Donald Trump, presidente dos EUA, ao lado do líder chinês, Xi Jinping, durante visita à China (Brendan Smialowski/AFP)
Repórter
Publicado em 14 de maio de 2026 às 15h11.
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que divergências sobre Taiwan podem levar as relações entre os dois países a “um lugar muito perigoso”.
O alerta foi feito nesta quinta-feira, 14, durante uma reunião reservada entre os líderes das duas maiores economias do mundo, em Pequim, segundo informações da agência Reuters.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, o encontro durou mais de duas horas. As declarações de Xi sobre Taiwan, ilha governada democraticamente e reivindicada por Pequim, ocorreram em meio a uma agenda marcada por discussões comerciais e estratégicas entre os dois governos.
A agência estatal chinesa Xinhua informou que Xi declarou a Trump que a má condução da questão de Taiwan pode provocar confronto entre os países.
Taiwan permanece como um dos principais pontos de tensão entre Washington e Pequim. A ilha fica a cerca de 80 quilômetros da costa sudoeste chinesa. Enquanto a China afirma que poderá recorrer à força militar para assumir o controle do território, os Estados Unidos mantêm compromisso legal de fornecer meios de defesa a Taipei.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que integra a comitiva americana na China, confirmou à NBC News que Taiwan esteve entre os assuntos tratados. Segundo ele, os chineses “sempre levantam o tema”, enquanto os EUA reafirmam sua posição antes de avançar para outras pautas.
O governo americano concentrou o resumo oficial da reunião em temas ligados à economia e matriz energética. Entre os pontos citados está a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima afetada pela guerra com o Irã. Também houve discussão sobre o interesse chinês em ampliar compras de petróleo americano para reduzir a dependência de fornecedores do Oriente Médio.
A visita ganhou peso político para Trump em meio aos impactos da guerra contra o Irã sobre sua popularidade interna. O encontro marca a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à China em quase uma década.
“Há quem diga que esta pode ser a maior cúpula de todos os tempos”, afirmou Trump durante a cerimônia de abertura no Grande Salão do Povo, em Pequim. O evento contou com guarda de honra e recepção com crianças segurando flores e bandeiras.
Xi declarou que as negociações preparatórias entre representantes econômicos e comerciais dos dois países, realizadas na Coreia do Sul na quarta-feira, alcançaram “resultados equilibrados e positivos”, segundo o governo chinês.
As conversas buscam preservar a trégua comercial firmada no encontro anterior entre os líderes, em outubro. Na ocasião, Trump suspendeu tarifas elevadas sobre produtos chineses, enquanto Xi recuou de restrições ao fornecimento global de terras raras.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou esperar avanços na criação de mecanismos para apoiar o comércio e investimentos bilaterais. Ele também mencionou a possibilidade de anúncios relacionados a encomendas chinesas de aeronaves da Boeing.
Trump afirmou nesta semana que esperava que Xi abordasse a venda de armas americanas para Taiwan. O pacote de US$ 14 bilhões em negociação ainda depende de aprovação do governo americano, enquanto Pequim mantém oposição às vendas.
Marco Rubio declarou à NBC que a política americana sobre Taiwan “permanece inalterada”. Durante visita ao Templo do Céu, patrimônio mundial da Unesco, Trump evitou responder perguntas sobre o tema feitas por jornalistas.
O governo de Taiwan afirmou que não houve surpresa nas discussões da cúpula e disse que a pressão militar chinesa representa a principal ameaça à estabilidade regional.
Durante o jantar oficial oferecido a Trump e empresários americanos, Xi afirmou que a relação entre China e Estados Unidos é “a mais importante do mundo”. O banquete incluiu sopa de lagosta, pato ao estilo Pequim e tiramisu.
A delegação americana reúne executivos de grandes empresas, entre eles Elon Musk e Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia. A visita também ocorre após os EUA autorizarem a compra do chip de inteligência artificial H200, da Nvidia, por empresas chinesas, embora as entregas ainda não tenham sido concluídas.
Trump iniciou as negociações em meio a desafios internos. Decisões judiciais limitaram sua capacidade de impor tarifas sobre produtos chineses, enquanto a guerra contra o Irã elevou pressões inflacionárias nos EUA e ampliou riscos eleitorais para o Partido Republicano nas eleições legislativas de novembro.
Washington também busca ampliar vendas de produtos agrícolas e energia para a China como forma de reduzir o déficit comercial entre os países.