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Como um jovem de 18 anos criou uma startup de revenda de ingressos que movimenta R$ 100 milhões

Com R$ 100 milhões em vendas em dois anos, plataforma cresce 138% e aposta em tecnologia e operação própria para ganhar escala

Angelo Bimbato, CEO da BuyTicket: “A gente assume responsabilidade pela transação”

Angelo Bimbato, CEO da BuyTicket: “A gente assume responsabilidade pela transação”

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 13 de abril de 2026 às 06h00.

Última atualização em 13 de abril de 2026 às 15h18.

Golpes, cambistas digitais e ingressos falsos são problemas antigos e ainda sem solução clara no mercado de eventos. Ao mesmo tempo, a demanda por shows, festivais e experiências ao vivo nunca foi tão alta.

Uma startup brasileira decidiu entrar nesse espaço com a promessa de segurança total na compra de ingressos. Criada em 2023, a BuyTicket já movimentou 100 milhões de reais em vendas e projeta chegar a 120 milhões em 2026, após crescer 138,3% em 2025.

A empresa tenta resolver um problema estrutural do setor de eventos no Brasil: a falta de confiança no mercado secundário de ingressos.

“Queremos garantir que o cliente compre com segurança, sem risco de fraude, em um mercado que sempre foi vulnerável”, afirma Angelo Bimbato.

O empreendedor tinha apenas 18 anos quando criou a BuyTicket. A ideia era unir tecnologia com o interesse por entretenimento e eventos. Ele aproveitou os shows do RBD e da Taylor Swift no Brasil para se posicionar no mercado de revenda de ingressos.

Três anos depois, o próximo passo é escalar mantendo esse diferencial — o que, no setor, costuma ser o principal ponto de ruptura.

Um mercado grande e com dor clara

O mercado de revenda de ingressos já é consolidado fora do Brasil e altamente competitivo.

Nos Estados Unidos, plataformas como a SeatGeek ajudaram a estruturar o setor, criando um mercado secundário que movimenta bilhões de dólares por ano.

Estimativas da indústria apontam que só a revenda de ingressos nos EUA supera US$ 15 bilhões anuais, impulsionada pela força de ligas esportivas, turnês globais e grandes festivais.

A SeatGeek, inclusive, acessou o mercado de capitais por meio de uma fusão com uma SPAC, movimento que reforçou o interesse de investidores em plataformas que combinam tecnologia, dados e experiência do consumidor.

É nesse cenário que a BuyTicket tenta se posicionar.

A estratégia não é competir diretamente em escala global neste momento, mas adaptar o modelo ao contexto brasileiro, onde o mercado secundário ainda é menos estruturado e mais suscetível a fraudes.

“Existe um espaço grande para soluções locais, que entendam o consumidor e ofereçam mais segurança”, afirma Bimbato.

No Brasil, esse cenário se intensifica com o crescimento de grandes eventos e a rápida venda de ingressos oficiais.

Como resultado, o consumidores migram para o mercado secundário, muitas vezes sem garantia de autenticidade.

Desde a fundação, a BuyTicket já transacionou mais de 180 mil ingressos e construiu uma base de 400 mil usuários cadastrados.

O modelo: marketplace com controle

Na prática, a BuyTicket opera como um marketplace de revenda. Mas, diferente de modelos tradicionais, tenta controlar todas as etapas críticas da transação.

Todos os ingressos passam por verificação antes de serem disponibilizados na plataforma. A empresa utiliza tecnologia própria e processos de checagem para validar autenticidade e rastreabilidade.

O diferencial está na combinação entre tecnologia e operação.

Além da validação, a empresa acompanha a jornada até a entrega final do ingresso, que ocorre entre 24 e 48 horas antes do evento.

Caso haja qualquer problema, a plataforma garante reembolso ao cliente.

“Não é só intermediar a venda. A gente assume responsabilidade pela transação”, afirma o CEO.

Se em outros marketplaces o diferencial está em preço ou volume, aqui a aposta é em confiança.

A empresa afirma ter realizado 100% das transações sem registros de golpes, dado relevante em um setor historicamente exposto a fraudes.

Outro elemento é o atendimento.

Para compras de maior valor, a empresa oferece um serviço de concierge, com suporte humano em todas as etapas,  da escolha do ingresso até o acesso ao evento.

“Estamos lidando com experiências únicas. O cliente precisa de segurança e também de acompanhamento”, afirma Bimbato.

Crescimento puxado por eventos

A estratégia de crescimento passa por estar presente onde a demanda está.

A empresa já atua na revenda de ingressos para grandes festivais, como Rock in Rio, Lollapalooza e The Town, além de eventos esportivos internacionais.

Datas específicas também têm peso relevante.

No Carnaval, por exemplo, a plataforma movimentou 17 milhões de reais em vendas, indicativo da força da demanda concentrada em poucos períodos do ano.

Para ampliar presença nesses momentos, a startup criou um fundo interno de 7 milhões de reais voltado a patrocínios e ativações em eventos.

A ideia é reforçar marca e capturar público no momento de maior intenção de compra.

Escalar sem perder controle

O principal desafio agora é crescer sem perder o diferencial.

Marketplaces tendem a ganhar escala reduzindo controle — o que, neste caso, pode comprometer a proposta central da empresa.

Para sustentar o crescimento, a BuyTicket ampliou o time em 35% e reforçou áreas estratégicas, principalmente operação e atendimento.

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