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Cidade mais alemã do Brasil aposta na hospitalidade e atrai R$ 208 milhões

Empreendimento terá cerca de 30 mil metros quadrados de área construída e uma rua coberta 24 horas, sem deixar de integrar-se às caracterísiticas arquitetônicas do município

Maicon Joner, sócio da Joner Empreendimentos (Divulgação)

Maicon Joner, sócio da Joner Empreendimentos (Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 13h53.

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Pomerode, município localizado no Médio Vale Catarinense, orgulha-se de ostentar o título de cidade mais alemã do Brasil. Conhecida nacionalmente pelo casario em estilo enxaimel e pela preservação da cultura germânica, a cidade recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano, mas ainda convive com uma oferta limitada de hospedagem.

Eventos como a Festa Pomerana, a Osterfest e o Festival Gastronômico ampliam a pressão sobre a infraestrutura local e evidenciam um gargalo histórico: muitos turistas precisam buscar estadia em municípios vizinhos, como Blumenau, Timbó e Indaial.

Nesse cenário, surge a pergunta: como receber com conforto e qualidade tanta gente que chega para visitar a cidade? A gerente financeira Gisele Anacleto do Nascimento sentiu na pele a carência de hospedagem. Corredora amadora de Itajaí, ela participa todo mês de outubro da Maratona de Pomerode, mais uma atração do efervescente calendário turístico pomerodense.

Para resolver o problema, se organizou. Com um ano de antecedência, reservou e já deixou paga a estadia para a prova do ano que vem. “Tem muita gente que conheço que deixa pra reservar um mês antes e nunca consegue”, diz.

É nesse contexto que surge o Linden, empreendimento voltado à hospitalidade e aos serviços, lançado no fim de 2025 e já com Registro de Incorporação aprovado. Localizado próximo ao centro histórico e ao parque da Festa Pomerana, o complexo é planejado com duas torres de seis pavimentos, somando 280 unidades — 230 lofts e 50 apartamentos —, com entrega prevista para 2029.

O investimento total do projeto chega a R$ 208 milhões, sendo que R$ 112 milhões correspondem ao custo direto de construção da estrutura física. O Valor Geral de Vendas (VGV) estimado é de R$ 175 milhões.

Com cerca de 30 mil metros quadrados de área construída, o Linden é concebido como um projeto multinegócios. Além das unidades residenciais voltadas à locação e à hospedagem, o empreendimento inclui áreas de lazer, serviços e um eixo comercial integrado, ampliando o tempo de permanência do visitante e estimulando o consumo local.

O complexo multinegócios terá duas torres de seis pavimentos, sendo 230 lofts e 50 apartamentos (Divulgação)

Um dos diferenciais do projeto é o Passeio Linden, uma rua coberta entre as torres, com cobertura retrátil, que reúne 34 operações comerciais, incluindo lojas, restaurantes, cafés, mercado, lavanderia 24 horas e um palco multicultural voltado à difusão da cultura local. O complexo prevê ainda mais de 400 vagas de estacionamento, atacando um dos principais gargalos urbanos da cidade em períodos de pico turístico.

Responsável pelo projeto, a Joner Empreendimentos, que atua há 30 anos na região, aposta em um modelo que combina crescimento econômico e preservação cultural. Para o sócio Maicon Joner, o desafio é avançar sem descaracterizar o município. “Pomerode tem uma identidade muito forte. Segurança, tranquilidade e vida comunitária são ativos que não podem ser perdidos. O desenvolvimento precisa respeitar isso”, afirma.

A localização estratégica ajuda a explicar o interesse crescente por investimentos. A pouco mais de uma hora das praias catarinenses e a menos de 200 quilômetros de Curitiba, Pomerode reúne atributos que favorecem tanto o turismo de lazer quanto o de eventos e negócios. O reconhecimento internacional da Rota do Enxaimel, no bairro Testo Alto — considerada pela Organização das Nações Unidas um dos principais exemplos de preservação arquitetônica fora da Europa — reforça o apelo do destino.

Mudança de paradigma

Para o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Pomerode, Manfredo “Mani” Goede, o investimento reflete uma mudança de mentalidade. “O turismo deixou de ser apenas complementar e passou a ser tratado como vetor estratégico de desenvolvimento. Receber bem não é só uma questão cultural, é também uma decisão econômica”, afirma. Segundo ele, há interesse crescente de empresários de cidades como Joinville e Gramado em projetos voltados à hospitalidade no município.

Embora o turismo ganhe protagonismo, ele não é a única base econômica local. Pomerode mantém uma indústria diversificada, comércio organizado e presença de empresas de porte médio e multinacionais, o que impulsiona também o turismo corporativo. Soma-se a isso um calendário de eventos ativo, parques temáticos abertos o ano inteiro e roteiros de natureza e esporte, como o Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu, com cerca de 300 quilômetros de percurso por nove municípios.

A combinação desses fatores ajuda a explicar por que Pomerode entra em uma nova fase. Mais do que um destino associado às festas típicas, ao zoológico e à produção de cervejas artesanais, o município passa a estruturar o turismo como plataforma econômica integrada, capaz de gerar retorno financeiro, valor imobiliário e desenvolvimento urbano de forma contínua — sem abrir mão da identidade cultural que o transformou em um dos destinos mais singulares do Sul do Brasil.

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