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Trump faz discurso do 'estado da União' pressionado por tarifas e aprovação

Presidente americano enfrenta queda de popularidade, decisão da Suprema Corte contra suas políticas e preocupações econômicas

 (MANDEL NGAN/AFP)

(MANDEL NGAN/AFP)

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 06h01.

Após um ano de governo sem grandes barreiras institucionais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará nesta terça-feira, 24, o tradicional discurso sobre o Estado da União (State of the Union, em inglês) em um ambiente político mais adverso.

A fala, marcada para as 21h do horário local (23h no horário do Brasil), no Congresso dos EUA, ocorre em meio a reveses judiciais, sinais de desaceleração econômica e queda de popularidade associada, sobretudo, à política migratória e ao aumento do custo de vida.

O pronunciamento — tradicional momento de prestação de contas e definição de prioridades perante Senado e Câmara dos Representantes — tende a manter o tom incisivo característico do presidente.

Analistas, no entanto, avaliam que a capacidade de persuasão usual do republicano será limitada, tanto junto à oposição democrata quanto entre aliados internacionais, que já demonstram maior cautela diante da agenda da Casa Branca.

Na última sexta-feira, 20, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos representou um golpe relevante à estratégia econômica e comercial do governo ao invalidar parte das tarifas impostas pela administração.

No mesmo dia, o Departamento de Comércio informou que a economia americana desacelerou no último trimestre de 2025, reforçando preocupações sobre o ritmo de crescimento.

Um momento sensível

Paralelamente, pesquisas de opinião indicam aumento do descontentamento com o custo de vida e críticas aos métodos empregados pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) nas operações contra imigrantes em situação irregular.

A percepção pública também tem sido especialmente sensível à inflação e aos gastos cotidianos, fatores historicamente decisivos no comportamento eleitoral.

Apesar disso, a estratégia de comunicação do presidente sobre o tema tem sido marcada por mensagens otimistas. Em discurso recente na Geórgia, Trump afirmou ter tornado “as coisas acessíveis”.

Especialistas, contudo, alertam para o risco político desse posicionamento. “Os eleitores sabem quanto estão pagando e reagem negativamente quando percebem uma desconexão com a realidade”, disse Todd Belt, professor de ciência política da Universidade George Washington, à AFP

O impacto potencial dessas insatisfações ganha particular relevância diante das eleições de meio de mandato, em novembro, quando toda a Câmara e um terço do Senado estarão em disputa.

O próprio presidente já alertou que uma eventual vitória democrata poderia abrir caminho para novas iniciativas de impeachment.

Diante desse cenário, e apesar de uma retórica otimista por parte do republicano, observadores identificam sinais de ajuste tático na atuação do governo.

Trump adotou um tom mais moderado em alguns episódios recentes, como a remoção de conteúdo controverso publicado em sua rede social e o recuo em operações de fiscalização migratória após semanas de protestos e repercussão negativa.

No plano externo, o presidente também suavizou posições, abandonando ameaças de anexação da Groenlândia após negociações durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, embora os termos do entendimento não tenham sido detalhados.

Apesar desses movimentos, a agenda do governo segue sob escrutínio judicial. Ações relacionadas à política econômica, às medidas migratórias e a iniciativas consideradas por críticos como de caráter retaliatório continuam avançando nos tribunais.

Decisões recentes incluem o bloqueio temporário de sanções do Pentágono contra um senador democrata e a determinação judicial para a libertação de uma criança de cinco anos detida em um centro de imigração — episódios que ilustram o crescente embate entre Executivo e Judiciário.

Às vésperas do discurso no Congresso, o quadro político indica um segundo momento da presidência Trump: menos marcado pela ausência de resistências e mais condicionado por pressões institucionais, eleitorais e econômicas que podem definir o equilíbrio de forças nos Estados Unidos nos próximos meses.

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