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Uruguai convoca embaixador brasileiro por declarações de Bolsonaro

Presidente defendeu a oposição no país e afirmou esperar a vitória de grupo que seria "mais alinhado com pensamentos liberais e econômicos"

A chancelaria uruguaia convocou nesta quinta-feira (31) o embaixador brasileiro Antônio Simões para pedir explicações sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro envolvendo as eleições no Uruguai, informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

"O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da República Federativa do Brasil no Uruguai, senhor Antônio Simões e lhe solicitou explicações sobre as expressões vertidas pelo senhor presidente Jair Bolsonaro ao jornal 'O Estado de São Paulo' em 29 de outubro, relacionadas com o processo eleitoral que se desenvolve em nosso país", diz a nota oficial.

Bolsonaro fez declarações ao jornal O Estado de São Paulo sobre os processos eleitorais no Uruguai e na Argentina, onde o peronista Alberto Fernández foi eleito em uma chapa com a ex-presidente Cristina Kirchner. O presidente não parabenizou a dupla pela vitória.

"O Uruguai foi para o segundo turno, tem a situação, que vem da política do Pepe Mujica, e uma oposição que é mais alinhada com nossos pensamentos liberais e econômicos. Esperamos, torcemos que aconteça a eleição de alguém mais ligado ao nosso time, aí teríamos o Uruguai afinado conosco", disse Bolsonaro em entrevista ao jornal.

"Não tivemos nenhum problema com o Uruguai no tocante à economia com o atual presidente, mas temos de nos preparar sempre para o pior, porque você não pode dizer que foi surpreendido com os fatos. A política não acontece de uma hora para outra", acrescentou.

O candidato da oposição no Uruguai, o ex-senador Luis Lacalle Pou (Partido Nacional, centro-direita), criticou na quarta-feira as declarações de Bolsonaro sobre as eleições uruguaias.

"Acho que não é bom que os políticos, e nesse caso governantes, opinem sobre o que pode acontecer em outro país", disse Lacalle Pou em declaração ao jornal uruguaio El Observador.

"O Uruguai, por sorte, não decide sobre o que os brasileiros pensam, decide sobre o que lhe diz respeito e sobre o que os uruguaios precisam", disse o advogado de 46 anos que concorrerá com o candidato do governo Daniel Martínez, um engenheiro de 62, em 24 de novembro para definir sobre o próximo presidente do Uruguai.

Martínez disse em uma entrevista recente à AFP antes do primeiro turno que se vencer deverá negociar com Bolsonaro como presidente.

"Há valores que Bolsonaro expressa e coisas que ele faz que, obviamente, não vou mentir, seria hipócrita se eu dissesse que gosto", afirmou. "Também não gosto de (Donald) Trump. Isso não quer dizer que teremos problema", porque "meu dever é buscar melhorar as relações entre os povos".

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