De franqueado a CEO, ele agora quer fazer rede faturar R$ 160 milhões

Os bons resultados da loja de Cristiano Corrêa, um franqueado da rede de limpeza Ecoville, chamaram a atenção dos fundadores; hoje CEO, ele quer replicar a fórmula em todas as unidades
Cristiano Corrêa, CEO da Ecoville (Ecoville/Divulgação)
Cristiano Corrêa, CEO da Ecoville (Ecoville/Divulgação)
Por Maria Clara DiasPublicado em 19/05/2022 17:22 | Última atualização em 20/05/2022 13:58Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Uma empresa anuncia um novo presidente e a troca de comando reflete o desejo em crescer e adotar novos rumos dali em diante. O cenário não soa incomum no universo corporativo, bem como em grandes redes de franquia nas quais os fundadores deixam de lado o comando para trazer novos ares ao empreendimento. Mas na Ecoville, a mudança na liderança também é sinônimo de uma trajetória empreendedora que deu certo.

Há alguns meses, Cristiano Corrêa deixou o posto de franqueado para assumir a cadeira de CEO na rede de produtos de limpeza Ecoville.

A rede foi fundada em 2007 pelos irmãos Leandro e Leonardo Castelo, dois ex-executivos de multinacionais com formação em química. No início, eles comercializavam produtos de limpeza, próprios ou não, em Kombis, num modelo de vendas porta a porta. Tempos depois, a Ecoville foi o ponto de partida para que os empreendedores migrassem a marca para um modelo de franquias, além de criar outras empresas. Hoje, eles são líderes da 300 Franchising, uma das principais holdings de franquias do país, com mais de 90 marcas debaixo de seu guarda-chuva.

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Com o crescimento acelerado da holding nos últimos dois anos, os fundadores precisaram soltar um pouco o controle da Ecoville. Dessa necessidade surgiram as primeiras conversas com Corrêa, um franqueado que chamava a atenção dos irmãos Castelo pelo bom desempenho de sua unidade.

Para justificar ao interesse: a unidade de Itapema, em Santa Catarina, liderada por Corrêa e sua esposa, era a mais bem-sucedida entre todas as mais de 300 lojas da Ecoville no país por quatro anos consecutivos. O faturamento mensal superava os R$ 500 mil, cinco vezes a média da rede.

Os fundadores queriam entender onde Corrêa estava acertando, para fazê-lo replicar isso em todas as outras unidades da rede. O segredo, segundo o CEO, estava num modelo de negócios baseado na especialização dos vendedores. “Não queríamos apenas vender os produtos. Viramos especialistas e passamos a prestar consultoria para clientes que tinham dúvidas sobre o que comprar e como usar”, conta.

Tal educação dos vendedores — e consequentemente dos franqueados — gerou um ciclo virtuoso de fidelidade entre os consumidores. "Entendemos que o diferencial estava em ser uma empresa de educação e não de varejo”.

A chegada de Corrêa ao comando da Ecoville marca um novo posicionamento da empresa. Agora, além dos treinamentos com os vendedores, a Ecoville também quer inserir a prestação de serviços de limpeza, um resultado da integração com os serviços prestados pela Vertex, outra empresa fundada pelo empreendedor.  O novo momento também inclui parcerias com marcas originais da indústria, como Havaianas, Nestlé e Coca-Cola, com pequenas lojas dentro das unidades da empresa.

Com esses e outros esforços, a marca projeta abrir 100 novas unidades e fechar o ano faturamento R$ 160 milhões. Nos próximos cinco anos, a meta é chegar a R$ 1 bilhão em vendas, em mais de 800 unidades — hoje, são 300.

Trajetória empreendedora

Gaúcho de Santa Cruz do Sul, Corrêa soma passagens por empresas como Unilever e Caloi, e conta que empreender nunca foi sua primeira opção, graças a tentativas malsucedidas de outros familiares no ramo. “Eu fugia da tal instabilidade. Buscava uma carreira mais tradicional”, diz.

Aos 18 anos, alistou-se no Exército, onde ficou por quatro anos. “Fiz de tudo para fugir do empreendedorismo”, brinca. Tempos poucos, formou-se em engenharia mecânica e se especializou em engenharia da qualidade, com certificações em ISO e outras métricas que auditam operações de diferentes portes.

Depois de nove anos em uma mesma indústria e uma mudança para a cidade catarinense de Joinville, Corrêa conta que os caminhos rumo ao empreendedorismo surgiram naturalmente. Após a morte do pai, ele e seus irmãos encontraram anotações com planos de negócio estruturados para cada um deles. “Meu pai sempre teve o sonho de empreender e queria repassar isso para nós. Percebi que não conseguiria mais fugir do meu destino”.

Ao lado da esposa e seguindo o sonho do pai, Corrêa mudou-se para Itapema e tornou-se franqueado da Ecoville. Depois disso, também fundou a empresa de serviços de limpeza Vertex e a Delicatê, de essências aromatizadas.

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