Com a compra da Comgás, Cosan pode melhorar margem

Porém, diversificar demais pode ser prejudicial à companhia, aponta analista

São Paulo – Depois da Cosan ter confirmado hoje a compra da Comgás por 1,8 bilhão de dólares, informação antecipada pela coluna Primeiro Lugar da Revista EXAME, paira no ar uma dúvida no mercado: qual a vantagem de investir nesse negócio?

Com a compra da Comgás, a Cosan pode começar a atuar em toda a cadeia de seu negócio, com sua operação de açúcar e álcool, combustível, distribuição e postos de gasolina – negócios ainda mais alancados depois da criação da Raízen, com a Shell, em fevereiro do ano passado. A estreia na área de gás seria mais um segmento complementar.

“A margem da Comgás também é maior do que a do Cosan hoje, o que significaria uma melhora de geração de caixa operacional da companhia a longo prazo”, afirma Erick Scott, analista da corretora SLW. Enquanto a margem ebitda da Comgás historicamente gira em acima de 20%, a da Cosan no último trimestre ficou em 7,8%.

A compra ainda traz uma vantagem prática. “Estimamos que o preço pago pela Comgás foi baixo por uma empresa que vale o dobro atualmente”, diz Scott.

O acionista controlador da Comgás era a Integral Investments, ligado ao Grupo British Gás (BG), sediado em Londres, que possui 60,1% do capital da companhia. Os demais acionistas da Comgás são a Shell, que possui 18,1%, e investidores públicos, através de uma cotação na Bolsa de São Paulo.

Mais diversidade e mais dívida

Por outro lado, para fazer a aquisição a Cosan teve de aumentar sua dívida líquida de 2,6 bilhões de reais antes da transação. Sem esquecer que a Cosan fez uma aquisição recente, no final de fevereiro, de 5,67% em ações da América Latina Logística (ALL) por 896,5 milhões de reais.

“A empresa está alavancada e sempre foi ousada em sua maneira de atuar. Mas diversificar suas operações pode deixar a Cosan afastada demais do que ela sabe fazer melhor, que é atuar no setor de açúcar e álcool”, diz Scott.

Os primeiros resultados da operação da Comgás sob controle da Cosan devem aparecer daqui a cerca de três anos, estima o analista.

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