Negócios

Após ver a receita cair 90%, ele co-criou a Mynd, gigante da influência no Brasil

Com a reestruturação da Vevo no Brasil, Carlos Scappini co-fundou a Mynd e ajudou a transformar a publicidade de artistas em um dos motores do mercado de influência

Carlos Scappini: o executivo que transformou uma ruptura em um novo modelo de negócio no entretenimento (Arquivo Pessoal)

Carlos Scappini: o executivo que transformou uma ruptura em um novo modelo de negócio no entretenimento (Arquivo Pessoal)

Publicado em 15 de abril de 2026 às 15h07.

Última atualização em 24 de abril de 2026 às 17h42.

A Vevo foi presença constante para quem consumia música na internet, inclusive entre os brasileiros. O selo no canto inferior dos vídeos virou marca registrada de uma geração. Mas, de uma hora para outra, desapareceu. 

Com a venda para o YouTube, a operação no Brasil foi praticamente desmontada. “Perdemos 90% da receita da noite para o dia”, revela Carlos Scappini, que, à época, era sócio e COO da companhia

Foi a partir dessa ruptura que Scappini decidiu começar outro negócio. Em 2017, ao lado de Fátima Pissarra e Preta Gil, co-fundou a Mynd, hoje uma das maiores especialistas em influência, marketing digital e entretenimento do país.

O executivo por trás da Mynd

Mas, antes da Vevo e da Mynd, Scappini construiu carreira tradicional no marketing. Passou por negócios como Pizza Hut, Carrefour e companhias do setor de telecomunicações – degrau por degrau até chegar à posição de CMO. “Mas percebi que essa era uma cadeira que tinha data marcada”, revela.

A decisão foi sair antes desse ponto. Ele migrou, então, para a área comercial, enquanto começava a prestar atenção no avanço do digital. “Eu era um profissional offline. E esse é o lugar onde você fica obsoleto bastante rápido.”

Foi esse olhar que o colocou diante de uma mudança maior no mercado de entretenimento. Pouco antes da Mynd nascer, a maior parte da receita de cantores e artistas vinha de shows. A publicidade existia, mas ocupava um papel secundário. “Era um pedaço pequeno da receita”, explica Scappini.

Carlos Scappini viu o offline perder espaço — e decidiu se mover antes (Arquivo Pessoal)

A Mynd nasceu exatamente nesse espaço com a proposta de estruturar a atuação publicitária dos artistas com foco na criação, gestão e execução de projetos para marcas. O que era complementar na carreira dos músicos se tornou o centro da operação da agência.

O negócio começou com artistas da música e se expandiu à medida que outros perfis passaram a buscar o mesmo tipo de estrutura. A empresa ampliou sua atuação para influenciadores e organizou o trabalho por categorias. Hoje, são mais de 300 nomes dos mais diferentes segmentos no portfólio.

A volta à sala de aula

O crescimento da influência ampliou o mercado e trouxe complexidade. Novas funções surgiram, mais profissionais entraram, mais dinheiro passou a circular. “Mas, como qualquer indústria nova, ela precisa ser organizada e estruturada”, admite.

Sem referências consolidadas dentro do próprio mercado, ele buscou formação fora e encontrou o SEER, um programa avançado da Saint Paul Escola de Negócios, voltado a executivos que atuam em cenários complexos.

O foco do programa está na capacidade de leitura, interpretação e construção de repertório para decisões que não têm resposta evidente – um cenário próximo ao que ele enfrentou ao longo da carreira. Scappini diz que o impacto foi menos técnico e mais estrutural na forma de pensar. 

“Você não sai de lá com resposta. Sai sabendo perguntar melhor.”

No dia a dia, esse movimento aparece de forma prática. Ele conta que, em reuniões, passou a interromper o impulso de responder imediatamente. “Às vezes eu me pego no meio de uma discussão e lembro de alguma coisa da aula. Em vez de dar a resposta, eu paro. Respiro. E faço uma pergunta.”

Planejar o próximo ciclo

Aos 56 anos, Scappini passou a olhar para a carreira com outra escala de tempo. Ele fala em um plano de vida para viver até os 100 anos – e, a partir disso, reorganiza o que ainda pretende construir. A diferença está no momento. Se antes a trajetória foi marcada por adaptação – sair da sobrevivência, migrar de área, entrar no digital – agora há espaço para planejamento.

Esse olhar também se estende ao setor em que atua. Para Scappini, o mercado de influência ainda está longe de um ponto de estabilidade. Cresce rápido, incorpora novos formatos e exige reorganização constante. 

“É uma indústria que ainda está sendo escrita.”

Nesse cenário, a vantagem não está apenas na execução, mas na capacidade de interpretar o que está acontecendo e ajustar a rota. Depois de uma carreira construída em cima de mudanças, o movimento agora é outro: menos reação e mais intenção.

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