ChildFund Brasil divulga relatório anual e alerta que é necessário mais esforços para erradicar a extrema pobreza no país

O ChildFund Brasil, organização social que há quase 50 anos atua no combate a pobreza e em desenvolvimento social no país, acaba de divulgar o seu Relatório Anual de Atividades, com informações relativas a 2015. Além disso, a publicação traz dados que mostram que ainda 10 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza, além de uma análise da atual crise econômica e política do país.

O documento de 52 páginas presta contas sobre as ações, programas e projetos sociais desenvolvidos no último ano e as demonstrações financeiras do período, devidamente auditadas. “É o mais completo instrumento de que dispomos para fortalecer o nosso compromisso com a transparência”, considera o diretor nacional, Gerson Pacheco.

O relatório foi enviado a doadores, parceiros, apoiadores e está disponível na íntegra para toda a sociedade por meio do link https://issuu.com/childfundbrasil/docs/relato_integrado_2015_-_childfund_b.
 
A instituição investiu em 2015, através de seus padrinhos e doadores, nada menos que R$ 16 milhões. Esse montante foi aplicado na execução de 216 projetos sociais que beneficiaram diretamente mais de 147.932 mil pessoas, entre crianças, adolescentes e suas famílias. Dentre os beneficiados, cerca de 51 mil são crianças e jovens.
 
A maior parte dos recursos são captados por meio do Programa de Apadrinhamento, que é a força motriz da organização. O padrinho pode ser qualquer pessoa que se comprometa mensalmente com uma contribuição mínima de R$ 57. Em 2015, o número de crianças apadrinhadas chegou a 37 mil, sendo 8.637 amparadas por padrinhos brasileiros e 28.656 apadrinhadas por estrangeiros. O valor doado não é entregue diretamente à criança ou à sua família; é investido na execução de projetos sociais de acordo com a necessidade de cada comunidade.
 
Crise política e econômica do Brasil

O ano 2015 foi de forte crise política e econômica no Brasil. Houve cerca de 4% de queda do PIB. Segundo levantamento elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento da indústria diminuiu 8,8%. A inflação foi de 10,67%. O desemprego aumentou. A poupança registrou uma retirada líquida histórica acima de R$ 53 bilhões, e a arrecadação de impostos caiu significativamente. Os juros se elevaram, o dólar disparou e o real se desvalorizou.

Para 2016, há previsões de que a taxa de desemprego deva atingir 10% e, dependendo da continuidade da instabilidade política, há a perspectiva de uma nova queda da atividade econômica. Grandes setores empregadores, como a construção civil (muito retraída desde o início das atividades da Operação Lava Jato) e a indústria de transformação, passaram a demitir num ritmo intenso.

Somados a esses problemas estão dados que precisam ser considerados. Os últimos números disponíveis revelam que, apesar do processo de inclusão social pelo qual o país passou, ainda são mais de 10 milhões de pessoas na miséria. A insegurança alimentar ainda é um grave problema. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, havia cerca de 52 milhões de brasileiros sem acesso diário a comida de qualidade e na quantidade satisfatória. As piores situações se apresentam nas regiões Norte e Nordeste, onde atingem 36,1% e 38,1% dos domicílios. Chega a 35,3% na área rural – a principal área de atuação do ChildFund Brasil.

O déficit habitacional, que já foi superior a 10 milhões de unidades, também foi significativamente reduzido nos últimos 12 anos. Mas, segundo a Secretaria Nacional de Habitação, em 2015, o déficit habitacional ainda era de 6,27 milhões de domicílios. E, no quesito saneamento básico, estudo divulgado em 2014, pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, posiciona o Brasil na 112ª posição em um ranking com 200 países.

O cenário é sombrio, com sérios riscos de retrocesso nas políticas de inclusão social e de redução da miséria. O Brasil tem o desafio de continuar combatendo a pobreza e suas consequências sociais. Para o ChildFund Brasil, a crise impõe a necessidade de novas estratégias para dar assistência aos que são mais impactados: crianças em situação de privação, exclusão e vulnerabilidade. E, é por isso, que devemos unir nossos esforços para garantir os direitos sociais desses jovens e seus familiares. Apadrinhe uma criança! Ligue: 0300-313-2003 ou pelo site www.apadrinhamento.org.br .

Sobre o ChildFund Brasil – Fundo para Crianças
 
O ChildFund Brasil – Fundo para Crianças é uma organização internacional de desenvolvimento social e proteção infantil. Desde 1966, a organização atua de forma independente no país e desenvolve programas sociais para superar as causas da pobreza. A instituição é afiliada ao ChildFund International, que foi fundada em 1938 e está presente em 57 países. Mais informações: www.apadrinhamento.org.br .

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