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Após 40 anos no Rio, grupo familiar investe R$ 90 milhões para levar resorts a SP

O Grupo Vilarejo prepara sua primeira unidade fora do estado em 2027 e traça um plano para abrir cinco resorts no Sudeste em dez anos

João Mello, da terceira geração à frente do Grupo Vilarejo: investimentos em resorts nos arredores das grandes cidades do Sudeste

João Mello, da terceira geração à frente do Grupo Vilarejo: investimentos em resorts nos arredores das grandes cidades do Sudeste

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 06h02.

Última atualização em 23 de setembro de 2026 às 15h16.

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RESUMO | O Grupo Vilarejo planeja abrir seu primeiro resort fora do Rio de Janeiro em 2027, no interior de São Paulo, com investimento de R$ 90 milhões na compra e reforma de um hotel existente. A expansão prevê cinco novos resorts no Sudeste em dez anos, com duas unidades paulistas, duas mineiras e uma capixaba.


O Grupo Vilarejo quer atravessar a divisa do Rio de Janeiro. Depois de concentrar por mais de quatro décadas seus hotéis no estado, a família Mello prepara a chegada da marca a São Paulo. O plano faz parte de uma expansão que prevê cinco novos resorts no Sudeste nos próximos dez anos.

O primeiro passo deve ser um Vilarejo Fazenda Resort no interior paulista, a cerca de 1h30 da capital. A previsão é que a unidade abra em 2027, a partir da compra e reforma de um empreendimento que já existe. O investimento previsto é de R$ 90 milhões.

Depois, em 2029, o grupo planeja participar de um hotel no interior paulista, construído do zero, no qual será sócio e responsável pela operação.

O movimento ocorre enquanto os dois hotéis que deram origem à operação atual entram no ranking Negócios em Expansão 2026, anuário da EXAME que acompanha empresas brasileiras em crescimento.

O Hotel Fazenda Vilarejo, em Conservatória, distrito de Valença, no Sul Fluminense, e o Vilarejo Praia Resort, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, tiveram receita conjunta de R$ 90,6 milhões em 2025, ante R$ 73,4 milhões em 2024, alta de 19%. A empresa ficou na 140ª posição entre os negócios com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões.

“Queremos cinco novos resorts nos próximos dez anos”, diz João Mello, CEO da divisão de hotelaria do Grupo Vilarejo e neto do fundador. O mapa traçado pela empresa prevê duas unidades em São Paulo, duas em Minas Gerais e uma no Espírito Santo.

Para crescer fora do Rio, Mello pretende repetir uma escolha feita nos dois hotéis atuais: manter unidades com cerca de 150 quartos e concentrar atrações dentro da propriedade. Em vez de erguer complexos com centenas de apartamentos, o grupo quer combinar parques aquáticos, áreas infantis, restaurantes e espaços para adultos numa estrutura menor.

Vilarejo Praia Resort, em Rio das Ostras (RJ): de hotel fechado após a crise da indústria de óleo e gás a expansão acelerada no pós-pandemia

De uma pousada de 14 quartos a dois resorts

A história começou em 1982, em Conservatória, distrito de Valença, no Sul Fluminense. João Mello, avô do atual CEO, e a mulher, Lili Mello, tinham um terreno usado para criação de animais. Depois de negócios anteriores que não deram certo, o casal decidiu apostar no turismo da região.

A primeira pousada tinha 14 quartos. João cuidava da gestão e também cozinhava. Lili trabalhava na recepção e na rotina dos quartos. Outros integrantes da família assumiam tarefas como recepção e bar da piscina.

O hotel cresceu para 28 apartamentos. A conta tinha uma lógica prática: essa era a quantidade necessária para receber os passageiros de um ônibus de turismo.

A segunda geração tomou outro caminho. Depois de trabalhar por 26 anos no hotel, a filha dos fundadores foi para a Região dos Lagos e abriu uma loja de tintas. O negócio deu origem, em 1996, à Vilarejo Acabamentos, rede de pisos, revestimentos, louças e outros materiais para construção.

A família também passou a atuar em centros comerciais e na produção de alimentos e bebidas. Hoje, o Grupo Vilarejo reúne hotelaria, varejo, produção de cachaça e laticínios e comércio eletrônico. O grupo emprega mais de 800 pessoas no Rio de Janeiro.

Na hotelaria, porém, a sucessão pulou uma geração.

O neto entrou no hotel aos 14 anos

João Mello, neto dos fundadores e homônimo do avô, começou no grupo aos 14 anos, como jovem aprendiz. Passou por diferentes áreas administrativas até chegar à operação dos hotéis.

