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Com projetos de decoração 80% mais baratos, La Decora recebe R$ 650 mil

Fundada em 2016, a La Decora é uma startup de decoração online e atende, por mês, 150 clientes. Meta é chegar a 500 projetos mensalmente e expandir internacionalmente

Por Luciana Lima
Publicado em 18/05/2022 16:06
Última atualização em 18/05/2022 16:52

Tempo de Leitura: 4 min de leitura

A La Decora, startup de projetos de decoração on-line, acaba de anunciar que recebeu um aporte de R$ 650 mil liderado pela empresa de venture capital Potato Valley. A rodada de investimentos, a primeira da startup desde a sua fundação em 2016, ainda contou com o fundo Captal. 

Com a quantia, a startup pretende aumentar o time, que hoje conta com 15 pessoas, e melhorar o algoritmo recomendador de produtos da plataforma. Um dos diferenciais da La Decora é, justamente, utilizar tecnologia para tornar os projetos de decoração mais rápidos e até 80% mais baratos. 

Para isso, a startup digitalizou processos como coleta de dados dos clientes e briefing dos arquitetos. O próximo passo será aperfeiçoar o algoritmo que, com base nas informações dos clientes, sugere os possíveis móveis que irão compor o projeto de decoração

“Quando criamos a La Decora entendemos que os clientes não estavam dispostos a pagar de R$ 15 mil a R$ 20 mil em um projeto de decoração”, diz Gabriela Accorsi, diretora de operações e co-fundadora da La Decora. 

“Para baratear esse serviço vimos que era preciso reduzir o tempo do arquiteto com atividades manuais e otimizar o processo de decisão. Então, usamos tecnologia para reduzir de 24 para 2 horas a produção de um projeto”, completa Gabriela. 

Com o algoritmo seletor de imóveis mais aperfeiçoado, a ideia é ganhar ainda mais eficiência. “Hoje o nosso maior gargalo é a escolha de móveis que, só na nossa plataforma, são cerca de 15 mil cadastrados. Já soltamos algumas versões de teste, mas a ideia é investir em tecnologia para facilitar o trabalhos dos nossos arquitetos nessa fase”, diz Guilherme Hathy, sócio e diretor de tecnologia da startup. 

Planos para o futuro

Fundada em 2016 pelas arquitetas Luciana Mendes e Gabriela Accorsi, a La Decora entrega, hoje, 150 projetos de decoração por mês. E, até agora, cresceu com recursos próprios das fundadoras, o chamado bootstrapping. “Quando eu parei de contar, havíamos investido cerca de R$ 700 mil”, brinca Luciana.  

A empreendedora conta que a ideia da startup surgiu em 2015, após ver uma pesquisa indicando que 85% das pessoas que haviam construído ou reformado naquele ano haviam feito o projeto sem a ajuda de um profissional. Porém, 70% delas contratariam um projeto se eles fossem mais baratos.

Na época, Luciana estava voltando da licença-maternidade e, no auge da crise econômica, enfrentava dificuldades para se recolocar no mercado de arquitetura de alto padrão, com o qual atuava. Com a inspiração de tornar a arquitetura mais acessível, juntou-se com Gabriela e fundaram a startup.  

Desde então, a La Decora pivotou algumas vezes até encontrar na tecnologia o caminho para baratear os projetos de arquitetura. “No início pensávamos que, para otimizar o custo, era preciso fazer briefings mais curtos e economizar nesse tempo. Mas deu tudo errado, os projetos chegavam e não era nada que o cliente queria e tínhamos que refazer do zero”, diz Luciana.  

Nos últimos anos, a La Decora abriu mais uma frente de negócios, focada no público B2B. Por meio de plataformas white labels, que podem ser personalizadas, lojas de decoração, construtoras e imobiliárias contratam a tecnologia da La Decora para oferecer serviços de decoração online. Hoje, são mais de 16 clientes do segmento, como Tok & Stok e Remax. 

“Uma pessoa que reforma a casa hoje, vai reformar de novo só daqui a dez anos. Recebíamos muitos pedidos de parceiros para realizar esse trabalho e, então, vimos que era uma forma de ganhar escala”, diz Gabriela. 

Com metas ambiciosas, os empreendedores já estão de olho na próxima rodada de investimentos. Até 2023, a meta é crescer 365% e chegar a 500 projetos por mês. Fora isso, também há planos para iniciar uma operação internacional.

“Os Estados Unidos são um mercado bem mais avançado, a Europa também vem se destacando… estamos olhando algumas regiões pensando nessa internacionalização”, finaliza Gabriela.


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