar outras escolas a estruturarem seus departamentos comerciais. O primeiro contrato foi com a Prefeitura de Barueri.

Depois, também adquiriu, com sua esposa Patrícia, uma escola de informática na cidade. Com o bom resultado, compraram mais duas operações e foram se estruturando. "Eu já morava na casa dos sonhos, tinha um ótimo carro e as escolas estavam autogerenciáveis, mas entrei em crise, pois sentia que faltava algo", afirma.

"Nessa época eu já era habilidoso em ministrar palestras e treinamentos e, em setembro de 2017, decidi contar a minha trajetória e criei o MBI, um produto para empresários. Fiz um workshop em Osasco, com a presença de pouco mais de 50 empreendedores, e realizei uma imersão em Alphaville, com mais de 120 empresários". 

Esse foi o embrião para criar a Imperium alguns anos depois. Em 2021, Menezes vendeu as escolas de informática "com uma margem de lucro excelente" e passou a focar 100% na educação empresarial, com a criação do seu negócio que, já no primeiro ano, faturou 8,7 milhões de reais.

Quais foram os aprendizados das quebras

Foram altos e baixos na trajetória de Menezes. O primeiro aprendizado que o empresário teve com a quebra de seus negócios anteriores foi que a "empresa é um reflexo do dono".

"Eu queria ser empresário, mas com mentalidade de funcionário", diz. "Você nunca vai ser um empresário lucrativo se você tem apenas experiência como funcionário. E na época não era fácil encontrar um lugar para te formar como empresário, fui aprendendo aos poucos". Segundo ele, o principal desafio é virar a chave do operacional para o estratégico.

Outro aprendizado que levou é que é preciso focar mais no caminho do que no resultado. "A gente vê hoje na internet, empreendedores de palco", diz. "São perfeitos, como se tudo tivesse dado certo. Mas na verdade, há percalços no caminho. Eu acredito em empresas que estão se desenvolvendo". 

Quais as metas futuras da Imperium

Menezes tem um desafio pela frente. É a primeira vez que vai administrar uma empresa de 40 milhões de reais. Para isso, quer focar em marketing e força de marca para ser ainda mais conhecido. “Quero apoiar as pequenas e médias empresas, mas dando cursos de maneira prática”, diz.

Entre as metas de Menezes estão:

  • faturar 70 milhões de reais em 2024
  • faturar 130 milhões de reais em 2025
  • se tornar um dos principais ecossistemas de desenvolvimento de empresários

“Chega de ser empresidiário”

Menezes também está lançando um livro chamando “Chega de ser empresidiário: Como crescer sua empresa sem sacrificar sua liberdade”. Na obra, ele dá conselhos que também ensina em seus cursos sobre como fazer uma boa gestão de recursos e horários para não ficar trabalhando 24 horas por dia.

"O pequeno é médio empreendedor é o primeiro a chegar na sua empresa e o último a sair, não está tirando férias, só trabalha", afirma. "Nesse livro, eu conto minha história e, nos últimos capítulos, apresento um guia pra se livrar das ‘grades do empresariado’".

Em uma hora de lançamento, Menezes vendeu 5.000 exemplares do livro. “É preciso estar atento com gestão de tempo, escolhas de equipe, propostas de engajamento, aumento da produtividade etc, mas sem descuidar da vida pessoal e da saúde mental, principalmente quando falamos em estresse, ansiedade e demais crises, como o burnout”.

Acompanhe tudo sobre:Educação

Mais de Negócios

Com queda no turismo, principal rede de hotéis de Gramado já tem um pedido de Natal: hóspedes

Meses após levantar R$ 600 milhões, Solfácil anuncia nova captação no valor de R$ 750 milhões

TotalEnergies investe em pesquisa, desenvolvimento e inovação para acelerar a transição energética

Essa empresa criou uma "amiga artificial" para você conversar no WhatsApp e praticar inglês

Mais na Exame