A mudança ocorreu em meio a uma crise.

O Vilarejo Praia havia sido criado em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, com parte de sua operação ligada ao público corporativo da indústria de petróleo e gás da região de Macaé, no Norte Fluminense. Em 2015, com a crise do setor, a ocupação caiu de 80% para 20%. O hotel fechou.

Ao mesmo tempo, o fundador enfrentava problemas de saúde e Lili deixou a rotina da empresa para cuidar do marido. A segunda geração estava concentrada nos outros negócios da família.

Quando o hotel da praia começou a ser reaberto, Mello tinha 17 anos. Dos 120 quartos, 60 voltaram a funcionar. A equipe tinha 25 funcionários.

“Eu conhecia a história de cada um daqueles 25 funcionários”, diz Mello.

A operação precisava se sustentar sem dinheiro das outras empresas da família. Durante quatro anos, segundo Mello, todo o lucro do hotel voltou para reformas na própria unidade.

As mudanças também alteraram quem o hotel pretendia receber.

Um estacionamento virou parque aquático

Parte da estrutura do Vilarejo Praia havia sido desenhada para reuniões e eventos de empresas. Com a mudança para o turismo de lazer, esses espaços começaram a ganhar outros usos.

Um salão de 800 metros quadrados, antes dividido em oito salas para eventos corporativos, passou a receber festas temáticas. Outros 1.000 metros quadrados de estacionamento deram lugar a piscinas.

Em setembro de 2024, o resort abriu o Aqua Vila, complexo aquático que recebeu investimento de R$ 6 milhões. De frente para o mar, o espaço tem um brinquedo de 11 metros de altura sobre uma área com 500 metros quadrados de água, quatro toboáguas, cascatas e um baldão que despeja 5.000 litros de água a cada dez minutos.

Há ainda piscina com ofurôs climatizados, borda infinita, dois bares, área para churrasco e quadra.

Em junho de 2026, o deck central também passou por reforma e recebeu uma piscina climatizada e duas jacuzzis. Para o segundo semestre, o grupo prevê instalar uma tirolesa de bicicleta e uma sala sensorial para crianças neurodivergentes.

A lógica é fazer com que a família passe boa parte da viagem dentro do próprio hotel.

O grupo diz que metade dos hóspedes já esteve em alguma de suas propriedades anteriormente. As unidades também trabalham para vender as reservas sem intermediários: 92% das vendas são feitas diretamente pelo Vilarejo.

O WhatsApp recebe cerca de 600 contatos por dia

Uma parte desse resultado começou fora da recepção do hotel.

Mello passou a gravar vídeos mostrando a rotina das propriedades, inclusive cenas de bastidores, como a preparação das refeições. O perfil do hotel chegou aos 100 mil seguidores sem compra de mídia, segundo o executivo.

Hoje, as redes sociais ajudam a levar cerca de 600 contatos por dia para o atendimento pelo WhatsApp. Somadas às reservas feitas pelo site, elas sustentam a fatia de 92% de vendas diretas informada pela empresa.

A estratégia também transformou o CEO em um dos rostos da marca. Funcionários aparecem nesse conteúdo. Um deles, Roberto, trabalha no Vilarejo há 44 anos.

O grupo levou essa relação com os hóspedes para outro canal. Criou uma loja oficial no Mercado Livre para vender cachaça, doce de leite, lembranças e até travesseiros com a etiqueta usada nos hotéis.

A operação faturou R$ 150.000 nos três primeiros meses. A projeção é chegar a R$ 500.000 no ano.

Dinossauros ocuparam o lugar de um centro de convenções

A mesma troca de espaços corporativos por atrações para famílias ocorreu no hotel onde a história começou.

Em outubro de 2024, o Vilarejo Fazenda abriu a Vila Dino. O grupo investiu R$ 700.000 para transformar 400 metros quadrados do antigo centro de convenções em uma área infantil inspirada em paleontologia.

O espaço tem oito réplicas de dinossauros, com alturas entre 2 e 3,5 metros, uma área para simulação de escavação de fósseis, piscina de espuma, brinquedos e games.

Segundo Mello, a abertura da Vila Dino foi acompanhada por aumento de 7% na diária média do hotel.

Em setembro de 2025, outra área entrou em operação. O Aqua Vila recebeu investimento de R$ 6 milhões e reúne quatro tobo-águas, piscina de borda infinita, ofurôs e bar. O espaço é coberto, e a água é mantida a 32 °C.

