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Aos 94 anos, fundadora vê negócio de marmitas virar empresa de R$ 110 milhões

Por trás do bandejão, um negócio milionário que monta, equipa e opera restaurantes dentro de empresas

Toni Blaese, fundadora da MENU Restaurantes Corporativos: em 2026, empresa quer faturar R$ 130 milhões com avanço em escolas e uso de inteligência artificial (Divulgação)

Toni Blaese, fundadora da MENU Restaurantes Corporativos: em 2026, empresa quer faturar R$ 130 milhões com avanço em escolas e uso de inteligência artificial (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 19 de abril de 2026 às 08h08.

Por trás dos restaurantes instalados dentro de indústrias e escolas, existe um negócio que vai muito além da comida. Empresas especializadas assumem toda a operação, da implementação ao atendimento.

Uma delas é a MENU Restaurantes Corporativos, que soma 80 clientes, 600 colaboradores e faturou R$ 110 milhões em 2025.

“Nós entramos com todo o investimento em equipamentos, a montagem do restaurante e cuidamos para que o atendimento e a comida servida no dia a dia agradem os colaboradores”, diz Flávio Charles, CEO da MENU.

Para 2026, a expectativa é chegar a um faturamento de R$ 130 milhões, com expansão baseada em treinamento de equipe, uso de IA e a abertura de dois a três restaurantes por mês.

Da marmita à operação dentro das empresas

A MENU nasceu em 1978, em Curitiba (PR), pelas mãos de dona Toni Blaese, hoje com 94 anos.

De família alemã, ela fundou uma choperia na capital paranaense, que servia bebidas e churrasco. Foi nesse contexto que Toni desenvolveu o gosto pela culinária.

“Ela começou fazendo marmitas, e uma empresa vizinha gostou da comida e sugeriu que ela começasse a fornecer para eles. Foi assim que começou o atendimento corporativo", diz Charles.

A empresa cresceu nesse modelo, em que a comida era produzida externamente e transportada até cada cliente.

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Com 20 anos de existência, o número de empresas atendidas cresceu e o modelo já não dava conta. A companhia passou, então, a adotar o modelo de refeição administrada, com cozinhas e produção dentro das indústrias.

“Não dava mais para continuar entregando refeições prontas para cada empresa. Produzir no local passou a ser uma escolha estratégica para garantir mais segurança alimentar, qualidade e variedade”, diz Charles.

Essa foi a primeira transformação da empresa, que passou a atuar de forma mais estratégica e com maior alcance.

A atuação passou a se basear na contratação do serviço e na utilização do espaço das próprias companhias. Mas a operação evoluiu. Hoje, a MENU investe na montagem e nos equipamentos dos restaurantes.

“Brincamos que somos quase uma empresa de design de interiores. Hoje, não dá mais para fazer restaurante corporativo como no passado — o espaço precisa ser bonito, confortável e bem pensado”, diz.

Com o projeto pronto, a empresa passa a atuar na outra ponta: o atendimento e a comida — muitas receitas compartilhadas pela própria fundadora.

Em 1990, o filho da fundadora, Nilton Blaese, assumiu a gestão do negócio, marcando a transição da operação para a segunda geração da família. Desde então, a MENU mantém a participação familiar na condução da empresa, com membros atuando em áreas estratégicas.

Mesmo aos 94 anos, dona Toni segue participando de atividades institucionais da empresa, incluindo eventos e palestras. Nessas ocasiões, ela compartilha sua trajetória na criação do negócio e a origem do modelo que deu início à MENU. A fundadora ainda é vista internamente como uma referência do histórico e da cultura da companhia.

A virada que acelerou o crescimento

Em um terceiro momento, a partir de 2019, a MENU passou a se profissionalizar cada vez mais. Em seis anos, a empresa cresceu dez vezes.

A mudança foi marcada pela entrada do CEO Flávio Charles, que já atuava no segmento de alimentação. “A empresa precisava fazer uma escolha estratégica: ou crescia e se expandia, ou acabaria sendo engolida pelo mercado — e essa não era a nossa opção”, afirma.

Flávio Charles, CEO da MENU: "Trabalhamos com três pilares: crescimento, satisfação do colaborador e satisfação do cliente" (Divulgação)

O ponto de transformação foi a gestão de pessoas. “O valor do negócio está na ponta, no contato diário entre colaborador e cliente”, diz. “Por isso, a empresa revisou o código de cultura e reforçou o foco em serviço.”

A companhia também criou uma diretoria de gente e cultura, responsável pela gestão de pessoas e pela implementação de práticas internas.

Segundo Charles, a mudança impacta diretamente o atendimento. “Quando o colaborador se sente valorizado, o serviço melhora. Isso aumenta a satisfação do cliente e gera novas indicações.”

Hoje, a expansão da empresa ocorre principalmente por recomendação. A operação, que já chegou a São Paulo e Santa Catarina, deve avançar para Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Entre os clientes da MENU estão nomes como Mercado Livre, DHL, Tarkett Pisos Vinílicos e o Coritiba Football Club.

Além da cultura, a empresa também investiu em processos e tecnologia para ganhar produtividade. “É um setor que ainda carece de inovação. Hoje operamos com cozinhas mais tecnológicas e equipamentos que aumentam a eficiência”, diz.

A inteligência artificial, por exemplo, é utilizada na análise de feedbacks coletados por totens e pesquisas.

“A ferramenta acelera a leitura dos comentários, a identificação de padrões de satisfação e a geração de dashboards para orientar decisões. Esses insights ajudam diretamente no planejamento de cardápios, na priorização de ajustes operacionais e na resposta mais rápida aos clientes”, afirma Charles.

Aposta em tecnologia e expansão

Em 2026, a expectativa é atingir a meta de R$ 130 milhões em faturamento, com cerca de três inaugurações ao mês.

“Trabalhamos com três pilares: crescimento, satisfação do colaborador e satisfação do cliente, ambos acima de 90%”, diz.

Para sustentar a expansão, a companhia ampliou investimentos em formação e gestão. Uma academia interna de treinamento, antes voltada à liderança, passa a incluir gerentes de unidade e nutricionistas, com foco no desenvolvimento de habilidades de gestão.

Na frente de pessoas, a estratégia inclui o fortalecimento da área de cultura e a adoção de práticas voltadas à retenção de equipes — um dos principais desafios do setor.

A empresa também aposta em tecnologia e inteligência artificial, com a criação de uma área dedicada ao tema. “Isso deve sustentar o crescimento nos próximos anos”, diz.

Como parte do planejamento estratégico, a MENU também amplia sua atuação com uma nova vertical já a partir do início do ano letivo: a MENU Canteen, voltada à alimentação escolar privada com foco em refeições saudáveis e educação nutricional.

Em expansão, a empresa pretende avançar para novos estados ainda em 2026, com entrada prevista em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. O crescimento deve seguir concentrado nas regiões Sul e Sudeste, priorizando a proximidade geográfica para ganho de eficiência operacional.

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