Como intriga familiar pode derreter império do queijo com receita anual de US$ 3,5 bilhões

A Leprino Foods é responsável por 85% do queijo para pizzas nos EUA e tem Domino’s, Pizza Hut, Little Caesars e Papa John’s como principais clientes
 (Foto de Joe Raedle/Getty Images/Divulgação)
(Foto de Joe Raedle/Getty Images/Divulgação)
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Marcos Bonfim

Publicado em 05/10/2022 às 13:09.

Última atualização em 05/10/2022 às 18:07.

A Leprino Foods, empresa familiar de mussarela que fornece a maior parte do queijo de pizza consumido nos Estados Unidos, enfrenta uma batalha judicial.

De um lado, está o recluso bilionário James Leprino, que não é fotografado em público desde 1978, e as suas filhas, que detém 75% das ações da companhia; e do outro, no campo minoritário, duas de suas sobrinhas, com 25% das ações.

Elas acusam os sócios majoritários de não oferecerem as mesmas condições aos minoritários. A Leprino, por sua vez, afirma o contrário.

O processo, iniciado em 2020, deve ir a julgamento no próximo dia 28 de novembro, em Denver, nos Estados Unidos.

Segundo a Forbes, o tribunal poderia até mesmo chegar à conclusão de dissolver a empresa, algo raro nas cortes.

O que sustenta a denúncia

Na acusação, Nancy e Mary Leprino, herdeiras de Mike Leprino, o irmão de James morto em 2018, alegam que o tio e as suas primas alavancaram a participação majoritária e votaram em bloco para administrar a empresa.

A movimentação garantiu maior recompensa financeira e deixou as acionistas minoritárias para trás. Mike teve uma terceira filha, Laura, que não se uniu às irmãs no processo.

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A denúncia principal é sobre uma estratégia de 2017, quando o conselho da Leprino aprovou distribuição especial de dinheiro isento de impostos aos acionistas, resultado do processo de migração da designação fiscal de S-Corp para C-Corp.

Como o império do queijo foi construído

A Leprino Foods surgiu como uma mercearia, onde a família de imigrantes italianos fazia bolas de queijos para vender.

Em 1958, James Leprino assumiu os negócios e, percebendo que os seus amigos ficavam muito tempo nas pizzarias do bairro, viu uma oportunidade de expandir a operação.

O movimento casou com o surgimento de algumas das redes que se tornariam as maiores que temos atualmente.

Foi naquele período que surgiram Pizza Hut, em Kansas, depois a Little Caesars, em Detroit, e ainda a Domino's, em Michigan.

Com o passar do tempo, a Pizza Hut se tornou o maior cliente de Leprino. Em seu auge, na década de 1990, a companhia respondia por 90% das vendas da Leprino.

Atualmente, Domino’s, Pizza Hut, Little Caesars e Papa John’s puxam as demandas da empresa, que é responsável por 85% do queijo para pizza nos EUA. A companhia possui mais de 50 patentes e vende mais de 1 bilhão de libras de queijo por ano.

A Leprino é também conhecida por ser uma grande vendedora de soro de leite, subproduto de queijo usado em fórmulas infantis, shakes de proteína e itens de mercearia. Estima-se que a empresa familiar tenha uma receita anual de US$ 3,5 bilhões.

Já o bilionário tem uma fortuna estimada em US$ 1,9 bilhões.

O que aconteceu

À época, segundo o processo, a empresa pagou US$ 405 milhões a James e suas filhas e US$ 135 milhões às três filhas de Mike. E, na sequência, a família majoritária emprestou os mesmos US$ 405 milhões à companhia, com uma taxa de juro de 2,68% por 20 anos.

A transação, sustenta a denúncia, propicia recursos da ordem de US$ 28,3 milhões aos três anualmente, considerando o pagamento de parcelas do valor principal e os juros.

No processo, as sobrinhas do bilionário afirmam que foram mantidas fora do acordo e souberam apenas ao lerem o relatório financeiro anual da companhia. Há, no entanto, uma nota no processo que sugere que Nancy ouviu sobre o plano.

Historicamente, a Leprino Foods reinvestiu os lucros e raramente distribuiu dividendos oficiais a seus acionistas. Até por isso, as acionistas minoritárias dizem que a participação no acordo teria sido uma maneira de ganhar dinheiro adicional com a companhia no longo prazo.

Já a Leprino informou que, desde que as irmãs entraram como acionistas nos fundos em 2013, os minoritários receberam mais de US$ 250 milhões.

“Minhas clientes simplesmente querem ser tratados com justiça”, disse um advogado das acionistas minoritárias à Forbes. Os depoimentos de todos os envolvidos já foram concluídos.

Na batalha de argumentos, os acionistas majoritários afirmam que não se importam se o caso for a julgamento e dizem que o ato é apenas um caminho que as minoritárias encontraram para tentar forçar a compra de suas ações herdadas ou monetizá-las.

Como a empresa está no Brasil

No país, a Leprino chegou em 2017, quando adquiriu 49% da empresa láctea Picnic. Em 2020, assumiu o controle total da companhia, ao comprar a participação restante. Hoje, atua sob o nome Picnic Leprino.

Procurada, não se manifestou até o fechamento da matéria. Clientes como a Pizza Hut e Domino's também não se pronunciaram sobre o potencial impacto da batalha judicial nos negócios.

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