:format(webp))
Márcio Veiga, CEO da Atlas Eletrodomésticos: "“A renovação do portfólio faz parte de um planejamento de longo prazo" (Divulgação)
Freelancer em Negócios
Publicado em 12 de abril de 2026 às 08h06.
Última atualização em 13 de abril de 2026 às 08h02.
Após investir mais de R$ 30 milhões, a Atlas Eletrodomésticos tenta resolver um problema comum no setor: como crescer em um mercado em que os produtos parecem cada vez mais iguais — e a disputa de preço aperta.
A fabricante paranaense decidiu renovar todo o portfólio de fogões para ganhar diferenciação e sustentar o crescimento em 2026. A mudança veio da leitura de que apenas ampliar linha já não seria suficiente em um segmento pressionado por concorrência e margens mais estreitas.
O movimento acontece depois de um ano de expansão. Em 2025, a Atlas avançou em novas categorias, como airfryers e torradeiras, ampliou presença no Nordeste e atingiu R$ 2 bilhões em receita. Agora, a empresa tem uma meta de crescimento de cerca de 10%.
“Foi um movimento baseado em dados: olhamos para o que o consumidor realmente valoriza no uso do produto e traduzimos isso em melhorias práticas de desempenho, usabilidade e eficiência”, afirma Márcio Veiga, CEO da Atlas Eletrodomésticos.
Para 2026, a aposta é que a renovação, somada a novos lançamentos previstos para o segundo semestre, sustente o avanço da empresa em um cenário mais competitivo.
A história da Atlas começou em 1950, em Pato Branco, no sudoeste do Paraná, com a produção de fogões a lenha. “A empresa nasceu com a família Petrycoski, a partir da fabricação de fogões a lenha — uma solução comum no Sul do Brasil naquela época, tanto pelo clima quanto pelo acesso limitado ao gás”, diz Veiga.
A virada veio em 1988, com a entrada nos fogões a gás. Em 1996, a empresa adotou o nome Atlas, em um movimento para simplificar a marca e apoiar a expansão. “A mudança de nome foi importante para tornar a marca mais simples, acessível e fácil de ser reconhecida pelo consumidor”, afirma.
Décadas depois, novas decisões ampliaram o alcance. Em 2017, a companhia incorporou a Dako, marca voltada também a eletroportáteis. Em 2024, abriu uma fábrica em Recife (PE), reforçando a presença no Nordeste. No ano seguinte, diversificou o portfólio.
Em 2026, o foco mudou: em vez de ampliar categorias, a empresa decidiu revisar os produtos já existentes. Foram mais de R$ 30 milhões investidos na modernização industrial, com novas máquinas, ferramentas e adaptações fabris.
“A renovação do portfólio começou a ser desenhada há cerca de três anos, como parte de um planejamento estratégico de longo prazo da companhia”, diz o CEO.
A aposta inclui mudança de visual e incremento de funcionalidades dos produtos da marca e está no mercado desde janeiro de 2026.
“Ao longo dos anos, os produtos ficaram muito parecidos no mercado. Como líder, a Atlas dita essa referência, e a renovação vem justamente para romper essa padronização, com avanços em design, acabamento e a introdução de novas opções, como a cor titânio”, diz Veiga.
As inscrições para o Negócios em Expansão 2026 já estão abertas e são gratuitas! Inscreva-se e ganhe assinatura da EXAME e cursos da Saint Paul!
A Atlas utiliza ferramentas que transformam interações com consumidores — tanto da central de atendimento, que é 100% interna, quanto de reviews em redes sociais e na internet — em dados para orientar o desenvolvimento de produtos. A análise dessas informações, incluindo percepções sobre concorrentes, embasa decisões das equipes de design e engenharia.
A partir desses insights, a empresa implementou melhorias práticas nessa renovação, como o aumento das grades dos fogões para garantir mais estabilidade às panelas, uma das principais queixas dos consumidores.
A companhia mantém uma estratégia de segmentação entre marcas, com a Atlas focada na entrada e a Dako no segmento premium, ao mesmo tempo em que busca elevar o nível dos produtos mais acessíveis com atributos antes restritos às linhas superiores.
A principal preocupação dos clientes com a notícia da mudança esteve na execução da transição, com a necessidade de substituir uma parcela relevante do portfólio sem comprometer o abastecimento. “Cumprimos o cronograma e o retorno inicial tem sido bastante positivo, com boa aceitação do varejo e percepção clara de diferenciação dos produtos em relação aos concorrentes”, diz.
A expansão da Atlas passa pelo fortalecimento regional, com foco no Nordeste. A fábrica de Recife começou com uma operação dependente de Pato Branco, mas a meta é ganhar autonomia ao longo de 2026, com produção local de componentes.
“O Nordeste é uma região muito relevante para o setor e, com a pressão dos custos de transporte, fazia sentido estruturar uma operação local”, afirma o CEO.
Além de garantir a independência da fábrica do Nordeste, a Atlas está expandindo a unidade de Pato Branco que passará a ter 30.000 metros quadrados. Para o segundo semestre, também deve lançar novos produtos, que impactam na diferenciação da marca.
A empresa já atua no comércio internacional, exportando para cerca de 20 países. No entanto, a empresa lida com o desafio de competir com produtos chineses, que têm custo mais baixo. “Apesar disso, estamos crescendo principalmente na América do Sul, onde queremos nos consolidar como referência no segmento”, diz.
Com as estratégias, o objetivo é crescer 10% em 2026. “A empresa não está olhando só para o curto prazo; os investimentos são pensados para os próximos anos, com o objetivo de chegar ao centenário ainda mais forte”, afirma Veiga.
Você gostaria de receber uma mentoria gratuita com um grande empresário brasileiro? Inscreva-se no Choque de Gestão.

Khozema Shipchandler, comandante da gigante de tecnologia Twilio, afirma que longas jornadas e sacrifícios intransigentes são os verdadeiros divisores de águas no topo do mercado corporativo
Com Luciano Huck, Natalia Beauty, Rony Meisler, Chef Ju Lima e Alfredo Soares, empresa vai transformar campanha em conteúdo, educação e experiências para empreendedores
Plataforma brasileira de CRM muda de nome, investe R$ 10 milhões em tecnologia e quer transformar conversas no WhatsApp em motor de vendas para empresas
Aplicativo de vídeos curtos já alcança mais de 60% da população brasileira e pode ter movimentado até R$ 37,3 bilhões na economia do país