Negócios

Apresentado por CREA-SP

Crea-SP traz diagnóstico sobre cidades inteligentes no estado

Resultados foram apresentados durante simpósio nacional e trouxe contribuições inovadoras para um melhor desenvolvimento dos municípios paulistas

 (CREA-SP/Divulgação)

(CREA-SP/Divulgação)

e

exame.solutions

Publicado em 1 de abril de 2022 às 10h30.

Última atualização em 6 de abril de 2022 às 09h23.

De acordo com previsões da ONU, cerca de 70% da população mundial estará concentrada em grandes centros urbanos até 2050. Até lá, a população do planeta deverá aumentar em 25%. Um crescimento ordenado dependerá, portanto, de soluções que tornem as cidades inteligentes.

Adotado pela União Europeia, o conceito de smart cities é definido por sistemas de pessoas interagindo e usando energia, material, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e, assim, levar bem-estar à população.

Como tudo isso passa, invariavelmente, por um bom planejamento urbano, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) promoveu, nos dias 18 e 19 de março, o Simpósio Nacional de Cidades Inteligentes.

Realizado no Parque Tecnológico de São José dos Campos, primeiro município do país certificado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como cidade inteligente, o evento reuniu cerca de 3 mil pessoas e abriu um debate público sobre como a tecnologia pode melhorar a vida dos cidadãos paulistas, com base em um diagnóstico realizado nos 645 municípios do estado.

“São discussões que vão além da fiscalização. Passamos a pensar em cidades inteligentes e não há condições da engenharia não participar desses debates”, diz Vinicius Marchese, engenheiro e presidente do Crea-SP.

Espaços mais acolhedores e inclusivos

No primeiro dia de programação, o simpósio reuniu o Colégio Estadual de Inspetores para a apresentação dos resultados dos diagnósticos que eles ajudaram a construir. Esses profissionais são da área tecnológica e colaboram com a fiscalização em suas regiões.

O mapeamento dos desafios e as potencialidades locais foram levantados ao longo de dez encontros regionais, realizados entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022, para capacitar mais de 1,6 mil inspetores do conselho em cidades inteligentes.

Para a elaboração do diagnóstico foram analisados diversos índices, como iluminação, conectividade, saneamento e mobilidade dos municípios. Como resultado, inúmeras soluções criativas foram estruturadas, dando corpo a 160 propostas que podem ser colocadas em prática.

O relatório será trabalhado por representantes de associações e profissionais que têm o objetivo de levar esses projetos aos gestores públicos para que, então, sejam implementados.

As análises mostraram o papel central dos técnicos, engenheiros e agrônomos para a realização desses profundos movimentos de transformação, assim como a participação e o envolvimento dos cidadãos na tomada de decisões adequadas e que beneficiem todo o coletivo. “Iniciativas inovadoras não saem de um gabinete. Pelo contrário, foram idealizadas por quem está na ponta da atividade”, observa Marchese.

Também foram apresentados os projetos que respaldaram a certificação de São José dos Campos como uma cidade inteligente. Dentre as ações, destaque para a implementação de semáforos inteligentes, veículos elétricos da Guarda Municipal, mapeamento da qualidade dos pavimentos em vias públicas e a construção de uma usina solar fotovoltaica que fornecerá 30% da energia dos prédios públicos.

Recordes de fiscalização

Na mesma ocasião, os agentes fiscais do Crea-SP participaram do XIX Seminário Estadual de Fiscalização (Sefisc). O mais importante evento da fiscalização do exercício profissional apresentou os números recordes atingidos pelo Crea-SP em 2021, com mais de 290 mil ações de fiscalização realizadas. Antes da atual gestão, cerca de 25 mil eram feitas anualmente.

“Decidimos trabalhar com o modelo de força-tarefa, levando de dez a 20 agentes fiscais para um município ou região. Isso permitiu ampliar as ações e a cobertura das diversas áreas da engenharia”, explica Maria Edith dos Santos, superintendente de fiscalização da entidade.

Para 2022, a meta é atingir 400 mil ações em todo o estado de São Paulo. O principal objetivo é coibir o exercício ilegal da profissão.

Transformação digital

O processo de transformação digital, iniciado pelo Crea-SP ainda em 2019, também contribuiu para a melhoria dos processos. Dentre as principais iniciativas, destaque para o aplicativo Fiscaliza, que otimiza o dia a dia de trabalho dos fiscais e teve seus dois últimos módulos apresentados no Sefisc.

“Nosso objetivo é gerar valor para os profissionais do Crea-SP e para toda a sociedade”, afirma Israel Macedo, superintendente de tecnologia e inovação do conselho. “Ouvimos as necessidades de todos os envolvidos, conhecemos o fluxo de trabalho de cada unidade do Crea-SP. Depois, desenhamos as soluções. Partindo do feedback dos usuários, vamos implementando melhorias”, completa.

Um mergulho no universo da tecnologia

Já no segundo dia de evento foram realizados diversos painéis e palestras abordando os seguintes assuntos: cidades inteligentes na prática; mobilidade urbana; gestão de resíduos sólidos; meio ambiente; tecnologias exponenciais; sandbox, mobilidade de trabalho; segurança pública e planejamento de cidades por/e para mulheres.

Os presentes também puderam conhecer e participar de experiências de realidade virtual e mista; visitar a exposição de veículos elétricos da Guarda Municipal e da Linha Verde de São José dos Campos; e conferir as diversas iniciativas do Programa Mulher do Sistema Confea/Crea para a equidade entre gêneros e empoderamento das mulheres engenheiras, agrônomas e geocientistas no Espaço Programa Mulher.

Cases globais são referência para o Brasil

Iniciativas bem-sucedidas têm despontado em todo o mundo, servindo como referência para aqueles que dão seus primeiros passos rumo às cidades inteligentes. Medellín, na Colômbia, por exemplo, inseriu seus cidadãos no centro das decisões por meio da elaboração de comitês locais em seu processo de reformulação.

Nesse caso, a inovação acontece do intenso intercâmbio de ideias entre aqueles que vivem a cidade e vislumbram possibilidades para corrigir as dificuldades encontradas, seja na saúde, seja no meio ambiente, seja na educação ou na segurança pública.

Já o agravamento da crise climática é outro fator a ser considerado nesse processo de transformação. Destaque para a maior cidade portuária da Coreia do Sul, Busan, que com uma população de 3,4 milhões de pessoas é extremamente vulnerável ao aumento do nível do mar, além de enfrentar tufões e inundações constantes.

Diante dessa realidade, em parceria com a ONU-Habitat e a empresa de tecnologia Oceanix, Busan será berço do protótipo de uma cidade flutuante. Com capacidade para acomodar 10 mil pessoas, produzirá a própria comida, energia e água potável, sem gerar resíduos. Em um mundo em que há cada vez mais refugiados do clima, a ação sinaliza para um futuro em que a criatividade se torna uma aliada para encontrar soluções coletivas.

Vale ressaltar que a perspectiva global é de que, até 2024, serão investidos cerca de US$ 203 bilhões em projetos na área. Pela sua projeção nacional e internacional, São Paulo precisa estar na dianteira dessa evolução e o Crea-SP está atento a esse contexto

Mais de Negócios

Uma nova zona norte: empreendimentos da Cidade Center Norte se tornam primeiros do mundo com Selo B

Novo imposto pode tornar carros mais caros – e atrasar renovação da frota, diz Anfavea

Startup simplifica cálculo de impacto ambiental das empresas

Em sete dias, Senior Sistemas faz segunda aquisição e paga R$ 29 milhões pela Hypnobox

Mais na Exame