Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS: “Ainda não temos a definição de preço, mas podemos adiantar que chegaremos de forma competitiva a esse mercado” (EMS/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de março de 2026 às 17h55.
Última atualização em 19 de março de 2026 às 18h21.
Com o fim da patente da semaglutida no Brasil, previsto para esta sexta-feira, 20 de março, a EMS se posiciona para entrar em uma nova etapa de sua estratégia: ampliar o acesso a terapias modernas com produção nacional e alta complexidade tecnológica, incluindo uma nova "caneta emagrecedora" que vai concorrer com Ozempic e Mounjaro.
Segundo Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, a companhia vem se preparando há mais de uma década para esse momento, com investimentos em ciência, inovação e infraestrutura.
“A EMS se preparou para esse momento ao longo de anos. Hoje contamos com produção nacional, capacidade tecnológica instalada e um compromisso permanente com rigor científico, qualidade e responsabilidade regulatória", afirma. "Ampliar o acesso com segurança é um dos pilares desse movimento”.
O principal deles foi a construção de uma planta em Hortolândia, SP, que recebeu mais de R$ 1,2 bilhão e tem capacidade inicial para produzir até 20 milhões de canetas por ano, com possibilidade de expansão.
Hoje, a EMS, segundo o executivo, é a única farmacêutica nacional a produzir peptídeos no Brasil, o que inclui medicamentos como a semaglutida, utilizada no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. A companhia vê esse movimento como um avanço não apenas para o negócio, mas para a indústria farmacêutica brasileira.
“Construir no Brasil uma estrutura industrial dessa complexidade é resultado de uma visão de longo prazo baseada em ciência, tecnologia e investimento consistente”, afirma Sanchez. “Isso fortalece a cadeia produtiva nacional e amplia a capacidade do país de competir globalmente em terapias de alta complexidade.”
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Apesar da preparação industrial, a empresa ainda não pode iniciar a produção ou comercialização da semaglutida. O medicamento aguarda aprovação regulatória da Anvisa, etapa obrigatória para entrada no mercado.
A companhia também não divulga, por enquanto, previsão de lançamento nem preço do produto.
“Ainda não temos a definição de preço, mas podemos adiantar que chegaremos de forma competitiva a esse mercado”, diz Sanchez. “Ampliar o acesso com segurança e qualidade é um dos pilares desse movimento.”
Com a produção local, a EMS busca reduzir a dependência externa e posicionar o Brasil em um novo patamar tecnológico. (EMS/Divulgação)
A entrada da EMS ocorre em um momento de forte expansão do mercado de medicamentos baseados em GLP-1, classe que inclui a semaglutida e que vem ganhando protagonismo global, especialmente no tratamento da obesidade.
Com a produção local, a empresa busca reduzir a dependência externa e posicionar o Brasil em um novo patamar tecnológico.
Para a companhia, o fim da patente representa um ponto de equilíbrio entre inovação e acesso.
“A proteção adequada das patentes é fundamental para estimular a inovação. Ao mesmo tempo, o término desse período abre espaço para ampliar o acesso da população a tratamentos importantes”, afirma o executivo.
A estratégia da EMS não começa agora. A empresa já atua nesse segmento com medicamentos à base de liraglutida, como LIRUX e OLIRE, lançados no Brasil em 2025.
Segundo Joaquim Alves, diretor da Unidade de Prescrição Médica da EMS, essa experiência foi fundamental para preparar a companhia.
“A produção nacional pode contribuir para ampliar o acesso a tratamentos modernos. Esse é um caminho importante para o fortalecimento da indústria brasileira e para a evolução do cuidado em saúde”, afirma.
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Apesar da expiração da patente, medicamentos como a semaglutida não são classificados como genéricos.
Isso porque envolvem processos industriais altamente complexos e exigem um caminho regulatório diferente, com comprovação robusta de qualidade, segurança e eficácia.
“Produtos desse tipo exigem tecnologia avançada de produção e um conjunto robusto de evidências”, diz Iran Gonçalves Júnior, diretor médico da EMS.
A tecnologia utilizada pela empresa é baseada em síntese química em fase sólida, um processo altamente controlado que permite gerar moléculas com elevado grau de pureza.
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Para a EMS, o avanço vai além do lançamento de um novo medicamento. A empresa, segundo o vice-presidente, aposta que a produção local de terapias de alta complexidade pode fortalecer a autonomia tecnológica do Brasil e ampliar o acesso da população a tratamentos inovadores.
Com presença em mais de 60 países e cerca de 7,3 mil funcionários, a EMS possui unidades produtivas em Hortolândia (SP), Jaguariúna (SP), Brasília (DF), Anápolis (GO), São Jerônimo (RS) e Manaus (AM), onde opera com a Novamed, fábrica de medicamentos sólidos. Também mantém presença internacional na Sérvia, com a farmacêutica Galenika, na Itália com o centro de pesquisas Monteresearch, e nos Estados Unidos por meio da Vero Biotech e da Brace Pharma.