Negócios

Ela não sabia fazer bolo, começou em casa e hoje fatura R$ 2 milhões no litoral de SP

Marca criada no Guarujá pela empreendedora e Jéssica Cristina Soares Fernandes estruturou fábrica, loja e operação de delivery para consolidar a expansão

Jéssica Cristina Soares Fernandes, fundadora da Cacau Love

Jéssica Cristina Soares Fernandes, fundadora da Cacau Love

Estímulo
Estímulo

Estímulo

Publicado em 19 de março de 2026 às 17h44.

Última atualização em 24 de março de 2026 às 17h59.

Por muitos anos, a rotina de Jéssica Cristina Soares Fernandes parecia seguir um caminho comum. Moradora do Guarujá, no litoral de São Paulo, ela trabalhava como funcionária em um atacado e passava os dias observando o fluxo constante de clientes, produtos e carrinhos de compras. Foi nesse ambiente que começou a desenvolver algo que mais tarde seria essencial para sua trajetória: a capacidade de observar padrões de consumo e enxergar oportunidades onde poucos prestam atenção.

Naquela época, porém, empreender ainda não era um plano claro. A aproximação com o universo da confeitaria aconteceu de forma quase acidental. Jéssica passou a ter contato com pessoas que produziam e vendiam doces de maneira informal e ficou curiosa com aquele tipo de atividade. Mesmo sem qualquer experiência na cozinha, e sem sequer saber preparar um bolo simples, decidiu tentar.

O aprendizado começou de forma totalmente autodidata. Sem dinheiro para cursos ou formação especializada, ela passou a recorrer à internet, assistindo vídeos, participando de grupos em redes sociais e testando receitas dentro da própria cozinha de casa. No início, produzia bombons e pequenos doces, vendidos de forma simples e informal, reinvestindo cada pequeno resultado para continuar.

A maternidade também acabou desempenhando um papel importante nessa história. Ao organizar o primeiro aniversário da filha, a empreendedora se envolveu ainda mais com a confeitaria, experimentando novas receitas e aprofundando técnicas. Aos poucos, o que começou como uma tentativa curiosa de produzir doces passou a ganhar contornos mais concretos de negócio.

Paulo Camargo, Flávio Augusto, Cris Arcangeli e mais: Quer receber mentoria gratuita? Inscreva-se no Choque de Gestão

A decisão de levar o projeto mais a sério veio em um momento de incerteza. O marido, Edson, enfrentou um período de instabilidade no trabalho, e o casal percebeu que precisaria tomar uma decisão rápida. Em vez de esperar o dinheiro acabar, optaram por investir os recursos que tinham no pequeno negócio que surgia dentro de casa. Nascia ali a base da Cacau Love, que após alguns anos, tornou-se uma empresa consolidada com faturamento de quase R$2 milhões em 2025.

Mas, nem sempre foi assim. Os primeiros anos foram marcados por dificuldades. Houve mudanças de ponto comercial, tentativas que não deram certo e momentos em que a operação precisou voltar a funcionar dentro de casa. Em alguns dias, o faturamento mal passava de R$100. Além dos desafios financeiros, vieram também as críticas e dúvidas de pessoas próximas, que questionavam se aquele projeto realmente poderia dar certo.

Jéssica e Edson decidiram seguir um caminho de aprendizado contínuo. Quando algo não funcionava, reorganizavam a estratégia e tentavam novamente. Essa lógica de testar, ajustar e insistir acabou se tornando uma das bases da empresa.

Com o passar do tempo, o negócio começou a ganhar tração. O que havia começado como uma produção artesanal evoluiu para uma operação mais estruturada. A Cacau Love passou a contar com fábrica própria, pontos de venda e presença ativa no delivery. Em determinados momentos da trajetória, a empresa chegou a operar com três unidades simultaneamente (duas lojas e uma fábrica), além de uma equipe de até 14 funcionários registrados.

A pandemia de covid-19, que trouxe dificuldades para muitos setores, acabou funcionando como um período de consolidação para a confeitaria. O consumo doméstico de alimentos considerados “de conforto”, como bolos e doces, aumentou, e a Cacau Love conseguiu ampliar sua presença no delivery e fortalecer a marca na cidade.

Hoje, a empresa vive um novo momento estratégico de reorganização. Após testar diferentes formatos ao longo da última década, Jéssica decidiu concentrar a operação em duas unidades principais: a matriz e fábrica, onde funciona a cozinha industrial da empresa, e a Loja 1, recentemente reformada e hoje considerada o principal ponto de venda da marca.

A estratégia busca equilibrar eficiência operacional e proximidade com o cliente. A loja reformada deve receber uma mini cozinha interna para agilizar parte da produção e melhorar o atendimento direto ao consumidor, enquanto a fábrica permanece como base produtiva para garantir escala. Um fator que traz segurança adicional ao negócio é o fato de o terreno da fábrica ser próprio, o que oferece estabilidade patrimonial e maior previsibilidade para o futuro da empresa.

Atualmente, a Cacau Love opera com cerca de sete colaboradores, sendo a maioria mulheres e mães. Jéssica tem buscado estruturar um ambiente de trabalho que considere a realidade desses profissionais, adotando jornadas reduzidas de seis horas, além de oferecer benefícios como auxílio-alimentação por meio do iFood Benefícios e metas internas de desempenho.

O principal produto da marca são os bolos caseiros, pensados como um item de consumo cotidiano. A visão de Jéssica é transformar o bolo em uma alternativa diária ao pão francês no café da manhã brasileiro, um hábito que ela acredita ser possível mudar com qualidade, variedade e conveniência, especialmente com o apoio do delivery e da proximidade com o consumidor.

Mais do que uma confeitaria, a trajetória da empreendedora reflete um fenômeno cada vez mais comum no país: negócios que nascem de forma improvisada dentro de casa e, com persistência e adaptação, se transformam em empresas estruturadas. No caso de Jéssica, tudo começou com uma decisão simples. Tentar fazer um doce que ela ainda nem sabia preparar. Hoje, a aposta virou um negócio milionário no litoral paulista.

Assista ao novo episódio do Choque de Gestão

Você tem um negócio e gostaria de receber uma mentoria gratuita de grandes empresários brasileiros? Inscreva-se no Choque de Gestão.

yt thumbnail
Acompanhe tudo sobre:Estímuloempreendedorismo-feminino

Mais de Negócios

Da casa da avó a 3 mil pontos de venda: fábrica de biscoitos saudáveis no Rio mira R$ 20 milhões

Copa, eleições e guerra? Fundador da Petz diz por que empresas não devem culpar fatores externos

Solo saudável, safra forte: a estratégia da SLC Agrícola para crescer

A startup que quer acabar com a caça ao boleto de luz, água e telefone