Bancos resgatam plano de contingência contra apagões em Londres

Os bancos estão realizando conversas conjuntas regularmente e revisando planos de usar locais alternativos ou incentivar o home office
As empresas também estudam a experiência da África do Sul, onde os cortes de energia fazem parte da vida cotidiana (Richard Heathcote/Getty Images)
As empresas também estudam a experiência da África do Sul, onde os cortes de energia fazem parte da vida cotidiana (Richard Heathcote/Getty Images)
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Bloomberg

Publicado em 23/09/2022 às 19:36.

Última atualização em 23/09/2022 às 19:50.

Alguns dos maiores bancos do mundo estão resgatando seus planos de contingência para lockdowns a fim de se protegerem contra possíveis cortes de energia em Londres neste inverno.

Os bancos estão realizando conversas conjuntas regularmente e revisando planos de usar locais alternativos ou incentivar o home office, de acordo com o órgão comercial UK Finance, que está coordenando as discussões. As empresas também estudam a experiência da África do Sul, onde os cortes de energia fazem parte da vida cotidiana.

“Todas as empresas, independentemente do tamanho, estão prestando muita atenção”, disse André Rogan, diretor de resiliência operacional da UK Finance, em entrevista. “Não há sensação de pânico, todos estão apenas se certificando de que estariam prontos para outros possíveis passos.”

A renovação de foco ocorre em meio a uma crise global de energia, gerando a preocupação de que interrupções possam ocorrer conforme as temperaturas caiam. Esses temores são particularmente acentuados na Europa, cujas necessidades energéticas são há muito sustentadas pelo gás russo.

O Reino Unido vem se planejando para vários dias de inverno em que o clima frio pode se combinar à escassez de gás, levando a apagões organizados para indústria e residências. A França espera pedir a famílias, empresas e governos locais que reduzam o consumo a fim de evitar cortes de energia rotativos, enquanto a Alemanha vai nacionalizar o gigante do gás Uniper para evitar um colapso do seu setor energético.

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Isso significa que as maiores empresas financeiras precisam de planos de contingência para todo o continente. Um executivo do JPMorgan disse, neste mês, que tem planos de contingência de eletricidade para todas as suas localidades. Grandes escritórios têm geradores reserva e há também a possibilidade de transferir funcionários entre países temporariamente em caso de emergência em algum deles, disse o chefe da Alemanha, Stefan Behr, em uma conferência em Frankfurt.

No Reino Unido, bancos, construtoras e filiais de bancos estrangeiros estão participando das discussões, de acordo com o UK Finance. Representantes de empresas como Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America, HSBC e BNP Paribas se recusaram a comentar quando questionados sobre seus preparativos.

As principais empresas já têm geradores e fontes de energia adicionais que podem provê-los por pelo menos 72 horas, de acordo com a UK Finance. Eles também estão procurando por locais alternativos em Londres, Essex, Surrey e outras cidades em que poderiam escapar de apagões localizados. A experiência de lidar com a covid-19 e o potencial clima adverso sinaliza que as empresas estão bem preparadas, disse Rogan.

A crise também está pressionando os bancos a tentarem reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A empresa eEnergy, que administra a estratégia de energia para centenas de edifícios em Londres, viu um “enorme aumento”, nos últimos três meses, de instituições financeiras que buscam levar essa dependência a zero devido aos problemas no mercado de energia, disse o CEO do grupo, Harvey Sinclair.

“Os preços da energia quase atingiram o mesmo nível dos custos de aluguel”, disse ele. “Estamos instalando medidores inteligentes, identificando se as luzes estão sendo deixadas acesas à noite e se os aparelhos de ar-condicionado estão ligados por muito tempo.” A empresa também está aconselhando os clientes sobre instalações de baterias reserva e de painéis solares off-grid.

Na Suíça, o UBS decidiu deixar as temperaturas de seus escritórios flutuarem mais, em uma tentativa de reduzir o consumo de energia. Bancos dinamarqueses estão distribuindo cobertores para ajudar os funcionários a lidar com temperaturas mais baixas nos escritórios, enquanto o Deutsche Bank disse aos funcionários, neste verão, que estava cortando o ar condicionado e desligando a água quente em seus escritórios alemães.

(Com a colaboração de Rene Vollgraaff)

Versão em português: Eslen Brito

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