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Montissi Resort terá 67 suítes e lago de aproximadamente 100 mil metros quadrados ocupa quase metade do complexo e será um dos principais elementos da paisagem (Philippe Debled/Divulgação)
Editor da Região Sul
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 07h30.
Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 14h59.
Com uma população de aproximadamente 3,5 mil habitantes, Rancho Queimado está se consolidando, rapidamente, em posição de destaque no mapa turístico de Santa Catarina. A cerca de 60 quilômetros de Florianópolis, a pequena cidade, que é a Capital Catarinense do Morango e também conhecida pelo frio e pelas casas de campo, atrai cada vez mais investimentos que contrastam com sua escala populacional — e ajudam a transformá-la na mais nova joia da coroa da Serra Catarinense.
Na próxima semana, dia 17/9, o Montissi Resort Spa & Golf será inaugurado em Rancho Queimado. O empreendimento recebeu investimento de aproximadamente R$ 120 milhões e terá 67 suítes em um complexo de cerca de 200 mil metros quadrados.
Desenvolvido pela Costa da Serra Incorporadora, o projeto começou a ser construído em janeiro de 2025 e será administrado pela Atrio, companhia com 38 anos de atuação, presença em 18 estados e mais de uma centena de propriedades sob gestão. A projeção é alcançar receita de aproximadamente R$ 22 milhões por ano, segundo dados apurados pela EXAME com exclusividade.
Outro grande projeto anunciado para o município, o Alpes Catarina, prevê investimento estimado em R$ 1,5 bilhão. Somados aos recursos aplicados no Montissi, os dois empreendimentos representam mais de R$ 1,6 bilhão entre capital já investido e investimentos projetados para a cidade.
O movimento, porém, vai além desses dois projetos. A gestão municipal anterior chegou a contabilizar 24 grandes empreendimentos em diferentes estágios de desenvolvimento em Rancho Queimado, reforçando a percepção de que o município entrou de vez no radar de investidores ligados ao turismo, à hotelaria e ao mercado imobiliário.
No caso do Alpes Catarina, o aporte ainda depende do avanço do empreendimento. O projeto está em fase de desenvolvimento e aguarda aprovação, sem cronograma público de implantação. A proposta prevê ocupar quase 800 mil metros quadrados com hotelaria de luxo, residências, gastronomia, comércio e áreas de lazer.Entre as principais atrações previstas está uma pista de esqui indoor, com cerca de 500 metros lineares.
É uma escala pouco usual para um município com aproximadamente 3,5 mil moradores.Parte da explicação está na geografia. Rancho Queimado combina clima de montanha, áreas rurais, vegetação e baixa densidade urbana com uma vantagem importante: a proximidade com a maior concentração populacional e empresarial de Santa Catarina.
O acesso pela BR-282 coloca o município a aproximadamente uma hora de Florianópolis, dependendo das condições de trânsito. Essa localização permite que Rancho Queimado dispute simultaneamente três mercados: turismo de curta duração, segunda residência e hospedagem de maior valor agregado.O movimento já aparece no mercado imobiliário.
Em julho deste ano, Rancho Queimado realizou pelo segundo ano consecutivo um Salão do Imóvel dedicado exclusivamente a propriedades do município. Segundo o CRECI-SC, há forte procura por casas e terrenos em condomínios fechados, acompanhando a valorização do destino.
O aluguel por temporada também ajuda a dimensionar esse mercado.Levantamento da plataforma Toordata identificou 174 propriedades ativas para locação de curta temporada em julho de 2025, com diária média próxima de R$ 1 mil. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, esses imóveis movimentaram cerca de R$ 36,4 milhões em receitas.
Os números reforçam a mudança de perfil. Rancho Queimado continua atraindo visitantes em busca de natureza, gastronomia e tranquilidade, mas começa a construir uma economia turística que vai além das tradicionais escapadas de fim de semana.
É nesse mercado que o Montissi pretende atuar. Um lago de aproximadamente 100 mil metros quadrados ocupa quase metade do complexo e será um dos principais elementos da paisagem. Ao redor dele estão concentradas as estruturas de hospedagem, gastronomia, esporte e bem-estar.
O resort terá campo de golfe, piscina aquecida, jacuzzi, sauna, spa, quadra de tênis, quadras poliesportivas e campo de futebol, além de duas brinquedotecas e playground.
“O resort foi concebido como destino final da viagem, e não como ponto de passagem”, afirma Régis Porazzi, gerente do Montissi.A aposta é fazer com que o hóspede permaneça mais tempo no empreendimento e encontre no próprio complexo opções de alimentação, lazer e bem-estar.
A gastronomia será uma dessas frentes. O restaurante Ember – Fogo e História, comandado pelo chef Iuri Jobim, terá cardápio inspirado nos produtos e sabores da região, com ingredientes como pinhão, truta, queijos serranos e vinhos de altitude. O empreendimento também contará com bar e adega.
No spa, a operação terá a presença da L'Occitane au Brésil.O Montissi também terá estrutura para eventos empresariais, confraternizações e celebrações, ampliando a operação para além do turismo de lazer e dos períodos tradicionais de maior movimento.
A infraestrutura viária também já entrou no radar do setor produtivo. Entre as obras consideradas prioritárias pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) para 2026 está a construção de uma passagem superior na BR-282, em Rancho Queimado, com investimento estimado em R$ 19,3 milhões. A rodovia é o principal eixo de ligação do município com a Grande Florianópolis.
O mercado de trabalho é outro ponto de atenção. Empreendimentos de hotelaria, gastronomia e serviços demandam profissionais em diferentes áreas em uma cidade com população reduzida, o que tende a ampliar a busca por trabalhadores nos municípios vizinhos e a necessidade de qualificação de mão de obra.
Apesar da nova escala dos projetos, Rancho Queimado mantém os atributos que construíram sua identidade turística.A cidade segue associada à produção de morangos, aos cafés coloniais, às vinícolas, às propriedades rurais e à paisagem serrana. O que começa a mudar é a escala econômica desses ativos.
De destino predominantemente rural e de segunda residência, Rancho Queimado passa a incorporar hotelaria estruturada, imóveis de maior padrão, gastronomia e projetos turísticos de grande porte.