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Coworking jurídico chega ao Brasil com investimento de R$ 3 mi

A empresa argentina aposta em espaços compartilhados por advogados e acredita em um networking mais eficaz do que em coworkings que não sejam de nicho

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Law Works: Leo Fischer e Benjamín Muñoz lideram expansão da empresa para o Brasil (Law Works/Divulgação)

Law Works: Leo Fischer e Benjamín Muñoz lideram expansão da empresa para o Brasil (Law Works/Divulgação)

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Lucas Agrela

Publicado em 16 de agosto de 2021, 12h45.

Última atualização em 20 de agosto de 2021, 11h10.

Os espaços compartilhados de trabalho, chamados coworkings, são locais que reúnem todo tipo de profissional e podem promover encontros que se transformam em negócios. Diferentemente do padrão amplo adotado por empresas do ramo, a argentina Law Works é um coworking do nicho jurídico que acaba de chegar ao Brasil. Com investimento inicial de 3 milhões de reais, a empresa tem um espaço de 750m² no coração do Jardim Europa e próximo da Avenida Faria Lima, em São Paulo.

A Law Works abriu sua primeira unidade em 2018, em Buenos Aires, e conta com 100 membros ativos, o que representa a sua ocupação máxima. Agora, a empresa expande a operação para o mercado brasileiro com grandes ambições.

“Como advogado, eu percebi que os coworkings não eram adequados para o trabalho jurídico. Nossos clientes nos trazem informações e problemas que são sigilosos, seja em um divórcio, em um processo trabalhista. Os coworkings tradicionais não estão de acordo com esse tipo de profissional”, afirma Benjamín Muñoz, fundador da Law Works, em entrevista para a EXAME.

A escolha de São Paulo como primeira cidade da sua expansão internacional se dá por dois motivos principais: o município abriga 30% dos mais de 1 milhão de advogados do Brasil e o país foi onde Muñoz estudou e conheceu parceiros de negócios.

Sócio da Law Works, Leo Fischer conta que a empresa investiu em sistemas de segurança da internet para garantir o sigilo das informações trocadas por advogados e clientes. A companhia oferece duas modalidades de assinatura digitais, que dão acesso a secretários e endereço fiscal (a depender do plano), bem como a contratação de estações fixas de trabalho.

Como não há limite de espaço físico, os planos virtuais devem ser os principais vetores de crescimento da empresa, que prevê faturamento de 2,5 milhões de reais no primeiro ano de operação no Brasil e almeja dobrar o valor no segundo ano. O plano mais básico é de 350 reais ao mês. Segundo Fischer, a empresa não requer cumprimento de aviso prévio para desligamento, nem multas de rescisão.

“Queremos ser flexíveis para ajudar nos custos e aumentar a produtividade dos nossos clientes, sem que eles precisem se preocupar com o aparelho de ar-condicionado ou com o funcionamento da impressora”, diz Fischer para a EXAME.

A ambição da empresa é a internacionalização. No ano que vem, a Law Works prevê a inauguração de uma unidade na Avenida Paulista e outra na Cidade do México.

“No Brasil, a tendência é que os advogados sejam cada vez mais especialistas em determinadas áreas. Se todas as pessoas especializadas em diferentes áreas estiverem no mesmo lugar, todos ganham. Essa é a nossa proposta colaborativa e associativa”, declara Fischer.

Além de advogados independentes e escritórios de advocacia, a Law Works também mira nas legaltechs, as startups do direito que usam tecnologia para desburocratizar ou acelerar processos jurídicos.

Mesmo com a pandemia de covid-19, os coworkings têm crescido no mundo. De acordo com a consultoria ResearchAndMarkets.com, o setor teve faturamento global de 7,97 bilhões de dólares em 2020 e deve fechar 2021 com 8,14 bilhões de dólares. Em 2025, a consultoria estima que o número chegará a 13 bilhões de dólares. O relatório mais recente sobre o tema aponta que os serviços jurídicos são o segundo tipo de negócio mais comum em coworkings, atrás apenas dos serviços financeiros.

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