As obras continuaram em 2026. Em junho, o hotel inaugurou um espaço multissensorial com investimento de cerca de R$ 300.000. O grupo afirma receber mais de 500 crianças com Transtorno do Espectro Autista por ano.

A sala tem piscina de bolinhas, balanço em formato de casulo, pufes e iluminação com menor intensidade. A equipe que atende essas famílias recebeu treinamento em parceria com grupos ligados à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Em agosto, o resort abriu ainda a Vila Encantada, destinada a crianças de até 3 anos. Foram investidos cerca de R$ 200.000 na substituição da antiga área infantil por um espaço com mini cozinha, área para desenho, fantasias, palco e brinquedos.

Por que o Vilarejo não quer resorts gigantes

O tamanho das propriedades faz parte do plano para as próximas unidades.

Mello trabalha com cerca de 150 quartos por resort. A conta procura deixar espaço para piscinas, atrações infantis e restaurantes sem levar a operação para propriedades com centenas de apartamentos.

A diferença em relação aos grandes resorts, segundo o executivo, está justamente nessa escala. Ele afirma que hotéis muito maiores tornam mais difícil manter contato entre equipe e hóspedes e atender diferentes integrantes de uma família dentro da mesma propriedade.

O modelo também prevê áreas com funções distintas. Enquanto crianças ficam em piscinas, parques e espaços temáticos, outros pontos são reservados para quem quer silêncio, leitura ou descanso.

“Coerente com a nossa cultura, com a nossa equipe; traz para a gente audiência; e dentro do nosso posicionamento”, diz Mello sobre os três critérios que usa para avaliar novos projetos.

Foi essa lógica, segundo ele, que levou o grupo a treinar a equipe antes de abrir o espaço para crianças neurodivergentes. Também está por trás da decisão de manter as futuras propriedades em uma escala próxima à dos hotéis atuais.

São Paulo será o primeiro teste fora do Rio

A primeira unidade paulista deve seguir esse desenho.

O projeto previsto para 2027 não começa em um terreno vazio. O Grupo Vilarejo pretende adquirir um hotel que já funciona no interior de São Paulo e investir na reforma e adaptação da propriedade. O orçamento previsto é de R$ 90 milhões.

O segundo projeto paulista será diferente. A previsão é participar da construção de um hotel novo, com abertura planejada para 2029. O Vilarejo entrará como sócio e ficará responsável pela gestão da marca.

A expansão será apoiada por uma equipe compartilhada entre os hotéis para áreas como vendas, marketing, recursos humanos e gestão de preços. O grupo diz ter montado essa estrutura antes de começar a procurar novos endereços.

Depois de São Paulo, o mapa aponta para Minas Gerais, com duas propriedades, e Espírito Santo, com uma.

Se o cronograma for mantido, o grupo que começou com 14 quartos em Conservatória passará a administrar sete resorts no Sudeste ao longo da próxima década.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura do evento de lançamento da edição 2026.


Quando o Grupo Vilarejo abrirá seu primeiro resort em São Paulo?

O Grupo Vilarejo prevê abrir a primeira unidade paulista em 2027, no interior do estado, a cerca de 1h30 da capital. O projeto contempla a compra e a reforma de um hotel existente, com investimento estimado em R$ 90 milhões.

Quantos resorts o Grupo Vilarejo pretende abrir?

O Grupo Vilarejo planeja abrir cinco resorts no Sudeste nos próximos dez anos. Segundo João Mello, CEO da divisão de hotelaria, serão duas unidades em São Paulo, duas em Minas Gerais e uma no Espírito Santo.

Qual foi a receita dos hotéis do Grupo Vilarejo em 2025?

O Hotel Fazenda Vilarejo e o Vilarejo Praia Resort tiveram receita conjunta de R$ 47,1 milhões em 2025, alta de 2,1% ante 2024. Os hotéis ficaram na 140ª posição do ranking Negócios em Expansão 2026, da EXAME, na categoria de empresas com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões.

Como será o segundo hotel do Grupo Vilarejo em São Paulo?

O segundo projeto paulista será um hotel novo, com abertura prevista para 2029. O Grupo Vilarejo planeja participar como sócio e assumir a operação da marca.

Qual é o modelo de resort adotado pelo Grupo Vilarejo?

O Grupo Vilarejo pretende manter unidades com cerca de 150 quartos e atrações como parques aquáticos, áreas infantis, restaurantes e espaços para adultos. Segundo João Mello, hotéis muito maiores dificultam o contato entre a equipe e os hóspedes e o atendimento a diferentes integrantes de uma família.

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