Drogaria São Paulo acelera investimentos e vai abrir quase 200 lojas em dois anos

Empresa de capital fechado se mantém firme após "boom" de IPOs de redes de farmácia ao longo da pandemia
 (Grupo DPSP/Divulgação)
(Grupo DPSP/Divulgação)
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Estadão ConteúdoPublicado em 19/08/2022 às 06:54.

Depois de um "boom" de ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) de redes de farmácias na Bolsa brasileira ao longo da pandemia, a DPSP, dona das marcas Drogarias São Paulo e Pacheco, manteve-se firme como uma empresa de capital fechado.

Mas nem por isso deixou de crescer. A companhia vai investir R$ 450 milhões neste ano, cifra R$ 100 milhões maior do que a de 2021. Com isso, deve fechar 2022 com 77 novas lojas abertas e a estreia da rede em seu nono Estado de atuação, o Mato Grosso.

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Segundo o presidente da DPSP, Jonas Laurindvicius, que acaba de completar um ano à frente da companhia, a chegada em Mato Grosso surpreendeu a rede. Os números provaram que a decisão foi certeira.

O faturamento por loja no Estado supera, de longe, a média nacional, que é hoje de R$ 850 mil por mês, disse o executivo, sem dar mais detalhes.

E o plano é acelerar. Para 2023, está mapeada a abertura de 120 novas lojas - e mesmo assim não há um IPO ou a atração de um investidor estratégico no horizonte.

"Nossa empresa é bem lucrativa e gera um bom caixa, que é suficiente para um crescimento forte", afirma Laurindvicius. A projeção é que o faturamento alcance R$ 13 bilhões neste ano, ante um faturamento de R$ 12 bilhões no ano passado.

No Brasil, a líder do setor é a RD, da rede Raia e Drogasil, conforme dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), com um faturamento de cerca de R$ 25 bilhões ano passado.

Já a DPSP configura na segunda posição, mas já acompanhada de mais de perto pela rede Pague Menos, que ganhou mais porte com a aquisição da Extrafarma. Segundo dados da consultoria Varese Retail, as cinco maiores redes têm uma participação de 35% no setor como um todo.

Com 1,4 mil lojas - sendo 900 delas da marca São Paulo e o restante Pacheco -, o presidente da DPSP diz que, depois da entrada no Mato Grosso, a estratégia será de crescer nos Estados onde a rede já colocou os pés.

Com presença em nove Estados mais o Distrito Federal, segundo ele, há ainda espaço para 600 novas lojas nessas regiões. Mesmo com a aceleração do crescimento, a empresa ainda seguirá bem atrás da RD, uma vez que a primeira do ranking tem mais de 2,5 mil lojas e vem abrindo 250 unidades ao ano.

Laurindvicius explica que em Mato Grosso, contudo, a lógica da estreia foi diferente. Um estudo interno da empresa mostrou que ali havia uma oportunidade de entrada por conta da proximidade do centro de distribuição da empresa, em Goiás, o que garantiria fácil logística. Já foram inauguradas três lojas e outras cinco sairão do papel ainda neste ano.

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Ganho de mercado

Com um surto de gripe fora de época no Brasil, muitas farmácias ficaram desabastecidas neste ano, com falta de diversos tipos de medicamentos, como os antibióticos e antitérmicos.

A DPSP, beneficiada por contratos com as indústrias farmacêuticas e com flexibilidade de logística para transferir medicamentos de uma unidade para outra, conseguiu driblar melhor o problema de fornecimento do mercado, o que se traduziu em ganho de mercado em São Paulo, diz o presidente da rede.

Por ter seu capital fechado, o executivo não abre o ganho de participação de mercado, alegando ser um dado estratégico. O faturamento total do setor no Brasil, por ano, é de mais de R$ 64 bilhões, conforme levantamento feito pela Abrafarma.

Alberto Serrentino, especialista em varejo e sócio da consultoria Varese Retail, explica que as empresas que têm capital aberto têm mais oxigênio para expansão rápida, como a RD hoje líder isolada no País. "O setor ainda tem espaço para expansão e consolidação e as grandes redes estão cada vez mais fortes no interior do País", comenta.