Da Mooca para o Brasil: fabricante de fios e cabos SIL deve faturar R$1 bi

A empresa familiar está na terceira geração e se prepara para entrar em novos negócios, como o de transmissão de dados

Nas ruas do tradicional bairro italiano da Mooca, capital paulista, o caixeiro-viajante Silvio Barone viu a oportunidade de deixar as vendas de materiais elétricos para passar a produzí-los. Em 1974, ele reuniu suas economias e fundou a SIL, uma pequena indústria que se transformou ao longo das décadas e hoje tem um quarto do mercado brasileiro de fios e cabos elétricos. Com projeção de faturamento de 1 bilhão de reais em 2019, a mais nova aposta da empresa é a entrada no negócio de cabos de dados.

“O grande desafio da nossa área de atuação é se renovar. E agora vamos levar qualidade e tradição para o segmento de transmissão de dados”, afirma Marcelo Barone, presidente da SIL e neto do fundador da empresa.

A administração da SIL está em sua terceira geração e as mudanças vêm ocorrendo de maneira mais célere. “Nos momentos decisivos da empresa, nossa família fez as transições de forma muito responsável”, diz Barone.

Em 45 anos de história, a SIL passou por inúmeros revezes da economia. O último deles foi a crise de 2014 a 2016, que deixou marcas profundas na indústria de materiais de construção. Quase 70 mil postos de trabalho foram fechados, as empresas amargaram prejuízos e medidas precisaram ser tomadas para garantir a sustentabilidade do negócio. A diversificação do portfólio é uma delas e deve auxiliar a SIL a mitigar os riscos em um cenário ainda incerto.

“Com a crise e o aumento dos custos, não temos conseguido implementar reajustes integralmente”, destaca Barone.

Neste cenário, os fabricantes adotam medidas para diversificar as fontes de receita. Além da decisão de começar a vender cabos de dados a partir da segunda quinzena deste mês, a SIL entrou há pouco mais de um ano no segmento de cabos para sistemas de placas solares, uma tendência que cresce no mercado de energia. A empresa atende projetos residenciais, comerciais e industriais.

Competição

No mercado de commodities, como é o caso de fios e cabos elétricos, a estratégia de custos precisa ser extremamente calculada, especialmente com o dólar em alta, uma vez que o cobre, principal insumo da SIL, é cotado em moeda americana.

Barone explica ainda que o custo de frete no Brasil é extremamente relevante e, por esse motivo, a empresa investe na abrangência e otimização da sua distribuição.

“Nos últimos cinco anos, fizemos uma reestruturação do departamento comercial, fiscal e na distribuição. Dobramos o número de representantes comerciais.”

Com cerca de dez concorrentes relevantes no segmento de fios e cabos elétricos de baixa tensão, a SIL tem aproximadamente 25% de market share. Para manter o crescimento em um mercado cada vez mais disputado, a empresa avalia a entrada nos segmentos de média e alta tensão, usados na distribuição e transmissão de energia. “Seria um caminho para expandir. Temos know-how”, garante.

Além disso, a empresa investe em marketing, especialmente futebol masculino: a SIL é patrocinadora da série A do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.

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