Adam Neumann, do WeWork, está de volta — e aposta nas criptomoedas

Após a repercussão da bolha financeira com as ações da WeWork, que culminou na saída do então CEO da empresa, Neumann parte para uma nova aventura no campo dos criptoativos
Adam Neumann, ex-CEO da WeWork (Michael Kovac/Getty Images)
Adam Neumann, ex-CEO da WeWork (Michael Kovac/Getty Images)
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Por Hannah Miller e Ellen Huet (Bloomberg Businessweek)

Publicado em 18/09/2022 às 08:36.

Última atualização em 18/09/2022 às 14:01.

Depois de ser publicamente destituído de seu cargo como CEO da WeWork Inc. em 2019, Adam Neumann ficou em silêncio por um período, viajando com a família e dando poucas entrevistas enquanto se produziam livros, podcasts e programas de TV fictícios sobre seu drama: cair em desgraça. Três anos depois, fica claro que Neumann despertou um novo interesse durante sua hibernação pós-WeWork: a criptomoeda.

Neumann ajudou a fundar duas startups distintas que envolvem criptomoedas: Flow e Flowcarbon. (Neumann disse recentemente que “flow”[fluxo] é uma de suas palavras favoritas.) A Flowcarbon usa a tecnologia blockchain para rastrear créditos de carbono, e a Flow, que aportou US$ 350 milhões da Andreessen Horowitz em agosto, é uma empresa imobiliária residencial. A Flow não divulgou os detalhes de seu plano, mas estes incluem uma carteira digital para lidar com criptomoedas, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que não quiseram ser identificadas ao discutir informações sigilosas. A carteira também ofereceria outros serviços financeiros, como permitir que os usuários se conectassem a uma conta bancária. (Alguns detalhes dos planos de criptografia da Flow foram relatados anteriormente pela Forbes).

Quem é Adam Neumann?

Durante seu tempo como CEO da WeWork, Neumann enfrentou alegações de gastos excessivos, conflitos de interesse e grandiosas excentricidades — então, após uma tentativa fracassada de oferta pública inicial, ele deixou a empresa, que caiu de uma avaliação privada de US$ 47 bilhões para um preço de negociação pública hoje de cerca de US$ 3 bilhões. Quando Andreessen Horowitz anunciou que estava investindo na Flow, os críticos questionaram por que alguém com o histórico de Neumann deveria continuar recebendo aportes.

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Dentro da indústria de criptomoedas, o que não falta são personalidades estranhas e mercantilismo desavergonhado e o passado de Neumann não parece estar causando muitas preocupações. Ele é “um fundador de classe mundial”, diz Michael Anderson, cofundador da empresa de capital de risco cripto, Framework Ventures. Afinal, um dos indiscutíveis pontos fortes de Neumann é criar modismo: ele levantou bilhões de investidores para a WeWork e transformou a simples sublocação de imóveis em uma aventura de negócios amplamente noticiada.

Após um boom impressionante, a indústria de ativos digitais foi assediada este ano por quedas acentuadas nos preços dos tokens e pelo interesse cada vez menor dos capitalistas de risco. Poderia usar um pouco da arrogância de Neumann agora. “Se ele puder construir algo tão grande quanto o WeWork novamente, acho que será realmente positivo para nossa indústria se houver um elemento de Web3”, diz Anderson.

O que Neumann almeja com as criptomoedas?

Neumann publicamente não demonstrou muito interesse em criptomoedas antes de se demitir da WeWork. Mas as startups que ele cofundou estão alinhadas com seus interesses passados ​​— e peculiaridades, assim como sua energia espiritual. O prospecto da WeWork observou a missão da empresa de “elevar a consciência do mundo” e sua crença no “poder de nós”. Essa mesma ideologia e missão infundiu a Flowcarbon, onde Neumann e a esposa, Rebekah Neumann, estão entre um grupo de cinco cofundadores. (O casal não possui funções operacionais.) A Flowcarbon usa uma moeda chamada “Goddess Nature Token” (Token da Deusa da Natureza).

A criptomoeda também pode fornecer uma nova maneira de Neumann realizar um de seus interesses de longa data: construir (e vender) uma comunidade. Neumann cresceu em Israel em um kibutz e incorporou seus ideais de comunidade e compartilhamento ao construir a WeWork. Ele se tornou poético sobre a criação de uma “geração nós” entre seus clientes e falou publicamente sobre dar a todos os funcionários da WeWork patrimônio na empresa, independentemente da função que exercessem.

Os tokens de criptografia oferecem uma nova maneira de construir um conceito de comunidade entre um grande grupo de pessoas. O investidor da Flow, Marc Andreessen, sugeriu em uma postagem no blog o interesse da empresa na conexão, dizendo que “dar aos locatários uma sensação de segurança, comunidade e propriedade genuína tem poder transformador em nossa sociedade”.

Não está claro exatamente qual será o elemento de criptomoeda da Flow, e os planos para a carteira podem mudar, mas uma possibilidade é um programa de recompensas que use blockchain, de acordo com pessoas familiarizadas com a startup. Atualmente, a Flow não tem planos de representar a propriedade ou aluguel de imóveis usando tokens criptográficos, dizem alguns.

Esse tipo de programa de recompensas poderia se encaixar no objetivo da Web3 de promover comunidades distribuídas. “Se o objetivo é construir uma comunidade enorme para dezenas, centenas de milhares de pessoas, então,  certamente a criptomoeda pode fazer sentido”, diz Stan Miroshnik, sócio e cofundador da 10T Holdings LLC, que investiu em ativos digitais de troca Kraken e Gemini Trust Co. Ele está curioso para ver o que Neumann vai preparar a seguir. “Saúdo a inovação em todas as suas formas”.

Para Miko Matsumura, sócio geral da empresa de criptomoedas Gumi Cryptos Capital, o investimento de Andreessen Horowitz na Flow sinaliza positivamente que ainda há capital fluindo para a criptomoeda. E embora dar uma segunda chance a Neumann possa afastar algumas pessoas, os investidores se orgulham de fazer coisas que vão contra a sabedoria convencional. “Quando se está no negócio de capital de risco, não se pode apoiar pessoas normais”, diz Matsumura.

Tradução de Anna Maria Dalle Luche.

(Bloomberg Businessweek)

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