Azul vê um céu limpo depois da tempestade – e do prejuízo bilionário

A companhia aérea cortou R$ 7 bilhões em custos para passar pela pandemia, o que pode torná-la mas eficiente mesmo com as receitas contraídas

Depois de perder 2,9 bilhões de reais no segundo trimestre, a Azul pode enfim ter boas notícias e voar por um céu mais claro. A aérea deve sair da pandemia com receitas mais baixas do que quando entrou – mas também deve sair mais eficiente, com menos custos e margens menores. “Olhando para frente, a empresa deve ser mais eficiente e com uma estrutura de custos mais econômica”, diz um relatório do banco BTG Pactual.

Com queda de 63% no valor das ações desde o início do ano e um prejuízo bilionário no segundo trimestre do ano, a companhia aérea está queimando caixa aos milhões. A queima de caixa diária, que era de 4 milhões de reais, passou para uma estimativa de 3 milhões de reais até o final do ano – para o BTG, essa é uma boa notícia. Com cortes de custo, a empresa conseguiu uma economia de 7 bilhões de reais até 2021, o que deve cobrir a queima de caixa.

De acordo com o relatório, a demanda por voos está retornando mais rapidamente do que o esperado. Entre os destaques positivos, estão as regiões Nordeste e Centro-Oeste. Muitas empresas do setor agropecuário, concentradas nessas regiões, ainda não se adaptaram às reuniões remotas e continuam realizando viagens corporativas.

Outras viagens corporativas e internacionais, normalmente as com margens maiores, continuam com demanda fraca. Ainda há muitas restrições para viagens internacionais e a Azul está operando apenas dois voos para os Estados Unidos por semana – a previsão é chegar a três ou quatro voos semanais até o fim do ano.

Com a volta lenta da demanda, a companhia aérea também está recompondo sua capacidade. Até o final do ano, a oferta de assentos deve ser cerca de 40%. Outro destaque positivo é a divisão de transporte de cargas, que vem crescendo nesse período. 

A empresa está na fase final de negociação com o BNDES, que desenha um socorro para as aéreas. Mas a Azul ainda não decidiu se deve aceitar esse empréstimo ou não e está considerando outras opções de financiamento.

 

 

Aviação regional

A Azul aposta nos voos regionais e destinos nacionais para recuperar as vendas. A aérea acaba de lançar sua nova subsidiária para o mercado de voos regionais: a Azul Conecta. A empresa é fruto da aquisição da TwoFlex, anunciada no início deste ano. Com atuação em 36 destinos no país, a Azul Conecta é composta por 17 aeronaves modelo Cesna Gran Caravan, um turboélice regional monomotor com capacidade para até nove assentos. Dos 17 aviões, três são exclusivamente cargueiros.

“Com essas aeronaves vamos transformar o Brasil mais uma vez. Vamos chegar a 200 destinos. Todo mundo está triste com o que está acontecendo no mundo, mas isso vai acabar. Temos de olhar para frente e ajudar o Brasil a crescer”, disse o presidente da Azul, John Rodgerson, na ocasião de lançamento. 

Mais enxuta e mais regional, a Azul pode ser uma das companhias a se recuperar mais rapidamente na aviação brasileira.

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