Além da covid-19: cinco vezes em que Gates previu uma pandemia – e acertou

Em 2015, Gates afirmou que "se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, provavelmente será um vírus infeccioso"

O segundo homem mais rico do mundo e fundador da Microsoft, Bill Gates, avisou o presidente americano Donald Trump sobre uma possível pandemia, como a do coronavírus, em 2016, quando o republicano assumiu a Presidência dos Estados Unidos — pelo menos é o que diz o site The Wall Street Journal.

O bilionário afirmou que, durante um encontro com Trump, assim que ele foi eleito, discutiu os perigos de doenças infecciosas e pediu para que o presidente priorizasse as preparações para lidar com um possível vírus. O mesmo conselho, de acordo com o site, foi dado aos outros candidatos à Presidência dos Estados Unidos durante as eleições.

Também em 2016, ele deu uma entrevista à rede britânica BBC, na qual afirmou que cruzava os dedos para que “uma pandemia ou uma grande gripe não acontecesse nos próximos dez anos” porque, para ele, o mundo estava extremamente vulnerável após os vírus da zika e do ebola.

Mas os anúncios de Gates sobre uma possível pandemia não foram feitos pela primeira vez em 2016. Dez anos atrás, em seu blog, ele falou sobre o surto de H1N1, que matou mais de 18.000 pessoas ao redor do mundo. “A história real não é o quão ruim a H1N1 é. A história real é que temos sorte de que não foi pior, porque estamos totalmente despreparados para isso”, escreveu ele em 2010. Gates acreditava que a pandemia de 2009 havia sido um recado para o mundo “acordar” e se preparar melhor para gerenciar epidemias. “Mais epidemias virão nas décadas futuras e não há garantias de que vamos ter sorte da próxima vez”, afirmou. Recentemente, a esposa de Gates, Melinda, afirmou que ela e o marido estocam comida há anos, prevendo um surto ou desastre.

Em 2015, durante um TED Talk que aconteceu no meio da epidemia do ebola (surto que deixou 11.000 mortos mundialmente), o bilionário afirmou que “se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, provavelmente será um vírus infeccioso, e não uma guerra. Você pode ter vírus nos quais as pessoas se sentem bem o suficiente enquanto estão infectadas e viajam de avião ou vão ao supermercado”, disse ele, sem saber que, cinco anos depois, a covid-19 seria perigosa principalmente por ser assintomática em alguns casos.

Dois anos depois, em 2017, em uma conferência em Munique, na Alemanha, Gates afirmou que “enxergava a ameaça de uma pandemia mortal empatada com guerras nucleares e mudanças climáticas. “Preparar-se para uma pandemia global é tão importante quanto a desnuclearização e a luta contra o aquecimento global”, afirmou ele.

Já em 2018, o bilionário afirmou que o mundo estava melhorando, mas que uma área em questão não estava progredindo: a de preparação contra pandemias. “Isso deveria nos preocupar. Porque, se a história nos ensinou alguma coisa, é que outra pandemia global vai acontecer”, disse. Nos últimos 20 anos, os estudos sobre coronavírus receberam 550 milhões de dólares, menos do que a metade do 1,2 bilhão de dólares (1,1% dos gastos globais) investido em pesquisas sobre o ebola, segundo uma análise feita por pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

Apesar dos avisos constantes e das doações que faz a projetos de pesquisas científicas por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, ele acha que não fez o suficiente. “Queria ter feito mais para chamar a atenção aos perigos das doenças infecciosas”, afirmou ele ao WSJ.

No final de abril, Gates publicou em seu blog que “todos podem trabalhar juntos para aprender sobre a covid-19 e desenvolver ferramentas para combatê-la.” Para ele, o coronavírus é “como uma guerra, mas todos estamos do mesmo lado.”

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