Xamã Aymará faz ritual para a Mãe Terra em 1 de agosto de 2014, em La Cumbre, Bolívia (AFP)
Repórter
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 08h01.
Um grupo de xamãs peruanos – líderes espirituais pertencentes às populações e tradições americanas pré-coloniais – se reuniu em Lima no fim do ano passado para conduzir um ritual anual de vidência.
No evento, que ocorreu em dezembro, os xamãs previram a queda de Nicolás Maduro – deposto após invasão americana no começo desse mês – e que conflitos globais, especificamente a guerra na Ucrânia, irão continuar.
“Pedimos que Maduro saia, que se aposente, que o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, o remova do poder, e visualizamos que isso acontecerá no próximo ano”, disse à AP a xamã Ana María Simeón.
Em 2024, o grupo previu que a guerra em Gaza – que desde então passou por diversos cessar-fogo que não duraram – evoluiria para um conflito nuclear.
No ano anterior, também previram que o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, condenado por abusos aos direitos humanos, morreria dentro de 12 meses.
Fujimori faleceu de câncer em setembro de 2024 aos 86 anos.
Os xamãs se reúnem todos os anos no mesmo local e conduzem suas sessões de clarividência para o novo ano, incluindo o curso das relações internacionais e de conflitos ativos, e o destino de líderes mundiais.
Trajados com as roupas tradicionais das tribos dos andes, com ponchos e cocares, os místicos novamente se juntaram e produziram o conjunto de previsões para 2026.
Objetos sagrados, como flores, folhas de coca, espadas e outros artefatos, são postos em reverência sobre panos especiais em preparação para a cerimônia.
Os rituais envolvem a ingestão de bebidas alucinógenas derivadas de plantas locais, como a Ayahuasca e o Cacto de São Pedro, que, de acordo com a tradição, os concede o poder de prever o futuro.
Durante a cerimônia, que também conta com intensas danças ao som de instrumentos musicais antigos e incensos intoxicantes os xamãs não só adquirem clarividência, mas fazem pedidos, como paz em áreas de conflito e orientação para figuras poderosas na liderança de nações.
Xamãs, também chamados de curandeiros, eram líderes espirituais importantes das sociedades em todas as Américas antes da colonização.
Basicamente todas as culturas do Novo Mundo, dos Pajés brasileiros aos curandeiros nos andes e os “Shamans” na América do Norte, apresentavam uma figura de status semelhante.
Rituais, que variam de clarividência, processos de cura, encontros diplomáticos e práticas funerárias, incluíam o uso de diversas substâncias alucinógenas, ingeridas por meio de bebidas e em alguns casos fumadas.