Vídeo de violência policial gera críticas em Hong Kong

Vídeo divulgado mostra vários agentes policiais agredindo um manifestante. Ministro da Segurança afirmou que policiais foram suspensos

Hong Kong - A Polícia de Hong Kong recebeu fortes críticas nesta quarta-feira, após a divulgação de um vídeo no qual vários agentes agridem um manifestante, em uma noite de muitos confrontos entre os ativistas pró-democracia e as forças de segurança.

O ministro da Segurança da ex-colônia britânica, Lai Tung-kwok, anunciou que os policiais foram suspensos após o incidente, que ocorreu quando barricadas eram removidas.

Milhares de pessoas voltaram a se reunir nas últimas horas desta quarta-feira no bairro de Admiralty, um dos locais ocupados pelo setor pró-democracia há mais de duas semanas. Vários líderes do movimento de protesto discursaram pedindo aos manifestantes que reajam pacificamente à violência.

"O principal é que o povo tenha se dado conta de como a polícia se torna corrupta com um governo que não representa o povo de Hong Kong", declarou Kay Wong, um assistente de pesquisa de 25 anos. "Fiquei chocado com a violência da polícia ontem à noite", acrescentou.

Há dois dias, policiais armados tentam retirar das ruas os manifestantes que ocupam três áreas em Hong Kong, aumentando a tensão.

As imagens da agressão, exibidas pelo canal TVB, parecem ter sido gravadas na terça-feira à noite, durante confrontos entre policiais e ativistas que tinham acabado de erguer barricadas.

No vídeo, seis policiais à paisana arrastam um manifestante algemado para uma parte afastada de um parque na região dos ministérios, no bairro de Admiralty.

O manifestante foi obrigado a ficar no chão. Um oficial aparece agredindo a vítima com socos, enquanto outros três chutam o manifestante. A agressão durou quatro minutos.

"A polícia está preocupada com o incidente e abrirá uma investigação imparcial", declarou o ministro da Segurança, acrescentando que "os policiais envolvidos no incidente foram suspensos de suas funções".

O Partido Cívico, um dos movimentos pró-democracia de Hong Kong, identificou a vítima como Ken Tsang, um de seus integrantes.

O líder estudantil Joshua Wong declarou que os manifestantes, que já estavam revoltados depois de terem sido atacados com bombas de gás lacrimogêneo em 28 de setembro, perderam qualquer confiança na polícia.

"O que a polícia deveria ter feito era escoltar o manifestante até a viatura, e não levá-lo para longe, agredi-lo com socos e chutes durante quatro minutos", disse.

A Anistia Internacional também condenou o ataque, considerado "brutal".

Manifestantes e policiais entraram em conflito na manhã desta quarta-feira, quando as forças de segurança começaram a desmantelar uma nova barricada posicionada em um túnel próximo a prédios do governo.

Quarenta e cinco pessoas foram detidas e quatro policiais ficaram feridos, segundo as autoridades.

Os bloqueios de importantes vias iniciados em 28 de setembro afetaram consideravelmente as atividades em Hong Kong e a vida cotidiana dos mais de sete milhões de habitantes do território semiautônomo, que enfrenta sua maior crise política desde a devolução para a China, em 1997.

Em desafio aberto à tutela chinesa, os manifestantes exigem a possibilidade de escolher livremente o próximo chefe do Executivo de Hong Kong, em 2017. Mas o Partido Comunista Chinês teme um contágio das reivindicações para seu território e já deixou claro que não quer abrir mão do controle sobre o processo eleitoral.

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