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Após três falências, ele fatura R$ 21 milhões ensinando supermercados a dobrar os lucros

Leandro Rosadas saiu da Zona Norte do Rio, dormiu em lan house e hoje comanda o maior programa de gestão online para supermercados no país

Leandro Rosadas: “O maior problema de todo mundo é parar no meio do caminho" (Divulgação/Divulgação)

Leandro Rosadas: “O maior problema de todo mundo é parar no meio do caminho" (Divulgação/Divulgação)

Karla Dunder
Karla Dunder

Freelancer

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 06h02.

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Aos 13 anos, enquanto muitos sonhavam em ser jogador de futebol, Leandro Rosadas queria ser milionário. Não havia plano B. Havia escassez. Filho de uma família de classe média baixa da Zona Norte do Rio, ele começaria a trajetória sem capital, sem rede de apoio empresarial e com uma sucessão de quebras pelo caminho.

Hoje, aos 43 anos, Rosadas comanda duas empresas de educação e consultoria para o varejo alimentar — o Instituto Leandro Rosadas e a Impulso — que faturaram R$ 21 milhões em 2025, alta de 21,52% sobre 2024. No processo, ele faliu três vezes, dormiu em lan house, teve crise de pânico, burnout e chegou a viver com R$ 1 no bolso para alimentação.

Rosadas construiu um negócio escalável ensinando supermercados a ganhar eficiência — depois de quase quebrar tentando fazer o mesmo.

O maior problema de todo mundo é parar no meio do caminho. Eu pensei em parar diversas vezes”, afirma.

O próximo passo já está em curso: expansão internacional, novos treinamentos fixos no portfólio e uma aposta ainda maior em educação digital para supermercadistas fora do Brasil.

Da economia à primeira quebra

Rosadas entrou no curso de Economia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro com um objetivo claro: entender como enriquecer. Ainda na graduação, passou pela empresa júnior e decidiu abrir sua primeira consultoria antes mesmo de se formar.

Durou pouco. Em 2005, após um erro de um dos sócios, a empresa quebrou. O impacto foi direto na vida pessoal. Sem dinheiro, ele passou a fazer bicos, foi despejado e chegou a dormir em uma lan house com a então namorada, Natalia, hoje sua esposa.

Como você é um consultor que ensina empresas a melhorar e faliu a própria empresa? Eu me senti um impostor”, diz.

Sem alternativa, voltou a morar com os pais e depois para um pequeno cômodo alugado, onde o casal dormia molhado para suportar o calor.

Comissão, pen-drives e caixa na veia

Com dinheiro apenas para a passagem de ida, Rosadas bateu de porta em porta no centro do Rio até conseguir um trabalho como vendedor de software. O salário inicial era de R$ 500, em modelo de prestação de serviço. Ainda assim, ajudou a empresa a crescer cerca de 20% no período.

Foi ali que surgiu um negócio paralelo simples — e decisivo. Comprava pen-drives no centro e vendia no Mercado Livre por R$ 10 a unidade. Em um único mês, faturou R$ 30 mil.

Eu chegava do trabalho às 21h e ficava até de madrugada respondendo clientes. A Natália organizava os pedidos e a gente fazia até 15 postagens por dia”, afirma.

O negócio ensinou execução, margem e fluxo de caixa na prática. Antes disso, Rosadas lembra de ter apenas uma moeda de R$ 1 no bolso, que dividiu em centavos após ler um livro sobre organização financeira.

Quando conseguimos R$ 70 no potinho da diversão, fomos a um fast food e gastamos tudo. Aquilo nos motivou a continuar.”

Lan house, expansão e colapso

Com algum capital, veio a nova aposta: um cybercafé, mistura de lan house com cafeteria e venda de produtos de informática. O negócio chegou a três unidades na Zona Norte e Oeste do Rio.

Mas o timing era ruim. O mercado de lan houses já dava sinais de esgotamento. A pressão levou Rosadas a uma crise de pânico dentro do carro.

