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Trump rejeitou pedido de Maduro por anistia em telefonema, diz agência

Diálogo entre os presidentes ocorre após ataques a supostos barcos de tráfico de drogas no Caribe

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 1 de dezembro de 2025 às 21h42.

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Em conversa telefônica, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez vários pedidos ao presidente dos EUA, Donald Trump, caso aceite a proposta de deixar o poder, entre elas anistia e fim das sanções americanas. No entanto, o republicano rejeitou várias pedidos, segundo informações da Reuters.

A ligação, ocorrida em 21 de novembro, aconteceu após meses de pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela. O governo americano realizou ataques a supostos barcos de tráfico de drogas no Caribe, ameaças repetidas de Trump de expandir operações militares em solo venezuelano, além da inclusão do Cartel de los Soles, um grupo que o governo dos EUA afirma envolver Maduro, na lista de organizações terroristas estrangeiras.

Maduro negou as acusações de envolvimento em atividades criminosas, alegando que os EUA buscam uma mudança de regime para controlar os recursos naturais da Venezuela, especialmente o petróleo.

Durante a ligação, Maduro propôs a Trump sua disposição de deixar o país, desde que ele e sua família recebessem garantias de anistia total, com a remoção de todas as sanções dos EUA e o fim de um processo judicial contra ele no Tribunal Penal Internacional, de acordo com a Reuters.

Ele também solicitou que as sanções contra mais de 100 membros do governo venezuelano, muitos deles acusados pelos EUA de tráfico de drogas, corrupção e violações dos direitos humanos, fossem anuladas.

Além disso, Maduro sugeriu que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a liderança de um governo interino até que novas eleições fossem realizadas, segundo a fonte de notícias.

Negativa de Trump

Trump, no entanto, rejeitou a maioria dos pedidos feitos por Nicolás Maduro durante a ligação, que durou menos de 15 minutos, mas deu ao presidente uma semana para deixar a Venezuela, com sua família, para qualquer destino de sua escolha.

O prazo de uma semana expirou na sexta-feira, levando Trump a anunciar, no sábado, o fechamento do espaço aéreo venezuelano.

O jornal Miami Herald havia publicado detalhes sobre a conversa, mas o prazo específico para a saída de Maduro não havia sido revelado anteriormente.

No domingo, Trump confirmou que havia falado com Maduro, mas não entrou em detalhes.

O governo dos EUA não reconhece Maduro como presidente legítimo da Venezuela. Ele está no poder desde 2013. Maduro reivindicou a vitória nas eleições presidenciais do ano passado, mas os EUA e outros países consideraram a eleição fraudulenta.

Em um discurso nesta segunda-feira, Maduro reafirmou sua "lealdade absoluta" ao povo venezuelano.

Ainda não está claro se Maduro pode fazer uma nova proposta envolvendo um salvo-conduto. Trump se reuniu com seus principais assessores na segunda-feira para discutir a campanha de pressão contra a Venezuela, entre outros temas, segundo a Reuters.

De acordo com a agência de notícias, o governo Trump não descartou uma possível saída negociada para Maduro, mas ainda existem grandes questões a serem resolvidas.

Os EUA aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro e ofereceram US$ 25 milhões por outros altos membros do governo, incluindo o Ministro do Interior, Diosdado Cabello, ambos acusados nos EUA de envolvimento com tráfico de drogas e outros crimes - acusações que todos negam.

Segundo a Reuters, o governo de Maduro pediu uma nova ligação telefônica com Trump.

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