Leonardo Linden, CEO da Ipiranga: “O problema do mercado irregular sempre existiu, mas hoje ele está mais enraizado e mais difícil de combater” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 12h44.
Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 14h24.
O avanço do mercado ilegal de combustíveis tem provocado um impacto bilionário na economia brasileira e se consolidou como um dos principais entraves ao desenvolvimento do setor. Segundo Leonardo Linden, CEO da Ipiranga, o país perde cerca de R$ 30 bilhões por ano em razão de práticas irregulares que vão desde evasão fiscal até adulteração de produtos e descumprimento de regras ambientais.
“O problema do mercado irregular sempre existiu, mas hoje ele está mais enraizado e mais difícil de combater”, afirmou o executivo em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME. “Perde o Brasil. Perde o consumidor, perdem os estados e perde a federação com evasão fiscal.”
Com quase 90 anos de história, a Ipiranga movimenta números que mostram o peso do setor na economia nacional: são cerca de R$ 120 bilhões em faturamento anual, 24 bilhões de litros de combustíveis vendidos por ano, aproximadamente 6 mil postos espalhados pelo país e 1,5 milhão de abastecimentos diários. A companhia emprega diretamente cerca de 2.900 funcionários e opera uma das maiores estruturas logísticas privadas do Brasil.
De acordo com Linden, o país conta hoje com cerca de 160 distribuidoras de combustíveis, das quais aproximadamente 60 operariam fora das regras, segundo dados do Instituto Combustível Legal (ICL). Entre as irregularidades estão a evasão de tributos, a adulteração de produtos, a importação ilegal e o descumprimento de exigências regulatórias, como a mistura obrigatória de biocombustíveis.
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Na avaliação do CEO, a dificuldade de fazer valer a legislação cria um ambiente de concorrência desigual. Ele cita o programa RenovaBio como exemplo: enquanto grandes empresas investem centenas de milhões de reais por ano na compra e aposentadoria de créditos de descarbonização (CBIOs), outras seguem operando sem cumprir a obrigação.
“A Ipiranga investe pesado em infraestrutura, segurança e compliance. Temos 90 bases de distribuição, investimos cerca de R$ 100 milhões por ano em segurança e precisamos competir com empresas que não colocam um real nisso”, disse.
Para Linden, o avanço do mercado ilegal compromete não apenas a arrecadação e a competitividade do setor, mas também o futuro da transição energética no Brasil. “O país perde investimento, perde previsibilidade e enfraquece uma indústria estratégica. Combater o mercado ilegal é um desafio estrutural do Brasil, não apenas de uma empresa.”
Veja a entrevista completa de Leonardo Linden, CEO da Ipiranga no podcast "De frente com CEO", da EXAME: