De olho em mercado bilionário, Bossanova cria comitê e passa a investir em startups de games

Novo comitê Bossa Game Labs mira empresas ligadas ao mercado de games e reformula tese de investimentos do fundo de venture capital
Games: Bossanova amplia tese e passa a olhar para empresas e startups do setor (the_burtons/Getty Images)
Games: Bossanova amplia tese e passa a olhar para empresas e startups do setor (the_burtons/Getty Images)
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Maria Clara DiasPublicado em 07/09/2022 às 10:00.

Um imperativo no mercado de startups, o desejo de encontrar as melhores oportunidades de investimento desperta a atenção para as tendências mais proeminentes ligadas a tecnologias em ascensão. De olho nisso — e no potencial financeiro de alguns segmentos — o fundo de venture capital Bossanova Investimentos acaba de criar uma vertical totalmente dedicada à análise e investimentos em startups ligadas ao mercado de games.

Um novo comitê, chamado de Bossa Game Labs, tem como objetivo encontrar e investir em empresas do segmento, com um adicional de capacitação a empreendedores do setor e empresas em estágios iniciais. A projeção é investir e mentorar pelo menos 10 empresas nos próximos três anos.

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Por que a Bossanova vai investir no mercado de games

A abertura do leque para empresas do setor é uma novidade para a Bossanova, que desde 2011 não incluía em sua tese negócios com soluções destinadas exclusivamente ao mercado de games, ao governo, a lojas de e-commerce ou que necessitassem de investimento em hardware.

Em 2021, o mercado global de jogos eletrônicos movimentou cerca de US$ 180 bilhões, segundo a consultoria Newzoo. No Brasil, o total foi de US$ 2,3 bilhões. Em ritmo acelerado, o setor cresce algo como 8,5% globalmente, e 9% no Brasil.

Os grandes números chamaram a atenção da Bossanova, que tratou de não dispensar o potencial do segmento ao passar a aceitar empresas do setor no portfólio e também atrair investidores já interessados nesse universo.

Segundo Antonio Patrus, diretor da Bossanova, a percepção de que há potencial nesta vertical já vem de longa data. Faltava ao fundo, porém, um parceiro estratégico para pivotar essa análise mais azeitada de empresas de games. “Agora com um líder adequado, trazemos um mercado de alto potencial de forma eficiente e com oportunidades de coinvestir em empresas verdadeiramente promissoras”, diz.

“Não podíamos ignorar que os números positivos registrados nos últimos anos e a tendência cada vez maior de crescimento são consequências da evolução e da diversificação do mercado de games, tanto no Brasil como no mundo. Nos deparamos com um novo cenário e tomamos uma decisão baseada em dados”, afirma João Kepler, CEO e fundador da Bossanova.

Como vai funcionar o comitê de games da Bossanova

A intenção do fundo é investir em até 20 startups nos próximos três anos. Os cheques devem variar de R$100 mil a R$300 mil, podendo chegar a R$ 5 milhões.

“Somos o quinto maior consumidor de games do mundo, mas só o 12º em faturamento. Ou seja, consumimos, mas ainda criamos muito pouco nesse setor”, afirma Ricardo Fernandes, um dos líderes do comitê. “Esse é um mercado ainda pouco organizado no Brasil, se compararmos com o cenário geral de startups que temos aqui. O movimento que iniciamos busca impulsionar essas soluções para que se desenvolvam junto às outras áreas”, complementa.

Por trás dos cheques está também uma tese baseada na capacitação das empresas escolhidas e a conexão dessas companhias com parceiros estratégicos do mercado.

No caso de estúdios de games, por exemplo, a Bossanova pretende ampliar a conexão com publishers, responsáveis pela publicação e comercialização dos games, que mais se relacionam com a proposta do estúdio em si. Já para os publishers, companhias já com certa maturidade, o principal incentivo deve ser o financeiro. Nesta frente, a Bossanova deve conectá-los a fundos maiores e globais que podem ser os viabilizadores de rodadas futuras.

“A ideia é entender o que cada empresa necessita em suas diferentes fases de maturação e fazê-las chegar lá para fomentar este mercado no Brasil e não lá fora”, diz Ricardo Fernandes, líder do comitê.

Quem está por trás do comitê

À frente do recém-lançado comitê está o empreendedor Ricardo Fernandes, fundador da startup Legal Labs, vendida por US$ 26 milhões para a Neoway (empresa adquirida pela B3). Atualmente, Fernandes é também líder da Labs Capital,  fundo de investimento em startups, estúdios e empresas de mídia ligadas ao mercado de games. Além de Fernandes está Daniel Cambraia, também sócio fundador da Bluestone e da TDR Family Office.

A percepção de Fernandes é de que há um desequilíbrio entre os estágios de maturação do mercado de startups e de games no Brasil. “Enquanto um já está maduro e estruturado, o outro ainda engatinha e é muito baseado na perspectiva artística, dos criadores de games. Isso acaba repercutindo em uma migração de cérebros brasileiros para gigantes gringas”, diz. “Por isso nosso objetivo é fomentar e criar toda uma comunidade de games no Brasil. Assim retemos talentos”, diz.

O fundo, que começa com R$ 1,5 milhão, pode chegar a R$ 5 milhões nos próximos anos.

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