Miguel Krigsner, fundador do O Boticário: “Muita gente não aguenta um ano sem tirar dinheiro do negócio. E isso não existe” (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 12 de abril de 2026 às 07h52.
Construir um negócio do zero no Brasil nunca foi tarefa simples. Fazer isso e transformá-lo em uma das maiores empresas de cosméticos do país é ainda mais raro.
Foi esse o caminho trilhado por Miguel Krigsner, fundador do O Boticário, que começou com uma pequena farmácia de manipulação em Curitiba e ajudou a criar um grupo com milhares de lojas e presença internacional.
Ao longo da sua trajetória, o empresário acumulou aprendizados que vão além do empreendedorismo, e ajudam a entender o que sustenta negócios e carreiras de longo prazo.
Em entrevista exclusiva à EXAME, Krigsner resume essa essência de empreender em três pilares.
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Antes de falar de estratégia, crescimento ou escala, Krigsner volta ao ponto mais básico, e muita vez negligenciado.
“Você precisa amar profundamente o que faz. Sem isso, não chega longe.”
Para ele, paixão não é um luxo ou um discurso motivacional. É o que sustenta o profissional ou empreendedor nos momentos difíceis, quando o retorno não vem, os erros aparecem e as dúvidas aumentam.
Mas essa paixão precisa estar conectada a algo maior.
“O negócio é ganhar dinheiro, mas não pelo dinheiro. É fazer diferença.”
Na prática, isso significa ter clareza de propósito: entender por que você faz o que faz, e qual impacto quer gerar.
Esse alinhamento é o que mantém consistência ao longo dos anos.
Nem todas as decisões ao longo da trajetória foram acertadas. Em determinado momento, Krigsner chegou a investir em áreas fora do seu universo principal e percebeu rapidamente que aquilo não fazia sentido.
“Eu cheguei a investir em um shopping em Curitiba, mas teve um momento em que me deu um clique de que aquilo não era para mim. Era um outro universo, totalmente diferente. E eu decidi sair”.
A experiência, embora difícil, reforçou uma convicção que ele carrega até hoje: negócios sustentáveis exigem mais do que oportunidade, exigem conexão real com o que se faz.
“Tem gente que investe em várias coisas, mas não entra com a alma. Isso não serve para mim”, diz.
Se a paixão sustenta, a perseverança constrói.
Krigsner é direto ao falar sobre o processo de empreender ou de crescer na carreira: ele é imperfeito, cheio de erros e ajustes constantes.
“Nenhum negócio nasce pronto. A cada erro, você aprende,” afirma.
O problema, segundo ele, é que muitos desistem cedo demais, especialmente quando os resultados não aparecem rapidamente.
“Muita gente não aguenta um ano sem tirar dinheiro do negócio. E isso não existe,” diz o empresário.
A lógica vale para qualquer trajetória profissional: crescimento consistente exige tempo, paciência e disposição para aprender com os próprios erros.
O terceiro pilar é, para ele, inegociável: ninguém constrói nada relevante sozinho.
Desde o início da sua trajetória, Krigsner destaca a importância de construir relações baseadas em confiança, transparência e benefício mútuo.
“Se não for uma relação de ganha-ganha, o negócio não se sustenta,” diz.
Isso vale para sócios, parceiros, fornecedores, e também para equipes.
Ao olhar para trás, a trajetória de Miguel Krigsner mostra que o sucesso não está necessariamente na ideia inicial, mas na forma como ela é construída ao longo do tempo.
Mais do que estratégia, os diferenciais estão em:
Empreender é, inevitavelmente, correr riscos. Mas, para Krigsner, o verdadeiro diferencial está em não se perder no meio deles.
Ao longo da sua trajetória, ele aprendeu que não basta enxergar oportunidades, é preciso também ter conexão com elas. Caso contrário, o risco deixa de ser estratégico.
Para ele, o sucesso está menos em apostar em tudo e mais em escolher bem onde colocar energia, tempo e reputação. Foi assim que o filho de sobreviventes do holocausto construiu uma empresa gigante de beleza que hoje fatura mais de R$ 30 bilhões.
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