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União Europeia imporá teto de US$ 60 ao barril de petróleo russo

A Polônia, que reivindicava um preço ainda mais baixo, finalmente retirou suas objeções e a medida será oficializada no fim de semana

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AFP

Publicado em 2 de dezembro de 2022, 17h32.

Última atualização em 2 de dezembro de 2022, 18h40.

Os 27 países-membros da União Europeia (UE) chegaram a um acordo para impor um preço máximo de US$ 60 por barril ao petróleo russo, uma medida inédita para tentar privar Moscou de uma importante fonte de financiamento da invasão da Ucrânia.

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A Polônia, que reivindicava um preço ainda mais baixo, finalmente retirou suas objeções e a medida será oficializada no fim de semana, informou o representante polonês na UE, Andrzej Sados, em Bruxelas.

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O dispositivo foi desenvolvido em coordenação com os países do G7 (grupo das economias ocidentais mais avançadas do mundo) e, em particular, com Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.

O governo americano saudou o acordo, o qual, segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, "ajudará a limitar a capacidade de [ presidente russo, Vladimir] Putin de se beneficiar com o mercado petroleiro para financiar uma máquina de guerra que continua matando ucranianos inocentes".

A Rússia arrecadou € 67 bilhões (cerca de US$ 70 bilhões) de suas vendas de petróleo bruto para os países da UE desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro deste ano, de acordo com Phuc-Vinh Nguyen, especialista em temas energéticos do Instituto Jacques Delors.

Essa soma é superior ao orçamento militar anual da Rússia, que gira em torno de € 60 bilhões.

O mecanismo da UE proibirá os petroleiros de transportarem petróleo russo para os países da UE a um preço superior a US$ 60.

As seguradoras europeias também não poderão assinar apólices acima desse teto. Esta medida tem como objetivo limitar a receita obtida, por parte da Rússia, com suas exportações para países como China e Índia. Nenhum dos dois impõe qualquer tipo de sanção a Moscou.

A Rússia é o segundo maior exportador mundial de petróleo e, sem essas medidas, seria fácil para ela encontrar novos mercados.

Os países do G7 fornecem, por sua vez, serviços de seguro para 90% da carga mundial, e a UE é um ator importante no transporte marítimo. Essa posição proporciona a eles um claro elemento dissuasório, mas representa, ao mesmo tempo, um risco de perder mercados para novos entrantes.

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Impacto limitado

Principal referência do petróleo bruto russo, o barril de petróleo dos Urais está sendo cotado a cerca de US$ 65, pouco acima do teto imposto pela UE. Desse modo, a medida terá um impacto limitado no curto prazo.

Estreito aliado da Ucrânia, a Polônia propôs um limite de US$ 30, segundo diferentes fontes. As potências ocidentais também devem levar em conta, no entanto, os interesses das seguradoras britânicas e dos armadores gregos de navios mercantes. Devem, ainda, considerar a necessidade de o teto estabelecido ser superior ao dos custos de produção, para evitar que a Rússia corte suas exportações.

"Impor um teto para os preços do petróleo é algo nunca visto antes. Entramos em um terreno desconhecido", disse o especialista Phuc-Vinh Nguyen.

Na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, advertiu sobre as "graves consequências" de qualquer tentativa de impor um teto ao preço do petróleo de seu país.

Alguns especialistas temem uma desestabilização do mercado mundial de petróleo e se perguntam qual será a reação dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que se reúnem em Viena, no domingo, 4.

A Rússia já avisou que não entregará petróleo aos países que pretendam impor um preço máximo às suas exportações de hidrocarbonetos.

A UE já havia decidido proibir os países do bloco de comprar petróleo russo por via marítima, a partir de 5 de dezembro. Esta medida eliminaria dois terços das compras europeias de petróleo russo.

Esses instrumentos chegam vários meses depois dos embargos ao petróleo bruto russo, impostos pelos Estados Unidos e pelo Canadá. Alemanha e Polônia também já haviam decidido encerrar suas importações por meio de oleoduto antes do fim do ano.

Com este arsenal de medidas, 90% das exportações russas de petróleo bruto para a UE serão afetadas, afirmam especialistas europeus.

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