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Venezuela perde assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Catorze dos 47 assentos deste órgão da ONU com sede em Genebra estavam em disputa em uma votação em que os países se apresentam divididos por regiões

A América Latina tinha dois assentos livres e, em geral, cada grupo regional pré-seleciona seus candidatos, eleitos pela maioria da Assembleia Geral (chrispecoraro/Getty Images)

A América Latina tinha dois assentos livres e, em geral, cada grupo regional pré-seleciona seus candidatos, eleitos pela maioria da Assembleia Geral (chrispecoraro/Getty Images)

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AFP

11 de outubro de 2022, 17h49

A Venezuela perdeu, nesta terça-feira, 11, seu assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU, depois de fracassar em sua tentativa de reeleição frente às candidaturas do Chile e da Costa Rica, um resultado que faz Rússia e China perderem um aliado fiel.

Catorze dos 47 assentos deste órgão da ONU com sede em Genebra estavam em disputa em uma votação em que os países se apresentam divididos por regiões.

A América Latina tinha dois assentos livres e, em geral, cada grupo regional pré-seleciona seus candidatos, eleitos pela maioria da Assembleia Geral.

Nesse caso, três países se apresentaram e na votação, que foi secreta e sem discursos, o Chile obteve 144 votos; a Costa Rica, 134, e a Venezuela, 88.

Em setembro passado, um relatório da ONU denunciou que os serviços de inteligência da Venezuela cometem crimes contra a humanidade sob as ordens de altas esferas do governo.

"Agressão brutal contra opositores"

Várias organizações não governamentais pediram para não votar na Venezuela.

"Uma ótima notícia que a Assembleia Geral da ONU tenha rejeitado a candidatura da Venezuela para sua reeleição ao Conselho de Direitos Humanos", reagiu em um tuíte Louis Charbonneau, diretor para a ONU da ONG Human Rights Watch.

Antes da votação, Charbonneau disse que "a agressão brutal contra opositores na Venezuela faz com que o país não tenha as credenciais para pertencer ao órgão máximo dos direitos humanos da ONU".

Segundo a ONG Cofavic, em 2021 na Venezuela houve mais de 200 ataques contra ativistas de direitos humanos, inclusive detenções arbitrárias e revistas.

Com a saída da Venezuela, China e Rússia perderam um aliado de peso nesta entidade da ONU, que nos últimos meses está mais dividido do que nunca, desde sua criação em 2006.

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A composição deste conselho importa, especialmente em um contexto de profundas tensões geopolíticas que acabam sendo debatidas em Genebra.

A votação ocorreu após uma sessão em 16 de outubro, na qual pela primeira vez tentou-se discutir e aprovar resoluções sobre a situação na China, que foram freadas por vários países, entre eles Cuba e Venezuela.

"A Venezuela tem sido um aliado constante, tanto da China quanto da Rússia neste conselho", disse à AFP Tess McEvoy, da ONG International Service for Human Rights (ISHR).

Esta posição "foi confirmada uma vez mais na semana passada, quando [Caracas] se opôs a um simples debate sobre o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre Xinjiang e na votação (...) na qual foi pedido um relator especial sobre a situação na Rússia", acrescentou.

O presidente chileno, Gabriel Boric, comemorou a entrada de seu país no órgão.

"Soubemos da excelente notícia de que obtivemos como país a maioria da região na votação para integrar o Conselho dos Direitos Humanos", disse o presidente.

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