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Café, coworking e sala de jogos: academia do Rio fatura R$ 40 milhões com mimos

Amin Ibrahim fundou a Lifefit, em 2013, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, com um empréstimo do pai. Em 2026, a rede projeta faturar R$ 150 milhões

Amin Ibrahim, fundador da Lifefit: “Nosso objetivo sempre foi oferecer acolhimento, não apenas preço" (Divulgação)

Amin Ibrahim, fundador da Lifefit: “Nosso objetivo sempre foi oferecer acolhimento, não apenas preço" (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 17 de março de 2026 às 09h48.

Última atualização em 19 de março de 2026 às 13h16.

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Com 21 anos, Amin Ibrahim decidiu abrir uma academia. “Um amigo me contou sobre uma academia que recebia mais de 2 mil alunos e pensei que era um negócio que dava dinheiro”, diz.

Ele fez um empréstimo com o pai e inaugurou a primeira Lifefit em 2013, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. O negócio, que começou com pouco conhecimento do setor, se transformou em uma rede de franquias que hoje fatura R$ 40 milhões.

Para 2026, a expectativa é chegar a R$ 150 milhões, impulsionada pela abertura de novas unidades e pela expansão do modelo de franquias.

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Do comércio familiar à primeira academia

Filho de comerciantes, Ibrahim teve contato com o empreendedorismo desde cedo. Ainda adolescente acompanhava o pai em viagens a São Paulo para comprar mercadorias para a loja da família e aprender a negociar. 

Com o tempo, no entanto, percebeu as dificuldades operacionais do varejo tradicional, marcado por controle de estoque e problemas logísticos. Foi então que decidiu buscar um novo caminho.

Para tirar o projeto da academia do papel, Ibrahim pegou um empréstimo de R$ 1 milhão com o pai. “Todo mês eu ia pagando ele. Fiquei cerca de quatro anos quitando o valor para conseguir finalizar aquela primeira unidade”, afirma.

Antes da inauguração, foram seis meses procurando o ponto e estruturando um plano de negócios. “Eu tinha uma noção básica de comércio, mas não entendia nada do ramo e não tinha consultoria nenhuma. Mesmo assim, meti as caras. Desenhei a Lifefit numa planilha de Excel — a logomarca, as salas, tudo”, diz.

A divulgação inicial foi feita com panfletagem e carro de som. “Eu e minha esposa fazíamos praticamente tudo: trocávamos lâmpada, atendíamos na recepção e cuidávamos do marketing.”

Já no primeiro ano de operação, a academia reunia diferentes serviços em um mesmo espaço. Além da musculação e da área de cardio, havia salas dedicadas a spinning e aulas coletivas. O local também abrigava uma lanchonete e espaços sublocados para serviços como estúdio de unhas e tatuagem.

Em seis meses, a unidade tinha mil alunos. “Nosso objetivo sempre foi oferecer acolhimento. Diferente das academias low cost, que entregam preço e agilidade.”

A virada do modelo de negócio

Em 2016, com o crescimento das redes low cost, o negócio começou a sentir a concorrência e Ibrahim decidiu dar o primeiro passo rumo à profissionalização. Ele ampliou o primeiro andar da unidade e contratou um arquiteto para padronizar os espaços.

Seis meses após a mudança, inaugurou a segunda unidade, em Mesquita, na Baixada Fluminense. No ano seguinte, vieram mais duas academias na Baixada Fluminense: Nova Iguaçu e Belford Roxo. “Em 2018 vendemos a nossa primeira franquia”, afirma.

A estruturação formal da franqueadora veio alguns anos depois, em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

“Foi ali que começamos a organizar melhor a operação, criando áreas financeira, administrativa e de recursos humanos. A rede já tinha oito unidades e não dava mais para crescer sem essa estrutura.”

Além da padronização das operações, o período também foi marcado por negociações de aluguel e reformas nas unidades existentes.

A retomada após a pandemia também marcou a consolidação do posicionamento da marca. Em vez de competir apenas por preço, a Lifefit passou a investir em experiência e serviços adicionais.

Sala de jogos com fliperama e totó faz parte dos “mimos” oferecidos pela Life Fit para melhorar a experiência dos alunos

Entre os diferenciais estão lounge para convivência, área de jogos com fliperama e totó, coworking e espaço para massagem. A academia também oferece café gratuito em parceria com a marca Três Corações.

“Enquanto muitas redes apostam em academias mais simples e lotadas, a Lifefit segue o caminho oposto: menos pessoas por metro quadrado, ticket médio mais alto e mais atendimento ao aluno”, diz Ibrahim.

O valor da assinatura varia de acordo com a localização da unidade, entre R$ 149 e R$ 349.

Expansão e franquias

Hoje a rede tem 21 unidades abertas e outras 15 em construção — todas no estado do Rio de Janeiro. O plano é  chegar a 100 unidades no estado até 2030.

O modelo de franquia exige investimento inicial a partir de cerca de R$ 3 milhões, considerando academias com pelo menos 1.000 metros quadrados, incluindo equipamentos, obra e capital de giro.

Antes de inaugurar uma nova unidade, a rede inicia um processo de pré-operação que inclui a contratação da equipe e a venda antecipada de assinaturas. "Em uma abertura recente vendemos 55 assinaturas na primeira hora, algo bem diferente de antigamente, quando abríamos a academia esperando os alunos aparecerem", diz.

Outro diferencial da rede está na negociação dos pontos comerciais. Segundo Ibrahim, a estratégia é garantir custos fixos mais baixos para manter o modelo de serviço com preço competitivo.

Novas frentes de crescimento

Hoje, a expansão da Lifefit se apoia em três frentes principais: franquias, novas unidades próprias e academias dentro de condomínios.

Para os condomínios, a empresa assume a gestão completa das áreas esportivas — incluindo musculação, quadras e piscinas — enquanto o condomínio paga pelo serviço oferecido aos moradores. Atualmente, a Lifefit administra esse modelo em oito locais. 

Além de ampliar o faturamento, oa estratégia fortalece a visibilidade da marca. Muitos desses empreendimentos reúnem entre 6 mil e 8 mil moradores, que passam a ter contato direto com a rede no dia a dia.

A empresa também investe em visibilidade no esporte. A rede participou da criação do novo centro de treinamento do Botafogo de Futebol e Regatas, que reúne academia, fisioterapia e áreas médicas integradas para os atletas do clube, todas recebendo o nome da marca. 

O contrato com o time foi renovado até 2035 e tem novas mudanças planejadas.“Estamos criando dentro do estádio uma estrutura que os jogadores poderão usar em dias de jogo. E o futebol feminino também vai receber o mesmo padrão de preparação física que o masculino tem hoje no CT.”

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