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Uma nova guerra no Golfo? Irã pede união a países vizinhos

Arábia Saudita e Estados Unidos acusam o Irã pelos ataques de 14 de setembro contra duas instalações petroleiras sauditas
 (Reuters/WANA (West Asia News Agency))
(Reuters/WANA (West Asia News Agency))
Por AFPPublicado em 22/09/2019 11:10 | Última atualização em 22/09/2019 11:10Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O Irã rejeitou neste domingo a presença de "forças estrangeiras" no Golfo Pérsico e anunciou que apresentará na ONU esta semana um plano de cooperação regional de segurança para a região, que é vital para o abastecimento mundial de petróleo.

O Golfo vive um "momento sensível de importância histórica", declarou o presidente iraniano Hassan Rohani antes de um desfile militar em Teerã.

Arábia Saudita e Estados Unidos acusam o Irã pelos ataques de 14 de setembro contra duas instalações petroleiras sauditas.

Teerã nega qualquer responsabilidade nos ataques, reivindicados pelos rebeldes huthis iemenitas, que têm o apoio do regime iraniano.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, anunciou na sexta-feira 20 que diante da "escalada drástica das agressões iranianas" que seu país enviará ao Golfo reforços militares "de natureza defensiva".

Depois de cogitar uma possível resposta militar, o presidente americano, Donald Trump, se mostrou menos inclinado a este tipo de represálias e citou uma "solução pacífica", antes de anunciar novas sanções contra Teerã.

Rohani afirmou que a "resistência e a unidade" do povo iraniano acabariam com o "terrorismo econômico" de Washington.

No discurso, o presidente do Irã advertiu que presença de forças estrangeiras "aumenta a insegurança no Golfo". "Sua presença sempre trouxe dor e desgraça à região", afirmou, antes de apontar "aqueles que querem fazer do Irã o responsável pelos males da região". "Quanto mais longe estiverem de nossa região, mais segurança existirá", completou.

"Do nosso ponto de vista, a segurança do Golfo Pérsico vem de dentro. A segurança do Golfo Pérsico é endógena, a segurança do estreito de Ormuz é endógena. As forças estrangeiras são fonte de problemas e insegurança para nosso povo e para a região", destacou.

A cada 22 de setembro, o regime iraniano celebra o Dia da Sagrada Defesa para recordar a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988). Rohani reiterou que seu país "estende a mão da amizade e da fraternidade" aos demais países do Golfo.

Plano de cooperação regional

Em uma referência aos vizinhos árabes do Golfo com os quais o Irã mantém relações tensas, como Arábia Saudita ou Emirados Árabes Unidos, Rohani disse que seu governo está "inclusive disposto a ignorar seus erros passados".

"Porque hoje a situação é tal que os inimigos do islã e da região, ou seja, Estados Unidos e o sionismo, querem fazer um uso ruim de nossas divisões", acrescentou.

Rohani anunciou que o Irã apresentará na Assembleia Geral da ONU, que começa na terça-feira em Nova York, um plano de cooperação regional para garantir a segurança "do Golfo Pérsico, do estreito de Ormuz e do mar de Omã", com a "ajuda dos países da região".

O presidente iraniano, que não revelou detalhes sobre sua iniciativa de segurança regional, deve discursar na quarta-feira na tribuna da Assembleia.

A tensão entre Teerã e Washington não para de aumentar desde que o governo dos Estados Unidos se retirou unilateralmente, em maio de 2018, do acordo sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015.

O governo americano retomou as sanções contra o regime iraniano.

Em junho, a destruição de um drone americano pelo Irã provocou o temor de uma escalada.

Os ataques de 14 de setembro, que reduziram à metade a produção de petróleo saudita e provocaram a disparada do preço do petróleo, aumentaram ainda mais a preocupação.

Esper afirmou que o novo envio de forças americanas ao Golfo, que em suas palavras será "moderado", é "uma primeira medida" de resposta aos ataques, a pedido da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

No sábado, o comandante da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, Hossein Salami, advertiu que qualquer país que atacar a República Islâmica verá seu território transformado em "campo de batalha".