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Venezuela anuncia libertação de presos políticos com 'intenção de buscar a paz'

Presidente da Assembleia Nacional do país afirmou que as solturas teriam início imediato, mas não informou o número exato de pessoas beneficiadas

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 15h28.

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Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, anunciou nesta quinta-feira, 8 de janeiro, a liberação de diversos presos por razões políticas, entre eles cidadãos estrangeiros. Segundo ele, as solturas teriam início imediato, embora não tenha sido informado o número exato de pessoas beneficiadas.

Essa é a primeira medida do tipo adotada sob a gestão temporária de Delcy Rodríguez, que ocupa interinamente a presidência desde a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em 3 de janeiro. Na ocasião, o presidente deposto Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados sob custódia para Nova York, onde enfrentam processos judiciais por crimes como narcotráfico.

Jorge Rodríguez afirmou que a iniciativa busca promover uma convivência pacífica no país e negou que tenha havido qualquer tipo de negociação para a realização das solturas. Ele também agradeceu a atuação de figuras internacionais que apoiaram a medida, entre eles o ex-chefe de governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e representantes do governo do Catar.

"É um gesto unilateral do governo bolivariano. Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica", disse o presidente da Assembleia Nacional em coletica de imprensa. 

Quantas pessoas estão presas na Venezuela por motivos políticos?

A ONG Foro Penal estima que há atualmente 806 pessoas detidas por razões políticas na Venezuela, incluindo 175 membros das Forças Armadas. Em 2024, a organização apontou que o país havia atingido o maior número de presos políticos em 25 anos, com aproximadamente 1.780 indivíduos encarcerados.

Naquele período, o número de prisões aumentou de forma significativa após as eleições de 28 de julho, cujos resultados foram contestados e levaram à proclamação de Nicolás Maduro como presidente eleito. Entre os detidos, 114 eram menores de idade.

Antes do pleito, os registros da ONG indicavam a existência de 199 presos políticos. Um mês após a eleição, mais 1.581 pessoas foram presas, elevando o total para 2,4 mil. Desde então, mais de 2 mil detentos foram liberados, segundo dados oficiais.

Em dezembro, no dia de Natal, o governo venezuelano anunciou a soltura de 99 pessoas presas durante os protestos contra a reeleição de Maduro, informou Ministério do Serviço Penitenciário.

“O governo nacional da Venezuela e o sistema de Justiça decidiram avaliar caso a caso e conceder, de acordo com a lei, medidas cautelares, o que permitiu a libertação de 99 cidadãos, como expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a Justiça”, disse a pasta, em nota.

Como foi a invasão dos EUA à Venezuela?

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

(Com informações das agências O Globo e AFP)

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