Como os brasileiros vão gastar no Natal – e por que roupas são preferidas

Ao contrário da Black Friday, onde celulares são os mais procurados, a maior parte dos brasileiros tem intenção de comprar roupas neste fim de ano

A três dias do Natal, muitos brasileiros já compraram seus presentes, mas as compras não devem parar tão cedo. Até o dia 25 de dezembro, oito em cada dez brasileiros devem presentear alguém no Natal, o equivalente a cerca de 120 milhões de brasileiros que já foram ou ainda devem ir às compras neste fim de ano.

A data mais importante do ano no varejo deve movimentar neste ano 60 bilhões de reais na economia brasileira, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

A intenção de comprar presentes aparece em diferentes faixas de renda. Um estudo da Radar Pesquisas que ouviu 800 pessoas no Brasil mostrou que consumidores da classe C devem comprar, em média, cinco presentes, ante sete presentes da classe B e nove da classe A. Cada um deles deve custar menos de 150 reais em média, segundo o estudo da CNDL/SPC -- o pagamento à vista deve ser usado pela maioria, 72%.

No geral, a regra é fazer uma compra mais antecipada: cerca de 70% de quem pretende presentear já comprou os presentes em novembro ou no começo de dezembro. Mas o grupo dos atrasados ainda representa cerca de 13,2 milhões de pessoas (cerca de 10% dos que têm intenção de presentear alguém), que devem fazer compras natalinas a poucos dias da data, segundo um outro estudo da CNDL/SPC. Metade deles (48%) espera encontrar promoções ao fazer as compras de última hora, e por isso opta por esse período.

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Shopping em Brasília: espaços serão opção para os mais de 13 milhões de brasileiros que vão comprar presentes de última hora (Valter Campanato/Agência Brasil)

Natal vs. Black Friday

No comércio eletrônico, no período de pouco mais de um mês que antecede o Natal, as vendas devem totalizar 13,5 bilhões de reais, alta de 24% em relação ao ano passado, segundo a empresa de inteligência de dados do e-commerce Compra&Confie. O estudo considera o período entre 15 de novembro e 24 de dezembro. Nesta janela, serão cerca de 30,3 milhões de pedidos realizados.

O ticket médio previsto nas compras pela internet é de 445 reais, um pouco menor que o ticket de 634 reais na Black Friday deste ano. A Black Friday 2019 teve 3,9 bilhões de reais em vendas na sexta-feira 29 e no sábado 30 (alta de 31% ante o ano passado), segundo as projeções da Compre&Confie.

Para quem não se programou o suficiente para que a compra online chegue em tempo -- na Black Friday, a média de prazo de entrega prometido foi de 18 dias --, boa parte deve se dirigir a opções em lojas físicas, como os shopping centers, cujas vendas devem crescer em 10% neste ano na comparação com 2018, segundo pesquisa da Abrasce, associação do setor. Na Black Friday, as vendas do setor já cresceram 19,5%.

Metade dos consumidores (51%) comprarão somente em lojas físicas e 22% comprarão somente online, segundo uma pesquisa online feita pelo Google com 1.500 pessoas em dezembro.

O estudo também mostrou que continuaram ganhando espaço no Natal os chamados consumidores multicanal, ou seja, que compram em lojas físicas e online (como usando a opção de retirar na loja) e que vão representar 27% do total neste Natal. A opção de retirar o produto na loja ou em pontos de coleta deve ser usada por mais de um terço dos entrevistados, que vão usar vantagens como frete grátis ou prazo de entrega menor oferecidos pelas varejistas nesta modalidade de compra.

De olho nas roupas

Enquanto na Black Friday a maior parte das compras se resume a eletrônicos e itens de informática (mais de 70% das pessoas compram esses itens, segundo a Compre&Confie), no Natal o perfil de compra é um pouco diferente.

Um estudo da Hello Research que ouviu 1.232 pessoas em 75 municípios aponta que, dentre os produtos que os brasileiros planejam comprar, as roupas aparecem em primeiro lugar. Cerca de 42% dos entrevistados esperam comprar roupas. Em seguida estão brinquedos brinquedos (19%), perfumes e cosméticos (18%) e calçados (14%). Os smartphones, campeões de vendas na Black Friday, aparecem apenas em sexto lugar dentre as maiores intenções de compra no natal, com 12%.

O estudo do Google chegou a conclusão parecida: quase metade (41%) dos entrevistados esperam comprar roupas, sapatos, acessórias ou jóias/bijuterias. Em seguida vêm brinquedos ou produtos infantis (27%), perfumes ou cosméticos (22%), livros, chocolates, flores e vinhos (22%) e eletrônicos ou eletrodomésticos (22%). Cerca de 10% ainda pretende dar um vale presente.

Na mesma linha, um levantamento da empresa de inteligência Stilingue monitorou cerca de 20.000 publicações na rede social Twitter após a Black Friday, com comentários sobre presentes de natal, e chegou à uma conclusão parecida sobre o predomínio das roupas no período. Uma em cada quatro postagens (cerca de 25%, ou 4.000 postagens) falava sobre roupas. Em segunda lugar veio entretenimento, com publicações sobre Netflix, filmes e amigo secreto. Em seguida vieram, na sequência, doces, celular, livros, casa e móveis, acessório, beleza e perfumaria, bebidas e calçados.

Existe um consenso no varejo de que, na Black Friday, é mais comum que as pessoas comprem presentes para elas próprias -- como celulares e eletrônicos -- e que, no Natal, deem presentes a amigos e familiares. A Compre&Confie aponta que só 6% dos entrevistados tinha como principal motivo para comprar na Black Friday a antecipação das compras de Natal.

Mas nem só de presente vive o Natal: o estudo do Google também mostrou que, embora 61% dos entrevistados planeje/ou faça absoluta questão de comprar itens para presentear, mais de 40% também deve comprar roupas ou sapatos novos para usar nas comemorações, enquanto 18% deve comprar perfume e maquiagem para o mesmo fim. Itens para a ceia ou decoração para a casa também estão na lista de compras, mostrando que, apesar do caráter natalino trazer os presentes à tona, a data também pode incentivar compras para os próprios consumidores.

Independentemente do presente, o fato é que as embalagens continuarão sendo um fator importante, mesmo na onda da redução do uso de plástico que marcou 2019. A Radar Pesquisas perguntou aos entrevistados sobre sustentabilidade, e 73% deles afirmaram que se incomodam com a quantidade de lixo gerada por embalagens nas festas de fim de ano. A maioria (77%) afirmou que elogiaria uma loja para amigos se o vendedor sugerisse "compartilhar as sacolas com outras lojas", diz o estudo. Por outro lado, a intenção e a prática são diferentes: pouco menos da metade (47%) abriria mão de uma decoração nos pacotes, ainda que isso gerasse economia de papel e fitas.

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