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Ultimato de Trump ao Irã acaba nesta terça-feira — entenda o que está em jogo

Líder americano prometeu destruir todas as usinas de energia e pontes iranianas em quatro horas

Donald Trump, presidente dos EUA, em entrevista coletiva na Casa Branca (Kent Nishimura/AFP)

Donald Trump, presidente dos EUA, em entrevista coletiva na Casa Branca (Kent Nishimura/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 7 de abril de 2026 às 06h01.

Última atualização em 7 de abril de 2026 às 06h04.

O presidente Donald Trump encontrou no Irã o maior desafio de seu governo até agora, ao iniciar uma guerra que se aproxima de 40 dias. Nesta terça-feira, 7, ele terá mais uma chance de dar passos para fora deste labirinto, ou de se embrenhar ainda mais nele.

Às 21h (horário de Brasília), vence o prazo que Trump deu para que o Irã aceite um acordo e reabra o Estreito de Ormuz. Em caso de recusa, ele ameaçou fazer um ataque tão forte que levaria o país de volta à "idade da pedra".

A ameaça se refere apenas ao estreito, e não envolve um cessar-fogo. Se o Irã ceder, evitaria novos ataques, mas os EUA não se comprometeram a parar com os bombardeios atuais, que miram instalações militares e nucleares do país.

Na segunda-feira, 6, Trump concedeu uma entrevista coletiva e renovou as ameaças. "Estamos indo inacreditavelmente bem, em um nível que ninguém nunca viu antes. O país inteiro poderia ser tomado em uma noite, e esta noite pode ser amanhã [terça]", disse.

Ele chegou a dar um cronograma."Todas as pontes e usinas de energia do Irã estarão dizimadas até meia-noite de amanhã [terça]. Todas estarão fora de operação, queimadas e explodidas e nunca serão usadas de novo. Isso vai acontecer em um período de quatro horas, se quisermos", afirmou.

Durante a coletiva, de cerca de 1h30, Trump alternou ameaças com possibilidades de acordo, mas sem deixar claro o que espera dos iranianos além da abertura do estreito.

"Temos participantes muito ativos do outro lado, eles gostariam de fazer um acordo. Não posso falar mais do que isso", disse, ao ser perguntado sobre a possibilidade de um cessar-fogo.

Trump disse, ainda, que não quer destruir as coisas. "Deus não gosta do que está acontecendo. Eu não gosto de ver pessoas sendo mortas", afirmou.

A ambiguidade no discurso tem sido constante desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Trump vem reafirmando que seu objetivo principal é impedir o Irã de obter uma bomba nuclear e acabar com sua capacidade militar, mas não deixa claro até onde pretende ir nessa guerra.

Trump repetiu diversas vezes que a Marinha do Irã foi destruída e que o país não tem mais controle dos céus do país. No entanto, o Estreito de Ormuz está fechado pelos iranianos, e um caça americano foi abatido na semana passada em território iraniano.

A megaoperação de resgate, organizada pelos americanos para buscar dois pilotos que escaparam da queda de seus aviões, foi apresentada como um sucesso e mais uma prova do poder militar americano.

No entanto, o líder americano já deu outros ultimatos nas últimas semanas, que foram prorrogados, o que gera dúvidas se um novo adiamento será anunciado nesta terça.

Risco de escalada

Na terça, os iranianos negaram uma proposta de cessar-fogo, pois o governo do país quer um "fim definitivo" ao conflito. O país ofereceu um plano de acordo com dez pontos, que os americanos teriam rejeitado, segundo o The New York Times. Ao mesmo tempo, prometeu retaliações duras caso os ataques à infraestrutura iraniana sejam realizados.

Ao mesmo tempo, Israel também segue realizando bombardeios no Irã e ataques no sul do Líbano, contra alvos que Tel Aviv diz terem ligações com o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em mais um sinal de que o fim do conflito ainda parece distante.

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