Eu perdi os movimentos do corpo, não conseguia parar de chorar. Ali eu soube que precisava recomeçar.”

Ele fechou as lojas e decidiu dar aulas. Lecionou contabilidade — área que não dominava — enquanto tentava concluir um mestrado que acabou abandonado. Para seguir na docência, fez uma pós-graduação em RH.

O retorno à consultoria — e o início da virada

A virada veio de forma quase casual. Um amigo o chamou para opinar sobre a distribuidora de calçados da família. Em poucos meses, o negócio cresceu 86%. O resultado reacendeu algo que estava adormecido.

Ali eu entendi que era bom em dar resultado para empresas”, diz.

Rosadas voltou à consultoria, atendendo de tudo: fábricas, lojas de material de construção, indústrias alimentícias. Até perceber o erro central.

Nichar ou desaparecer

Em 2015, após assistir a conteúdos sobre foco e posicionamento, lançou o treinamento Bootstrap. Um dos alunos, dono de supermercado, pediu ajuda prática. O resultado foi direto no caixa: redução de demissões e economia estimada em R$ 720 mil. Pela consultoria exclusiva, Rosadas recebeu R$ 450 mil.

As indicações vieram em sequência. No YouTube, os vídeos sobre hortifruti performavam melhor. E o varejo alimentar mostrava algo raro: resiliência à crise.

Em 2017, a decisão foi definitiva: focar só em supermercados. Mudou também o modelo de entrega. Saiu do time genérico de consultores e trouxe gente da operação — ex-funcionários de redes como Carrefour e Pão de Açúcar.

Eu tinha gestão. Eles tinham técnica. Foi quando o negócio mudou de patamar.”

O produto que escalou em sete dias

O curso DLM 45 (Dobre os Lucros do Seu Mercado em 45 Dias) nasceu de uma pergunta ao fim de uma palestra. Em uma semana, o conteúdo estava gravado. Vinte empresários compraram na largada.

A validação veio rápido. Um aluno específico saiu da crise, passou a lucrar e comprou outra loja.

Em julho de 2019, o curso bateu R$ 100 mil em vendas. Em setembro, R$ 1,5 milhão. Rosadas se tornou milionário.

Em sete dias, eu tinha quinhentas empresas para cuidar. Levei 17 anos para atender quinhentas presencialmente.”

Para escalar, vendeu 30% da empresa a um gestor e saiu da operação física para focar 100% no digital.

Reality show e o erro das sociedades

A exposição nacional veio em 2021 com o reality Supermercado Milionário, que reformulava operações à beira da falência. No ano seguinte, Rosadas deu um passo além: virou sócio de 8 supermercados, em 5 estados.

Não funcionou.

Não era sobre negócios ruins, era sobre pessoas desalinhadas”, afirma.

Ele decidiu sair das sociedades, vender participações e fechar lojas, mesmo com prejuízo de alguns milhões.

Assumir o prejuízo foi a decisão mais racional.”

Em 2023, percorreu o Brasil, lançou o Rosadas Day, mentorou 240 empresários e fechou o ano com R$ 15 milhões em faturamento.

Em 2024, veio a consolidação: presença em 9 estados, lançamento da Editora Corcovado e publicação de 6 livros, entre eles Luuuucro e Dobre os lucros do seu supermercado.

Em 2025, o grupo lançou um novo treinamento fixo, manteve Bootstrap e Instituto Leandro Rosadas e iniciou a expansão para países de língua espanhola.

Cursos para supermercadistas praticamente não existem fora do Brasil. Isso abriu espaço para crescer.”

O erro que se repete

Após três falências, Rosadas vê um padrão claro entre empreendedores.

As pessoas não dão atenção suficiente a contrato e escolha de sócios. Isso precisa ser resolvido na entrada, não na saída.”

A segunda falha é parar cedo demais.

Você vai dar certo. Só não pode parar.”

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