Air France tem plano para 8.300 demissões apesar de auxílio do governo

Os cortes podem afetar cerca de 17% dos trabalhadores diante da crise do coronavírus, embora o número possa mudar após negociações sindicais

A Air France prepara um programa de demissões voluntárias para cortar 8.300 empregos em uma tentativa de reduzir custos sem provocar uma reação política, depois de ter sido favorecida por um resgate maciço pelo Estado, disseram pessoas familiarizadas com a proposta.

A unidade da Air France-KLM mira a demissão voluntária de cerca de 300 pilotos, 2.000 tripulantes de cabine e 6.000 funcionários em terra, segundo as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque os planos não são públicos. Os cortes podem afetar cerca de 17% dos trabalhadores, embora isso possa mudar após negociações sindicais e administrativas, disseram elas.

Uma porta-voz da empresa sediada em Paris não quis comentar.

A segunda maior companhia aérea da Europa está se preparando para divulgar o plano nas próximas semanas, como parte de uma revisão estratégica determinada pelo CEO, Ben Smith. Os cortes serão adicionados a milhares de empregos sob risco no setor na Europa. A British Airways gerou uma tempestade política com movimentos para fechar 12.000 postos de trabalho, enquanto a Lufthansa pode ter 22.000 funcionários excedentes à medida que diminui suas operações.

Os cortes também atingiram a indústria em geral. Fraport, proprietária do aeroporto de Frankfurt, planeja fechar até 4.000 postos de trabalho pelas perdas causadas pelo coronavirus. O CEO Stefan Schulte disse que as negociações com os sindicatos começarão em breve.

TUI AG, a maior agência de viagens da Europa, também anunciou planos para cortar cerca de 580 empregos na França, ou 60% do total. As principais companhias aéreas, aeroportos e agências de viagens da Europa cortaram até agora cerca de 90.000 postos de trabalho.

A Air France-KLM está tentando a demissão de trabalhadores depois de receber um resgate de 7 bilhões de euros (US$ 7,9 bilhões) do governo francês, incluindo empréstimos diretos e financiamento comercial garantido pelo Estado. Nos termos do resgate, a unidade aérea francesa, que emprega 46.000 pessoas, concordou em reduzir em 40% a capacidade doméstica até o final do próximo ano e diminuir as emissões de carbono.

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