A Azul quer ir além da venda de passagens e tem usado sua operadora de turismo, a Azul Viagens, para ocupar mais uma fatia maior no mercado de turismo. Criada há 16 anos, a unidade de negócios passou por uma reestruturação após a pandemia, ganhou mais peso dentro do grupo e hoje responde por quase 10% dos assentos vendidos pela aérea.
“É uma empresa que se fortaleceu e se reestruturou depois da pandemia e que hoje é uma das forças da Azul”, diz o vice-presidente comercial e de negócios da Azul, Daniel Bicudo.
Em 2025, a Azul Viagens faturou R$ 4 bilhões, alta de 23% em relação ao ano anterior. A empresa também registrou aumento no volume de passageiros transportados, que passou de cerca de 1,5 milhão para mais de 1,9 milhão no período.
“Para 2026, a previsão é de crescimento de 15% na receita, apoiado na ampliação da rede física e na venda de pacotes turísticos", completa o executivo.
Hoje, a Azul Viagens conta com 140 lojas em funcionamento — dessas, 20 foram abertas neste ano. A meta é chegar ao fim de 2026 com mais de 250 unidades em todo o país, a partir da inauguração de 120 novos pontos.
“A abertura dessas lojas representa um passo dentro da nossa estratégia de crescimento”, diz o executivo.
Qual é a estrutura da Azul Viagens hoje
A Azul Viagens opera com uma rede de cerca de 300 funcionários próprios, além de 3 mil agentes de viagem ligados diretamente à empresa e outros 6,7 mil agentes independentes cadastrados.
O setor que a Azul Viagens opera é concentrado e a empresa está entre as três maiores empresas do segmento no país. Segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, que tem como associados 90% das empresas do setor viagens de lazer no Brasil, o setor movimentou cerca de 6 milhões de embarques nacionais no ano passado.
Segundo Bicudo, a Azul Viagens atua como um canal de distribuição para os voos da companhia e também como estruturadora de destinos turísticos.
“A Azul Viagens tem um papel de desenvolvimento de origens e destinos para a nossa companhia aérea”, afirma.
A Azul voa para cerca de 130 destinos no Brasil, sendo que 80% dessas rotas não são atendidas por outras companhias.
“Estamos falando de uma capilaridade grande, que ajuda a levar clientes para diferentes regiões”, diz.
A estratégia inclui combinar voos com hospedagem e serviços locais. A empresa afirma que 90% das negociações com hotéis e receptivos são feitas diretamente, sem intermediários, o que ajuda a baixar valores para os clientes.

Como as novas lojas serão implementadas
Parte relevante desse crescimento virá de um modelo de loja menor. Cerca de metade das novas unidades seguirá o formato compacto, voltado a cidades com até 130 mil habitantes. Esses pontos têm cerca de 25 metros quadrados e exigem investimento de aproximadamente R$ 70 mil.
Já as lojas maiores, com mais de 200 metros quadrados, demandam cerca de R$ 170 mil. Esses espaços concentram maior fluxo de clientes e oferta de produtos. A proposta é ampliar a presença em cidades menores sem depender de estruturas grandes.
A expansão será feita em parceria com investidores. Cerca de 45% das novas lojas terão aporte de terceiros, enquanto o restante será financiado pela própria empresa.
“A gente cede o uso da marca e o investidor aplica na infraestrutura, basicamente no ponto e na parte de mobiliário”, afirma Bicudo.
As lojas tendem a ficar próximas de aeroportos atendidos pela Azul, aproveitando o fluxo de passageiros.
“Quando você pousa um avião próximo a uma cidade e coloca uma agência de turismo, isso traz presença de marca e atendimento ao cliente”, diz.
Além de São Paulo e Minas Gerais, que concentram cerca de 65% das aberturas, a operadora também planeja avançar em estados como Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Foco em destinos nacionais
Os destinos mais procurados por clientes da Azul seguem concentrados no Nordeste, especialmente em regiões de praia. A operadora monta pacotes que incluem passagens, hospedagem em resorts e pousadas e serviços locais.
“Temos produtos específicos para a rede de lojas, com oportunidades no aéreo e também na montagem de destinos, como resorts no Nordeste e pousadas”, afirma Bicudo.
A ideia é usar a malha aérea da Azul para estimular a demanda em cidades com menor oferta de voos e ampliar o fluxo de turistas para esses locais.