Balanço da Smiles deve elevar chance de incorporação pela Gol ser aceita

Confiança na companhia se deteriorou a partir de 2018, quando a controladora Gol anunciou que fecharia o capital da Smiles e entrou em disputa com sócios
 (Paulo Whitaker/Reuters)
(Paulo Whitaker/Reuters)
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Redação EXAME

Publicado em 18/02/2020 às 06:51.

Última atualização em 21/02/2020 às 20:26.

São Paulo — A Smiles, empresa que administra o programa de fidelidade da companhia aérea brasileira Gol, já foi uma das queridinhas dos investidores na bolsa de valores por ter uma operação altamente lucrativa e eficiente. Mas, desde que a sua controladora anunciou a intenção de fechar o capital da Smiles na B3 sem fazer uma oferta pública de aquisição de ações aos investidores minoritários, a situação da companhia ficou em sinal de alerta.

Novos capítulos para o futuro deste cabo de guerra devem ser conhecidos nesta terça-feira, 18, quando a Smiles divulga, após o fechamento do mercado, o balanço referente ao quarto trimestre e ao ano completo de 2019.

O Banco Safra estima que a receita da empresa tenha mais do que dobrado entre 2018 e 2019, subindo de 987,4 milhões de reais para 2,47 bilhões de reais no período, segundo relatório enviado a clientes. Já o lucro líquido deve ter recuado 8%, para 597 milhões de reais.

A piora do resultado era esperada. Em diversas ocasiões nos últimos meses, a Smiles afirmou que esperava uma queda de faturamento e de ganhos. O aumento da concorrência com os programas de fidelidade de outras companhias aéreas, os preços mais altos dos bilhetes no mercado nacional depois que a Avianca Brasil parou de operar e a elevação das passagens internacionais por conta da alta do dólar em relação ao real são as principais razões para as expectativas pessimistas.

A Smiles e a Gol marcaram para 5 de março assembleias de acionistas para discutir a mais recente proposta da companhia aérea para deslistar e reincorporar a empresa de fidelidade como subsidiária. A proposta da Gol é pagar pelas ações da Smiles em dinheiro e com papeis da companhia aérea. Uma oferta anterior, feita no primeiro semestre de 2019, foi recusada pelos minoritários.

A briga entre os sócios intensifica a deterioração da confiança na Smiles: desde que a Gol anunciou um possível fechamento de capital, em outubro de 2018, a companhia chegou a se desvalorizar em 38%.

Como as previsões negativas da Smiles para o seu desempenho devem começar a se tornar realidade no balanço do quarto trimestre de 2019, os analistas de mercado esperam que no mês que vem o fim da história de sete anos da empresa de fidelidade na bolsa seja decretado.