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Dono do Cruzeiro fatura R$ 25 bilhões com o quarto maior supermercado do Brasil

Pedro Lourenço saiu de carregador para construir o Supermercados BH, hoje uma potência nacional do varejo alimentar

Pedro Lourenço, fundador do Supermercados BH: empresário comprou o Cruzeiro há dois anos (Pedro Silveira/Exame)

Pedro Lourenço, fundador do Supermercados BH: empresário comprou o Cruzeiro há dois anos (Pedro Silveira/Exame)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 29 de abril de 2026 às 06h22.

Ex-carregador de caixas de supermercados de Belo Horizonte, Pedro Lourenço fundou a Supermercados BH em 1996.

Cerca de 30 anos depois, seu nome passou a ser associado ao Cruzeiro. Há dois anos, o empresário comprou as ações da SAF do clube que estavam nas mãos do jogador Ronaldo por cerca de R$ 600 milhões e está no comando do clube.

Mas é no varejo que Pedro Lourenço construiu sua fortuna. O Supermercados BH, rede que ele fundou, fatura hoje R$ 25,72 bilhões por ano, ocupa o 4º lugar no ranking nacional e lidera com folga o mercado mineiro.

São cerca de 300 lojas próprias em aproximadamente 95 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.

De lavradores a bilionário

A história de Pedro Lourenço começa longe dos holofotes. Filho de lavradores de Paineiras, cidade a 250 quilômetros de Belo Horizonte, ele deixou a casa dos pais aos 18 anos com o ensino fundamental incompleto e foi tentar a vida na capital.

O primeiro destino foi o chão de supermercado. Encarregado de depósito, carregador, repositor, vendedor.

Com o tempo, subiu para gerente e depois para supervisor de vendas do atacadista Ferreirão. Foi nessa trajetória que aprendeu o negócio por dentro, antes de arriscar o próprio dinheiro.

Em 1996, aos 40 anos, usou as economias que havia juntado para abrir uma mercearia na periferia de Santa Luzia, cidade da Grande BH.

A aposta era no público que os grandes supermercados ignoravam e não faltou quem duvidasse.

“Meus amigos diziam que não ia dar certo vender na periferia e minha mulher queria que eu desistisse. Mas eu não levo em consideração o que os outros pensam”, disse Lourenço em entrevista à EXAME em 2017.

O lucro foi reinvestido em novas lojas. Em 2004, vendeu cerca de 40% da empresa para dois sócios e usou os recursos para acelerar a expansão, abrindo filiais e comprando mercadinhos que iam mal.

A lógica por trás do crescimento

O BH, como a rede é conhecida, cresceu “comendo pelas beiradas”. Abriu lojas onde havia pouca concorrência, apostou em produtos de marcas mais baratas e foi seguindo o rastro do aumento do poder aquisitivo das classes C e D ao longo de quase três décadas.

A estratégia funcionou porque, nesses mercados, a disputa é com pequenos mercadinhos locais e o BH tem escala para negociar melhor com fornecedores.

O resultado está nos números. Segundo o Ranking ABRAS 2026, a rede fatura R$ 25,72 bilhões e subiu para o 4º lugar no ranking nacional.

É também a maior rede de Minas Gerais em um estado que ocupa o terceiro lugar no país em volume de receita supermercadista, com as dez maiores redes somando R$ 80,6 bilhões.

O cenário é de um setor robusto. O faturamento das redes supermercadistas brasileiras ultrapassou R$ 1,1 trilhão em 2025, o equivalente a 9,02% do PIB do país.

A ligação de Pedro Lourenço com o Cruzeiro antecede a compra do clube. Torcedor fanático, ele chegou a pagar do próprio bolso os salários atrasados dos jogadores antes de o clube se tornar uma SAF.

Dois anos atrás, tornou-se o dono oficial e agora tenta repetir no futebol a fórmula que funcionou no varejo: começar de baixo, crescer com consistência e não ligar para o que os outros pensam.

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