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Como um fracasso virou o JAH Açaí, uma marca global de R$ 160 milhões

Após perder R$ 500 mil com outra franquia, Rafael Corte criou uma rede de açaí que tem o ator Caio Castro como sócio além de lojas no Brasil, Alemanha e Portugal. A meta agora é vender na América Latina

Diego Dutra, Caio Castro e Rafael Corte, sócios do JAH: de Minas para o mundo (Divulgação/Divulgação)

Diego Dutra, Caio Castro e Rafael Corte, sócios do JAH: de Minas para o mundo (Divulgação/Divulgação)

Isadora Aires
Isadora Aires

Freelancer

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 11h33.

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Abrir uma franquia costuma ser vendido como atalho para empreender. Para Rafael Corte, foi quase o fim da linha. Em 2013, ele perdeu dinheiro e tempo ao comprar uma master franquia de paleta mexicana que não entregou suporte nem modelo de negócio viável.

A experiência moldou cada decisão que viria depois — inclusive a mais recente: levar o JAH Açaí, Sorvetes e Picolés para o continente europeu.

A rede mineira, que nasceu em Conselheiro Lafaiete, hoje soma cerca de 180 unidades no Brasil e iniciou sua expansão internacional. A empresa tem como sócios Rafael Corte, Diego Santana e Caio Castro, ator, piloto e empresário brasileiro, além de outras participações minoritárias.

A história importa agora porque o JAH abriu a primeira loja fora do país em Düsseldorf, na Alemanha, e inaugurou uma unidade em Portugal no mês de dezembro. Não foi um salto impulsivo. Foi o oposto do que quase quebrou o atual CEO no passado.

“Eu sei tudo o que um franqueador não pode fazer”, afirma Rafael Corte.

De acordo com ele, o futuro da rede passa por crescer menos do que o mercado espera — e melhor do que o franqueado costuma receber.

O fracasso que virou manual do que não repetir

Formado em engenharia de produção pela UFSCar, Corte seguiu o roteiro clássico do alto executivo. Trabalhou em Embraer, Shell, Monsanto e Raízen. Aos 26 anos, decidiu empreender sem ter experiência prática. 

Em 2013, Rafael Corte investiu R$ 500 mil na compra de uma master franquia de paleta mexicana e montou uma fábrica em Minas Gerais sem suporte da franqueadora. 

“Empreender não é racional. Se fosse, ninguém empreendia”, afirma. O negócio ruiu por três razões, segundo ele: produto que não sustentava rede, franqueadora sem entrega e total inexperiência na execução.

“No corporativo, você cuida de uma conta de chegada. No empreendedorismo, todo dia o caixa zera”, explica.

Endividado, Corte decidiu não voltar para São Paulo quando a família interrompeu os aportes. Comprou freezers, criou outra marca e passou a vender picolé de porta em porta. Foi nesse processo que encontrou duas lojas de açaí que mudaram o rumo da história. Elas pertenciam a Diego Santana, eletricista que havia fundado o JAH em 2009 para mudar de vida.

“Eu não sabia o que precisava fazer para franquear, mas sabia tudo o que não podia”, diz Corte. A sociedade nasceu em 2014. Diego ficou na frente comercial. Rafael, na retaguarda de gestão.

Crescer menos para errar menos

Hoje, o JAH tem duas lojas próprias, cerca de 178 franqueadas, outras 20 em processo de abertura e duas fábricas — Sorocaba (SP) e Belo Horizonte (MG).

São 70 funcionários diretos e cerca de 800 pessoas trabalhando nas lojas. A empresa nunca recebeu aporte. “A gente prefere manter o controle das decisões”, afirma Corte.

O faturamento estimado é de R$ 160 milhões em 2025, com projeção de R$ 210 milhões em 2026. O plano é abrir cerca de 50 novas unidades no Brasil no próximo ano. Fora do país, a estratégia é testar antes de acelerar.

“Outro país não é simplesmente outra loja. É outra cultura, outra lei, outro hábito”, afirma Corte. A primeira unidade internacional foi aberta na Alemanha, um mercado que ele descreve como culturalmente distante do padrão brasileiro. Portugal foi o passo mais recente da expansão, e a empresa já tem contratos assinados no Chile e na Espanha.

O produto é o centro da estratégia. O JAH usa entre 50% e 60% de polpa de açaí, acima da média do mercado, segundo a empresa, e não trabalha com corantes ou aromatizantes artificiais. O desafio é comunicar valor em um modelo self-service.

“A gente precisa provar qualidade sem alguém espatulando o produto”, diz. Ainda assim, Corte evita a corrida por número de lojas. “A gente não fala em ter mais lojas. Fala em ter melhores lojas.”

Há também a narrativa do açaí como ativo brasileiro. Em 2024, o Brasil produziu quase 2 milhões de toneladas do fruto, com o Pará respondendo por 93% do total, segundo o IBGE.

As exportações do estado somam cerca de 61 mil toneladas ao ano, com faturamento próximo de 45 milhões de dólares. “O açaí mantém a floresta em pé”, afirma Corte.

“O mundo espera que uma empresa de açaí venha do Brasil.”

O JAH quer ser essa empresa.

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