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Ela percebeu que a reputação das marcas também passou a depender da IA e criou uma agência para isso

Fundada por Paula Nadal após duas décadas em grandes grupos de comunicação, a Pivot quer ajudar marcas a construir reputação num cenário em que algoritmos também influenciam decisões de consumo e investimento

Paula Nadal, fundadora da Pivot Comunicação: 'A reputação continua humana. O problema é que agora ela também precisa ser entendida pelas máquinas.' (Vivian Koblinsky)

Paula Nadal, fundadora da Pivot Comunicação: 'A reputação continua humana. O problema é que agora ela também precisa ser entendida pelas máquinas.' (Vivian Koblinsky)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 10 de junho de 2026 às 11h13.

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A inteligência artificial mudou a forma como consumidores buscam informação, mas também criou uma nova preocupação para as empresas: como suas marcas aparecem nas respostas geradas por máquinas.

Com 20 anos de experiência em comunicação, Paula Nadal reconheceu a complexidade da comunicação hoje e lançou a Pivot Comunicação, que pretende combinar relações públicas com monitoramento de reputação em plataformas de IA generativa e redes de influência digital.

A agência começou a operar em março e atende oito clientes, entre eles Ânima Educação, BAT Brasil, Auren Energia, NG.CASH, Vórtx e Elo.

“A reputação vai continuar sendo uma construção humana. O que mudou é que agora ela também precisa ser compreendida pelas máquinas”, diz Paula.

Nos próximos meses, a aposta da Pivot será ampliar o portfólio sem perseguir o volume de clientes. A prioridade é trabalhar com empresas que estejam dispostas a rever modelos tradicionais de comunicação e investir em posicionamento institucional integrado.

Uma agência criada em torno da IA

A Pivot nasceu depois de duas décadas de Paula Nadal em grandes grupos de comunicação. Jornalista de formação, passou pela Editora Abril e pelas agências Edelman e Ideal Axicom, onde liderou operações ligadas a estratégia, digital, dados e reputação.

O projeto começou a tomar forma a partir de um incômodo com a dificuldade das agências tradicionais de adaptar estruturas à velocidade das mudanças provocadas pela IA generativa.

“Estruturas muito estabelecidas tendem a ser mais lentas para implementar mudanças. A gente conseguiu nascer já com essas soluções embarcadas”, afirma.

A agência opera com o conceito de “times humanos + agênticos”, combinação entre consultores seniores e agentes de IA usados para automatizar tarefas operacionais e análises de comunicação.

Na prática, a empresa desenvolveu modelos para monitorar como marcas aparecem na imprensa, redes sociais, influenciadores e também em LLMs, os grandes modelos de linguagem usados por plataformas de IA generativa.

Um dos produtos internos da agência é o Aura, metodologia proprietária criada para cruzar dados de reputação em diferentes canais e medir como determinadas narrativas reverberam entre mídia, redes sociais e respostas geradas por IA.

“Hoje não existe mais uma divisão clara entre imprensa, influência, redes sociais e algoritmos. Tudo se mistura”, diz. “Uma pauta publicada na imprensa vira vídeo de influenciador, que depois alimenta buscas e respostas automatizadas.”

A ideia é que a IA possibilite personalização e eficiência para clientes de diferentes segmentos. “Cada cliente tem um desafio diferente. A gente desenha agentes específicos para atender aquela necessidade e dar escala ao trabalho sem perder qualidade estratégica”, afirma Paula.

Estrutura aposta em senioridade

Além da inteligência artificial, a Pivot tenta se diferenciar pela estrutura mais enxuta e pela senioridade do time. A agência aposta em profissionais experientes, com passagem por grandes grupos de comunicação, para atuar diretamente na estratégia dos clientes e reduzir camadas operacionais comuns em agências tradicionais.

“A comunicação deixou de ser só divulgação e passou a funcionar como infraestrutura de negócio”, diz Paula.

A lógica da empresa é combinar tecnologia com uma operação mais leve, baseada em relacionamento e tomada de decisão rápida. Segundo a fundadora, a estrutura foi desenhada para adaptar equipes de acordo com as demandas de cada setor e evitar o modelo de atendimento excessivamente padronizado.

“Eu queria pessoas com competências complementares às minhas e com bases de relacionamento e capacidades tão fortes quanto as minhas”, afirma. “Buscamos trazer profissionais com formações muito multidisciplinares. Tem jornalista, RP, consultor, cientista de dados.”

A agência diz que pretende continuar montando equipes conforme a necessidade dos clientes e dos segmentos atendidos. Hoje, o portfólio inclui empresas de tecnologia, mercado financeiro, energia e indústria. “A ideia é trazer profissionais que tenham experiências nos segmentos que se façam necessários para os clientes”, diz.

Foco em cultura

A vice-presidência da agência será ocupada por Vera Brandimarte, ex-diretora de redação do Valor Econômico. O time inclui ainda Tales Ponce, ex-Ideal Axicom e FSB; Thiago Campos, ex-Salve e Ideal; e Marcelo Dominguez, cientista de dados com passagens por Edelman e Grupo Burson.

Além da operação fixa, a agência criou um conselho de consultores estratégicos com nomes como Vinícius Dônola e Viviane Mansi, executiva ligada à agenda ESG, sigla para práticas ambientais, sociais e de governança.

A ideia da empresa é manter uma estrutura menor e mais flexível. Em vez de metas agressivas de crescimento, a agência afirma que busca clientes alinhados à proposta de integrar reputação institucional, influência digital e presença algorítmica.

“A reputação da Pivot também depende das marcas que escolhem trabalhar com a gente. Nada melhor para uma agência nova do que construir um portfólio forte e entregar um trabalho bem feito”, diz.

“Nosso desafio é não virar uma agência que parece nova agora, mas envelhece rápido. Queremos manter a capacidade de adaptação como parte central da operação", afirma Paula.

Pesquisa mostra empresas despreparadas

Antes do lançamento, a Pivot entrevistou cerca de 50 líderes de comunicação e marketing de grandes empresas brasileiras para entender como as áreas estão lidando com IA.

Segundo o levantamento, apenas 6% afirmam que suas empresas estão preparadas para gerir reputação nesse novo ambiente. Entre os principais entraves aparecem excesso de demandas operacionais, falta de treinamento em IA e estruturas consideradas engessadas.

Essa mudança também altera a lógica da reputação corporativa. Se antes o foco estava em conquistar confiança pública, agora as empresas também precisam entender como são interpretadas por sistemas automatizados. “Mesmo quando a marca não fala, alguém fala por ela. E hoje esse alguém também pode ser um algoritmo”, diz.

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