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Trump faz pausa em campanha para ir a julgamento por difamação em Nova York

Ação foi aberta pela jornalista E. Jean Carroll, que em maio já tinha vencido o ex-presidente em outro caso sobre agressão sexual e difamação

Donald Trump: ex-presidente dos EUA se tornou inelegível para as eleições de 2024

Donald Trump: ex-presidente dos EUA se tornou inelegível para as eleições de 2024

AFP
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Agência de notícias

Publicado em 17 de janeiro de 2024 às 17h14.

Última atualização em 17 de janeiro de 2024 às 21h06.

Donald Trump fez uma pausa em sua campanha às primárias presidenciais do Partido Republicano para voltar a assistir, nesta quarta-feira, 17, ao julgamento por difamação, uma ação da jornalista E. Jean Carroll, que em maio já tinha vencido o ex-presidente em outro caso sobre agressão sexual e difamação.

"Estou aqui porque Donald Trump me agrediu e quando escrevi sobre isso, ele mentiu e atacou minha reputação", disse ao júri a escritora e ex-jornalista de 80 anos, segundo a imprensa que acompanha o julgamento.

"Quero recuperar minha reputação", reforçou, diante do ex-presidente de 77 anos, acompanhado de seus advogados. Na segunda-feira, Trump teve uma vitória esmagadora no primeiro ato das primárias do Partido Republicano no estado de Iowa em sua corrida para voltar à Casa Branca.

Carroll pede-lhe US$ 10 milhões (R$ 49,3 milhões, na cotação atual) pelos danos causados à sua carreira e reputação pelos comentários feitos em 2019, em pleno auge do movimento #Metoo, depois de dizer em um livro que o então presidente a tinha agredido sexualmente em 1996.

Na ocasião, Trump assegurou que a história de agressão "era totalmente falsa" e que Carroll "não fazia seu tipo". Segundo ele, ela teria inventado a história para "vender seu novo livro".

"Nunca na minha vida eu vi essa mulher (...) Não faço ideia de quem seja", repetiu na semana passada em alusão à escritora, a quem tachou de "mentirosa" e "estúpida".

Este julgamento é o segundo em oito meses em que Carroll enfrenta Trump. Em maio passado, um júri deu razão à colunista e condenou o republicano a lhe pagar cinco milhões de dólares (aproximadamente R$ 25 milhões, na cotação da época) por danos: dois por agressão sexual e três por difamação por outras declarações dadas em 2022. O magnata apelou da sentença.

Diferentemente daquela ocasião, o juiz Lewis Kaplan determinou que Carroll não precisa demonstrar que houve agressão sexual novamente, dada a decisão do júri em maio.

Shawn G. Crowley, uma das advogadas da jornalista, disse nas alegações iniciais, na tarde de terça-feira, que ao falar de dentro da Casa Branca, "Donald Trump utilizou uma das mais famosas plataformas do mundo para mentir sobre o que tinha feito, atacar a integridade duramente conquistada pela Senhora Carroll e acusá-la falsamente de inventar uma mentira terrível", segundo a imprensa local.

A equipe de defesa de Trump, com Alina Habba à frente, assegura que o que a ex-colunista da revista Elle busca é "fama e notoriedade" para vender seu livro.

Não é obrigado a assistir

Embora não seja obrigado a assistir a este julgamento civil, Trump decidiu fazê-lo. Na noite passada, após participar de um comício no estado de New Hampshire, segunda parada das primárias, em 23 de janeiro, e em meio à neve e a temperaturas congelantes, o republicano voltou a Nova York para assistir ao interrogatório de Carroll no segundo dia do julgamento.

Na terça, depois da vitória contundente nas primárias em Iowa, o ex-presidente também assistiu à escolha do júri pela manhã.

"Quero assistir a todos os meus julgamentos", disse Trump na semana passada, quando esteve presente ao final de outro julgamento que responde por sonegação fiscal também em um tribunal de Manhattan e no qual dois de seus filhos e a empresa da família estão envolvidos.

Com várias frentes judiciais abertas, Trump se considera vítima de uma "caça às bruxas" orquestrada de dentro da Casa Branca para dificultar seu retorno à Presidência americana nas eleições de novembro.

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