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Ye Zhang, fundador e CEO da Always Fit : companhia prepara investimento de R$ 20 milhões em nova fábrica em Santa Catarina (Always Fit/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de maio de 2026 às 08h44.
Aos 15 anos, Ye Zhang passava os dias atrás do balcão de uma pequena loja de produtos naturais no Mercadão de São José do Rio Preto, no interior paulista. Vendia chás, suplementos e vitaminas para um público majoritariamente popular e mais velho, aprendendo na prática como funcionava o varejo — e também o que incomodava os consumidores.
“Eu via muita marca escondendo informação no rótulo, mudando fórmula, barateando produto e vendendo caro. A gente queria fazer diferente”, afirma Zhang.
Treze anos depois, o negócio criado ao lado do amigo de infância Herly Xiao virou uma das empresas que mais crescem no mercado brasileiro de suplementos. Fundada em 2020, a Always Fit faturou R$ 115 milhões em 2025 e agora projeta alcançar R$ 500 milhões ainda neste ano. Para sustentar o crescimento, a companhia prepara um investimento de R$ 20 milhões em uma nova fábrica própria em Camboriú, em Santa Catarina, cidade onde hoje concentra parte da operação.
A empresa começou vendendo um pedido a cada dois dias em um site recém-lançado, em plena pandemia. No primeiro ano inteiro de operação, faturou R$ 50 mil. Em 2021, chegou a meses de apenas R$ 2 mil em receita. “Teve um momento em que a gente realmente não sabia mais o que fazer”, diz Zhang.
Mesmo assim, os fundadores insistiram no modelo digital, aprofundaram o estudo de marketing nas redes sociais e passaram a apostar pesado em creators e influenciadores. O resultado veio em escala acelerada: a empresa saiu de R$ 400 mil em faturamento em 2021 para R$ 4 milhões em 2022, R$ 18 milhões em 2023, R$ 45 milhões em 2024 e R$ 115 milhões em 2025.
Agora, a meta é multiplicar novamente.
O principal ponto de virada aconteceu em 2025, com a chegada do TikTok Shop ao Brasil. A Always Fit entrou na plataforma em julho daquele ano e viu a operação disparar.
Segundo Zhang, a empresa chegou a ter quase 4 mil vídeos publicados por dia sobre seus produtos, somando mais de 8 milhões de visualizações diárias. Em poucos meses, o faturamento mensal saltou de R$ 5 milhões para R$ 10 milhões, depois R$ 20 milhões e, na sequência, R$ 25 milhões.
“O TikTok Shop trouxe uma escala muito rápida por conta da viralização e da dinâmica de social commerce”, afirma o executivo.
A empresa estruturou um curso gratuito para formar criadores de conteúdo focados na plataforma e criou uma ampla rede de afiliados. Em 2025, o TikTok chegou a representar 80% da receita da companhia. Hoje, responde por cerca de 30%, enquanto marketplaces, site próprio e aplicativo passaram a ganhar mais relevância.
A estratégia, porém, quase custou caro. Para acelerar a recompra, a Always Fit queimou mais de R$ 2 milhões distribuindo amostras praticamente subsidiadas aos consumidores. Produtos vendidos hoje por R$ 49 eram entregues por R$ 9,90, já com frete incluso.
No fim daquele ano, apesar dos R$ 45 milhões faturados, sobraram apenas R$ 10 mil em caixa.
“A gente apostou que a recompra viria. E veio”, diz Zhang.
Hoje, o problema da Always Fit não é demanda, mas capacidade de produção. Atualmente, apenas 20% da fabricação é feita internamente. Os outros 80% seguem terceirizados. Segundo Zhang, a limitação de estoque já impede a empresa de crescer mais rapidamente.
A solução passa pela construção de uma nova planta industrial. O projeto ainda está em fase de definição do local, mas já prevê uma fábrica com pelo menos 10 mil metros quadrados, altamente automatizada e com cerca de 200 funcionários — hoje, a atual planta própria da empresa, opera com 15 pessoas.
Além da produção, a companhia também estuda transferir seu centro de distribuição, atualmente localizado em Extrema, em Minas Gerais, para Santa Catarina, concentrando toda a operação no estado. Embora o mercado de suplementos esteja associado principalmente ao whey protein, a Always Fit seguiu um caminho diferente.
Hoje, a empresa possui mais de 180 produtos no portfólio. O foco está em categorias de bem-estar, vitaminas e suplementação cotidiana, com preços mais acessíveis e comunicação simplificada.
O principal produto da empresa é um composto com três tipos de magnésio chamado Pro-3 Magnésio. A marca também aposta em itens como melatonina, complexo B, NAC e fibras saborizadas — categorias menos exploradas pelas gigantes tradicionais do setor.
“Gostamos de pegar produtos que as pessoas já usam e melhorar a fórmula”, diz Zhang.
A decisão de ficar fora do whey protein, ao menos por enquanto, é estratégica. Segundo Zhang, a disputa por preço reduziu muito as margens da categoria. “A matéria-prima disparou e virou um mercado muito competitivo. A gente prefere atuar onde consegue ter diferencial.”
O próximo passo da Always Fit será a internacionalização. A companhia já abriu empresas nos Estados Unidos e em Hong Kong e prepara os primeiros testes de exportação. A ideia inicial é enviar dois produtos para o mercado americano e validar a aceitação antes de expandir o catálogo.
Se o teste funcionar, a empresa pretende estruturar uma operação digital mais robusta nos EUA. A partir de Hong Kong, o plano é usar a estrutura asiática como base para distribuir produtos globalmente.
“A gente quer testar rápido para entender se faz sentido expandir”, afirma Zhang. “Nosso planejamento é muito curto porque o mercado muda rápido. O que funciona hoje pode não funcionar daqui a um ano.”
A ambição, porém, é clara. Depois de buscar os R$ 500 milhões em 2026, a meta seguinte já está desenhada: alcançar R$ 1 bilhão em faturamento anual.
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