WhatsApp na Rússia: aplicativo acusa governo de tentar bloqueio total para favorecer serviço estatal, segundo a Reuters (Getty Images)
Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 07h28.
O WhatsApp acusou nesta quinta-feira, 12, autoridades da Rússia de tentar bloquear completamente o serviço no país para forçar usuários a migrarem para um aplicativo estatal, segundo a Reuters.
A empresa, controlada pela Meta Platforms, afirmou que a medida teria como objetivo impulsionar um serviço apoiado pelo governo russo, que, segundo críticos, poderia ser usado para vigilância.
Em comunicado citado pela Reuters, o WhatsApp declarou que isolar mais de 100 milhões de usuários de comunicações privadas e seguras seria um retrocesso e poderia reduzir a segurança das pessoas na Rússia. A empresa afirmou que continuará tentando manter os usuários conectados.
Segundo a agência internacional, alguns domínios associados ao WhatsApp desapareceram do registro nacional de nomes de domínio da Rússia, o que fez com que dispositivos no país deixassem de receber os endereços IP do aplicativo. Com isso, o acesso passou a ser possível apenas por meio de redes privadas virtuais (VPN).
De acordo com a Reuters, o Roskomnadzor iniciou restrições ao WhatsApp e a outros aplicativos de mensagens em agosto, impedindo chamadas telefônicas pelas plataformas. O regulador acusou as empresas estrangeiras de não compartilharem informações com autoridades em investigações relacionadas a fraudes e terrorismo.
Em dezembro, o órgão anunciou novas medidas para restringir gradualmente o aplicativo, alegando que o WhatsApp continuava a violar a legislação russa e que era utilizado para organizar atos terroristas, recrutar envolvidos e cometer fraudes e outros crimes.
Segundo a agência, muitos russos passaram a acessar o WhatsApp apenas com o uso de VPN ou migraram para aplicativos concorrentes, como o Telegram, que também enfrenta pressão das autoridades.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que existe possibilidade de acordo caso a Meta entre em diálogo com as autoridades e cumpra a legislação local. Segundo ele, se a empresa mantiver uma posição inflexível e não se alinhar às leis russas, não haverá entendimento.
As autoridades russas bloqueiam ou restringem redes sociais como Snapchat, Facebook, Instagram e YouTube. Paralelamente, promovem o aplicativo estatal MAX, que integra serviços governamentais.